Centro Cultural discute como os dados se tornaram instrumento de poder

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Foto: Divulgação TJRJ
Espaço Cultura na Justiça recebe juíza Daniela Bandeira e a advogada Viviane Ferreira Mundim

Rio de Janeiro – Os dados pessoais deixaram de ser simples informação. Na era digital, eles se tornaram instrumento de poder econômico, político e social. Para discutir esse fenômeno, o Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR), do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), promoveu a palestra “Entre Dados e Poder: Desigualdade Informacional na Sociedade Algorítmica”, nesta quarta-feira (10), no Espaço Cultura na Justiça.
A conversa contou com a participação da advogada Viviane Ferreira Mundim e foi mediada pela juíza Daniela Bandeira em mais um encontro do Núcleo de Responsabilidade e Impacto Social da Tecnologia da Informação do OPFMR.
A juíza Daniela Bandeira refletiu sobre o uso de dados pessoais em períodos eleitorais, como o deste ano, e relembrou casos de campanhas que utilizaram informações de cidadãos para direcionar estratégias de comunicação e influenciar o debate político.
“A interseção perigosa entre o público e o privado ameaça à democracia ao permitir que o Estado se aproprie de bancos de dados privados para exercer controle e manipular processos políticos”, afirmou.
Viviane Ferreira Mundim destacou o novo poder digital e como os países da América do Sul agem pela construção de estratégias de proteção dos dados da população. Segundo ela, as nações têm se organizado em torno da soberania, e a união tem sido fundamental para o desenvolvimento de medidas de segurança de dados.
“O poder atual é definido por dados e informações coletadas por meio do nossos costumes. A vida cotidiana agora ocorre ‘em redes’, em que ações simples, como usar o WhatsApp ou pedir um Uber, geram rastros que formam sistemas de poder”, completou.
A partir das teorias de Shoshana Zuboff e de autores como Thomas Piketty, Virginia Eubanks e Nick Couldry, o debate abordou como o capitalismo de dados vem transformando a experiência humana em ativo econômico, aprofundando desigualdades e criando formas de exclusão.

Ana Carolina Garcia Berg de Marco

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