Casa da Cultura de Paraty recebe duas novas exposições de artes visuais
Foto: Divulgação
Paraty – A Casa da Cultura de Paraty recebe, a partir desta quinta-feira (9), duas novas exposições selecionadas pela Convocatória 2026 de artes visuais. A abertura acontece às 19h e reúne as mostras Onde o Céu Encontra o Mar, do coletivo Exocetídeos, e Luz e Silêncio – Retratos do Vietnã, do fotógrafo e artista visual Felipe Diehl.
Com propostas distintas, as exposições convidam o público a observar diferentes relações com o mundo, passando pela pesquisa de cores, memória, pertencimento e contato com outras culturas. As mostras têm entrada gratuita e ficam em cartaz até 28 de novembro de 2026.
Azul como ponto de partida
Formado por dez artistas que se conheceram no Instituto de Artes da Unicamp, o coletivo Exocetídeos apresenta sua primeira exposição em Onde o Céu Encontra o Mar. O grupo tem o azul como elemento central de pesquisa e inspiração.
O nome do coletivo faz referência a uma família de peixes-voadores que, por alguns instantes, deixam a água e planam sobre o oceano. A imagem também inspirou o título da exposição.
As obras partem principalmente da cianotipia, processo fotográfico do século XIX que utiliza a luz do sol e uma solução fotossensível para produzir imagens em tons de azul. A técnica se mistura a outras linguagens, como pintura e cerâmica.
Entre os trabalhos está Dormir com os peixes, de Beatriz Carlucci, produzido a partir da impressão de uma embalagem tetra pak sobre tecido. A relação entre técnica, matéria e imaginário aparece como um dos eixos da exposição.
“O azul escolheu a gente”, resume Alberto Alexandrino, integrante do coletivo.
Outro destaque é o trabalho Presunção de naturalidade, de Guilherme Gomes. Nascido em Fortaleza (CE) e criado em Campinas (SP), o artista utiliza a cianotipia para investigar questões relacionadas à origem, memória e pertencimento.
A obra reúne documentos que comprovam seu nascimento no Ceará e imagens relacionadas ao mar, criando uma ligação entre a cidade natal e a identidade construída ao longo da vida.
“Eu gosto de ficar lá no sol, de ver a imagem se revelando, misturando os químicos. É uma técnica apaixonante”, afirma o artista.
Retratos do Vietnã
Na exposição Luz e Silêncio – Retratos do Vietnã, Felipe Diehl apresenta 18 fotografias produzidas durante uma viagem de três meses pelo Sudeste Asiático, principalmente pelo Laos e pelo Vietnã.
O fotógrafo percorreu o Vietnã de sul a norte de motocicleta e registrou cenas de ruas, mercados, templos e, principalmente, pessoas. Crianças, mulheres e idosos aparecem nas imagens, que buscam preservar a espontaneidade das expressões e situações cotidianas.
Morador de Paraty Mirim, Felipe Diehl fotografa paisagens e natureza há mais de duas décadas. Durante a viagem, no entanto, decidiu concentrar parte do trabalho nos encontros com as pessoas e no cotidiano dos locais visitados.
“Mesmo viajando em grupo, eu buscava momentos de silêncio e saía sozinho para observar e fotografar”, conta.
As fotografias foram impressas em Fine-Art sobre papel algodão. Entre os trabalhos está Meninas das montanhas coletoras de flores, registrada no Vietnã em 2018.
Segundo o fotógrafo, a relação menos mediada pela câmera em alguns desses lugares contribuiu para registros mais naturais.
“São lugares onde a relação com a câmera ainda não é marcada pela lógica das redes sociais, o que favorece a espontaneidade”, explica.
Arte como encontro
Ao apresentar as duas exposições simultaneamente, a Casa da Cultura de Paraty amplia a proposta da Convocatória 2026 como espaço de circulação de diferentes trajetórias, linguagens e pesquisas no campo das artes visuais.
Em Onde o Céu Encontra o Mar, o azul serve como ponto de encontro entre ciência, história, memória e experimentação. Já em Luz e Silêncio, a fotografia aproxima o público de outras culturas por meio da observação do cotidiano.
As exposições contam com apoio do Estúdio 321, Insta Arts, Hahnemühle e Cassununga Cultural.
Por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, a Casa da Cultura de Paraty conta com patrocínio estratégico do Instituto Cultural Vale, além do apoio do Grupo Globo, EZZE Seguros, Innova, Farmacêutica EMS, Pousada Literária de Paraty, Fazenda Bananal e Sandi Hotel. O projeto também tem apoio institucional da Fundação Roberto Marinho e da Prefeitura de Paraty.
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Mayra Gomes
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