Capital do Surfe: etapa em Saquarema injeta R$ 180 milhões na economia local
Foto: Divulgação/Secom-GovRJ
Estado do Rio – Além das ondas que tornaram Saquarema mundialmente conhecida, a etapa da Liga Mundial de Surfe na cidade carrega um impacto econômico que ajuda a explicar por que o município é considerado a Capital Estadual do Surfe. Na edição de 2025, foram injetados quase R$ 180 milhões na economia local, segundo relatório da EY, referência em auditoria e consultoria. O título concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), garantido pela Lei 7.527/17, reforça a identidade do “Maracanã do Surfe” para além de uma homenagem esportiva e consolida o destino como máquina de geração de empregos, turismo e renda.
No Dia Mundial do Surfe, celebrado neste sábado (20), os números do setor turístico mostram que o protagonismo de Saquarema vai muito além do espetáculo dos atletas nas ondas. Só em 2024, a ocupação hoteleira chegou a 100% em Itaúna e 95% no restante da cidade. Já em 2025, a edição gerou 2.665 empregos diretos, com distribuição de R$ 93 milhões em renda para as famílias da região. O título da Alerj reconhece, assim, não apenas a identidade histórica da cidade, mas também impulsiona novas projeções e oportunidades ligadas ao esporte.
Para os empreendedores locais, esses números se traduzem em negócios mais fortes. À frente de uma pousada em Saquarema há oito anos, Janaína Coelho, 46, conta que a demanda de ocupação cresce de forma exponencial durante a janela do campeonato. “Nesse período, temos 100% de ocupação, uma diferença de 50% a mais. Normalmente trabalhamos com metade desse número em temporadas normais”, descreve.
O fluxo de visitantes supera, em muito, a própria população da cidade. Em 2025, Saquarema recebeu cerca de 410 mil pessoas na Praia de Itaúna ao longo dos 11 dias de programação — mais de quatro vezes os 95 mil habitantes estimados do município, transformando a cidade em uma vitrine global do surfe.
“Com isso, também aumenta a demanda por diversos serviços, além da hospedagem, como alimentação, transporte e comércio. Muitos moradores conseguem uma renda extra alugando imóveis, trabalhando diretamente na organização do campeonato ou ampliando as vendas de seus negócios durante o período da competição”, explica Janaína.
O surfe no DNA de Saquarema
Dizer que os saquaremenses trocam o futebol pelo surfe não é exagero. A relação remonta à década de 1970, quando a região passou a atrair surfistas em busca de ondas de até três metros, e segue firme até hoje. O reconhecimento do Parlamento fortalece esse vínculo e oficializa uma identidade construída a partir do elo entre o amor pelo surfe e a preservação da cultura histórica local.
A etapa deste ano começou na sexta-feira (19) e segue até a próxima sexta (27), com expectativa de atrair cerca de 400 mil visitantes até o encerramento. Para Janaína, a competição continuará mostrando as belas praias, a estrutura e tudo o que a cidade pode oferecer, além do potencial de atrair novas oportunidades nos próximos anos — já que Saquarema renovou a etapa do Mundial de Surfe até 2028.
“Temos praias de qualidade, como a de Itaúna, que é reconhecida por suas ondas. Além disso, hoje, Saquarema também recebe outras etapas, como a do circuito de acesso ao surfe mundial”, completa Janaína.
Osmar Neves
https://diariodovale.com.br/destaque/capital-do-surfe-etapa-em-saquarema-injeta-r-180-milhoes-na-economia-local/




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