Bolsa supera os 174 mil pontos e dólar recua para R$ 5,16
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
País – O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (3) em alta, com a Bolsa de Valores voltando a superar a marca dos 174 mil pontos pela primeira vez em um mês. O dólar também perdeu força e fechou cotado a R$ 5,168, refletindo a expectativa de redução da taxa básica de juros e o cenário externo favorável às moedas de países emergentes.
O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 0,74% e encerrou o pregão aos 174.070,27 pontos, o maior patamar de fechamento desde 2 de junho. No acumulado da semana, o índice registrou valorização de 0,45% e, no ano, já soma alta de 8,03%.
O dólar comercial caiu 0,76%, equivalente a R$ 0,04, fechando a R$ 5,168. Com o resultado, a moeda norte-americana praticamente anulou a alta da semana, acumulando leve avanço de apenas 0,03%. Em 2026, entretanto, a divisa registra queda de 5,83% frente ao real.
A sessão foi marcada por baixo volume de negócios em razão do feriado da Independência dos Estados Unidos, que manteve fechadas as bolsas de valores e o mercado de títulos do Tesouro norte-americano. O giro financeiro da B3 somou R$ 12,6 bilhões, abaixo da média diária.
Produção industrial reforça expectativa de queda dos juros
O principal fator de impulso para a Bolsa veio após a divulgação dos dados da produção industrial brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor registrou retração de 0,2% em maio na comparação com abril, resultado inferior ao esperado pelo mercado.
O desempenho reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica e aumentou as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá iniciar um ciclo de redução da taxa Selic na reunião prevista para agosto, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual.
A perspectiva de juros menores favoreceu principalmente ações de empresas mais dependentes do crédito, já que custos financeiros menores tendem a estimular investimentos, consumo e melhores resultados corporativos.
Cenário externo favorece moedas emergentes
No mercado de câmbio, o real também foi beneficiado pelo enfraquecimento do dólar no exterior. Investidores repercutiram indicadores mais fracos da economia norte-americana, especialmente os dados do mercado de trabalho divulgados na véspera, que reduziram as expectativas de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas internacionais, permaneceu praticamente estável ao longo da sessão, enquanto o mercado passou a concentrar as atenções nos próximos indicadores de inflação da economia norte-americana.
Mercado acompanha cenário fiscal
No ambiente doméstico, declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, também repercutiram entre os investidores. O representante da equipe econômica admitiu a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, medida que contribuiu para reduzir as taxas dos juros futuros e reforçou o desempenho positivo da Bolsa brasileira.
Mesmo com a liquidez reduzida pelo feriado nos Estados Unidos, o mercado encerrou a semana em terreno positivo, sustentado pela perspectiva de início do ciclo de flexibilização monetária e pelo aumento do apetite dos investidores por ativos brasileiros.
Osmar Neves



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