Bets chegam às mulheres por indicação de amigas e colegas de igreja, diz estudo
Foto: Gerada por IA
Por Diário Delas- As apostas online começam a fazer parte da vida financeira de um número expressivo de mulheres. Pesquisa nacional mostra que 42% das entrevistadas já apostaram ou ainda apostam em plataformas, enquanto outras 12% nunca jogaram, mas convivem com os efeitos do vício de parceiros ou familiares.
O levantamento Mulheres & Bets, realizado pelo Estúdio Clarice em parceria com o Instituto Estratégia Latina e o Instituto de Pesquisa IDEIA, ouviu 2.008 pessoas em julho deste ano e também reuniu 20 grupos qualitativos.
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Entre as mulheres que apostam, a diferença entre mães e não mães chama atenção. As que têm filhos apostam 1,6 vez mais do que as mulheres sem filhos. Segundo a pesquisa, a busca por dinheiro aparece entre as razões para apostar, inclusive para complementar a renda, pagar contas e comprar produtos para a família.
A aposta também aparece associada à percepção de que pode funcionar como uma fonte de renda. O problema é que a mesma pesquisa mostra que 67% das mulheres entrevistadas acreditam que as apostas estão desestruturando as famílias.
Os tipos de jogos procurados também variam. As mulheres têm maior presença nos jogos de cassino online, enquanto os homens predominam nas apostas esportivas.
Outro dado do levantamento mostra que a entrada nas plataformas pode acontecer por influência de pessoas próximas. Amigas, irmãs, primas e companheiras de igreja aparecem entre as pessoas que apresentam as apostas às mulheres. Em alguns casos, quem faz a indicação também recebe recompensas por levar novos usuários às plataformas.
Problema chegou ao SUS
Os efeitos do jogo problemático também aparecem nos registros do Ministério da Saúde.
Dados da pasta mostram que 10.553 atendimentos relacionados a jogos e apostas foram registrados no SUS entre janeiro de 2018 e maio de 2025. Desse total, 6.237 ocorreram na Atenção Primária à Saúde e 4.316 foram atendimentos ambulatoriais, incluindo os realizados nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em 2024, as mulheres responderam por 43% dos atendimentos relacionados a jogos e apostas, enquanto os homens representaram 57%. A maior concentração ocorreu entre pessoas de 20 a 49 anos. O Ministério da Saúde também estima que 5,5% das mulheres apresentam algum nível de prejuízo relacionado ao jogo. Entre os homens, o percentual chega a 11,9%.
A preocupação com o avanço do problema levou o Ministério da Saúde a lançar, em janeiro deste ano, um guia nacional para orientar profissionais do SUS no atendimento de pessoas afetadas pelas apostas. A pasta relaciona o jogo problemático a consequências como ansiedade, depressão, endividamento e ruptura de vínculos.
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Mulheres têm maior presença nos jogos de cassino online, enquanto os homens predominam nas apostas esportivas
Mayra Gomes
Bets chegam às mulheres por indicação de amigas e colegas de igreja, diz estudo



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