Atenção Primária leva atendimento domiciliar a áreas rurais de Volta Redonda

Foto: Adriana Cópio

Volta Redonda – A Atenção Primária à Saúde de Volta Redonda também leva atendimento aos moradores das áreas rurais e de difícil acesso do município. Por meio das Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), as equipes realizam visitas domiciliares para acompanhar pacientes que enfrentam dificuldades de locomoção, dependem de transporte público ou vivem em locais mais distantes das unidades de saúde.

Cerca de 500 moradores de áreas rurais estão cadastrados na UBSF Roma II. Atualmente, aproximadamente dez pacientes recebem acompanhamento em casa, entre pessoas acamadas e moradores com dificuldade de deslocamento. A quantidade de atendimentos pode variar conforme as necessidades identificadas pelos profissionais.

As visitas são realizadas por uma equipe formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde e residentes. Durante os atendimentos, os profissionais podem fazer avaliação clínica, aferição de sinais vitais, avaliação pediátrica, curativos e vacinação.

A equipe também pode levar medicamentos disponíveis na unidade, desde que o paciente tenha a receita, além de receituários e resultados de exames. Quando há necessidade de atendimento especializado, o encaminhamento é realizado pela própria unidade.

Atendimento que chega até o paciente

Um dos moradores acompanhados pela UBSF Roma II é Nelson Maria da Mata, de 57 anos. Ele recebe visitas da equipe e utiliza diferentes serviços oferecidos pela unidade. Durante uma das visitas, os profissionais também acompanharam seu neto, Pedro Henrique, que tem apenas um mês de vida.

A médica da UBSF Roma II, Jéssica da Cruz Benício, explica que a frequência do acompanhamento domiciliar é definida de acordo com a necessidade de cada paciente e pode ocorrer mensalmente ou em intervalos maiores.

“Realizamos acompanhamento do Sr. Nelson e da família de forma mensal ou a cada três meses, dependendo da necessidade. O Sr. Nelson apresentou hoje uma queixa de síndrome respiratória e a gente faz esse acompanhamento e monitoramento por causa da distância da unidade básica até aqui. Para a gente, fica muito mais fácil trazer o atendimento até o paciente, porque ele não fica sem a assistência e o cuidado. Esse é o objetivo do SUS (Sistema Único de Saúde) e do atendimento rural: trazer o atendimento médico e o cuidado até o paciente que tem mais dificuldade”, afirmou.

Para Nelson, a proximidade da equipe faz diferença principalmente por causa da distância e da dificuldade de deslocamento. Ele conta que utiliza serviços como consultas e exames e que, quando precisa de atendimento especializado, recebe o encaminhamento pela própria unidade.

“O atendimento é muito bom, seja aqui em casa, seja no postinho, a equipe toda é muito boa, todas são muito atenciosas. Eu faço exame de sangue, urina, fezes, eletrocardiograma, consultas em geral. Quando eles não podem atender no postinho, a doutora encaminha para a Policlínica, tudo muito bem planejado”, afirmou.

O morador também destaca a importância das visitas para o acompanhamento de sua família. Segundo ele, em uma das ocasiões, a presença da equipe foi fundamental para identificar que o neto, ainda recém-nascido, precisava de atenção.

“Elas fazem as visitas. Inclusive, se elas não tivessem vindo, a criança tinha morrido no outro dia, porque ele estava sugando, mas não estava mamando. Já estava todo molinho e a gente não sabia por quê. Foi muito importante a visita delas. É um trabalho muito bacana que elas fazem”, contou.

Segundo a enfermeira e gerente da UBSF Roma II, Isabella Blachessen, a unidade também acompanhou o pré-natal da filha de Nelson e manteve o cuidado conjunto com a rede especializada diante da necessidade de atendimento de alto risco.

“Nós realizamos vários tipos de atendimento, entre eles, o pré-natal, que a Jéssica realizou na unidade. Por ser um pré-natal de alto risco, por conta do histórico de crises de epilepsia, ela também foi encaminhada para o pré-natal de alto risco na Policlínica da Mulher, e a gente fez esse acompanhamento conjunto. Agora nós realizamos o acompanhamento da criança, do Pedro Henrique, que hoje tem um mês, e realizamos as consultas de puericultura”, explicou.

Apoio para quem quer parar de fumar

Outra moradora da área rural que utiliza os serviços da UBSF Roma II é Marina Ramos, de 65 anos. Acompanhada pela filha durante uma consulta, ela conheceu o programa de tratamento para tabagismo oferecido pela unidade e decidiu participar.

Com o acompanhamento da equipe, Marina conseguiu parar de fumar.

“Graças a Deus eu consegui parar. Foi difícil, mas consegui. Meu neto falava: ‘Vó, para de fumar’, e eu nunca consegui. Hoje em dia eu choro de alegria, porque consegui”, contou.

A médica residente Vivian Magalhães, que acompanha a paciente, afirma que Marina já demonstrava vontade de abandonar o cigarro quando conheceu o programa.

“Ela é uma paciente muito especial, dedicada, com uma força de vontade muito grande. Desde o começo, fez tudo direitinho. A gente conversava bastante e ela falava sempre como estava se sentindo e como estava se adaptando ao uso dos medicamentos. Agora ela conseguiu cessar totalmente o uso do cigarro há algumas semanas, e a gente fica muito feliz e orgulhosa dela”, afirmou.

Para Marina, o tratamento também trouxe mudanças percebidas no dia a dia.

“Hoje em dia eu sinto o cheiro do perfume, do creme que eu uso. Antes eu não sentia nada. O tratamento foi muito bom, ela explicava, conversava e orientava o que a gente podia fazer quando tivesse vontade de fumar”, relatou.

Além do programa de tabagismo, Marina utiliza outros serviços da unidade e também recebe visitas domiciliares.

“Eu faço tudo no postinho, exame, consulta. Não tenho nada a reclamar do postinho, sempre sou muito bem atendida. É muito bom quando elas vêm aqui em casa, porque aqui é muito difícil por causa do horário do ônibus. Já tem tudo aqui e a gente não precisa ficar se deslocando”, disse.

Cuidado próximo dos moradores

A secretária municipal de Saúde, Márcia Cury, destacou a importância da Atenção Primária para ampliar o acesso aos serviços de saúde, especialmente em comunidades rurais e localidades de difícil acesso.

“A Atenção Primária tem um papel fundamental na organização do cuidado e na garantia de acesso à saúde para toda a população. Nas áreas rurais e de difícil acesso, esse trabalho ganha ainda mais importância, porque precisamos considerar a realidade de cada comunidade e encontrar formas de aproximar os serviços dos moradores. As visitas domiciliares permitem que nossas equipes acompanhem de perto quem mais precisa, fortalecendo a prevenção, o diagnóstico e o cuidado contínuo. É esse olhar humanizado e próximo que queremos fortalecer cada vez mais na rede municipal de saúde”, afirmou.

foto: Adriana Cópio

 

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Mayra Gomes

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