Assistência Social debate diagnóstico socioterritorial em Volta Redonda
Foto: Clara Preta/Smas
Volta Redonda — A Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) de Volta Redonda realizou, na sexta-feira (29), o terceiro encontro do percurso formativo “Descrevendo Realidades”, iniciativa voltada ao fortalecimento do mapeamento e do diagnóstico socioterritorial do município. A atividade reuniu profissionais da Proteção Social Básica, Proteção Social Especial, Vigilância Socioassistencial e representantes de entidades inscritas no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS).
Durante a formação, foram apresentadas propostas para subsidiar a atualização de dados da Assistência Social, além de informações do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que apontam o fortalecimento da rede socioassistencial na identificação de situações de vulnerabilidade envolvendo crianças e adolescentes em Volta Redonda.
O levantamento referente ao período de 2025/2026 aponta 151 registros identificados, frente aos 98 casos apresentados no diagnóstico de 2024. Segundo a equipe técnica do Peti, em articulação com a Vigilância Socioassistencial, o aumento reflete principalmente a ampliação da capacidade de identificação da rede de proteção, o fortalecimento dos fluxos de notificação e a atuação integrada dos serviços especializados do município, especialmente do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e do Serviço de Abordagem Social.
Os dados apresentados durante o encontro também evidenciam a importância das ações preventivas e do trabalho territorial desenvolvido pelo município. Entre os registros, permanece a predominância de meninos em situações relacionadas a atividades informais e de rua. Em relação às meninas, os profissionais alertam para formas de exploração menos visíveis e de difícil identificação, como o trabalho doméstico e a exploração sexual, reforçando a necessidade de ampliar ações de proteção e conscientização.
O diagnóstico aponta ainda maior incidência entre adolescentes de 14 a 17 anos, cenário que reforça a importância de políticas públicas voltadas à aprendizagem profissional, qualificação e inserção protegida no mercado de trabalho.
A socióloga Ana Clara Matias Rocha, integrante do Departamento de Vigilância Socioassistencial, ressaltou que o percurso formativo foi elaborado para aproximar o conhecimento técnico da realidade vivenciada pelos profissionais da rede.
“Esse percurso foi pensado para esclarecer dúvidas e fortalecer o entendimento sobre o mapeamento e o diagnóstico socioterritorial. O objetivo é construir, junto aos profissionais da ponta e às entidades, um diagnóstico que ajude a compreender melhor as demandas da população, as potencialidades e as fragilidades do município”, destacou Ana Clara.
Capacitação
Durante a capacitação, foram apresentadas ferramentas e metodologias para auxiliar profissionais das unidades socioassistenciais na identificação de informações relevantes registradas nos atendimentos à população. A proposta é transformar esses dados em instrumentos estratégicos para o planejamento de políticas públicas mais eficazes e alinhadas às necessidades dos territórios.
A diretora do Departamento de Vigilância Socioassistencial, Flávia Santos, afirmou que conhecer os territórios é essencial para fortalecer ações de prevenção e proteção social.
“Estamos discutindo a importância do levantamento de indicadores e dados que contribuam para o fortalecimento da política de assistência social no município. Isso permite identificar territórios com maior incidência de situações de risco e violência, além de ampliar o trabalho preventivo voltado a crianças, adolescentes, idosos e outros públicos atendidos pela assistência social”, afirmou.
Segundo ela, as ferramentas apresentadas durante o encontro vão auxiliar profissionais da Proteção Social Básica e Especial a utilizar os registros de atendimento para a construção de diagnósticos mais precisos sobre a realidade do município.
“Quando temos dados e indicadores, conseguimos identificar onde é necessário intensificar a atuação. Isso contribui para qualificar serviços, programas, projetos e benefícios ofertados à população”, acrescentou.
Mayra Gomes
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