Angra 3: deputado defende renegociação de dívidas
Foto: Divulgação
Decisão do CNPE atende a um pedido da Eletronuclear e prevê a suspensão das parcelas dos empréstimos até o fim de 2026
País – O presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear do Congresso Nacional, deputado Julio Lopes (PP-RJ), afirmou que a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para a suspensão dos pagamentos das dívidas da Eletronuclear relacionadas às obras de Angra 3 é um passo importante para a recuperação financeira da empresa.
A decisão do CNPE atende a um pedido da Eletronuclear e prevê a suspensão das parcelas dos empréstimos até o fim de 2026. A medida ainda depende da aprovação da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituições responsáveis pelos financiamentos.
Segundo o parlamentar, a renegociação das dívidas é necessária para que a empresa consiga reorganizar as contas e avançar na definição dos próximos passos do empreendimento.
“O governo negligenciou por muito tempo as dívidas de Angra 3, principalmente as que envolvem a Eletronuclear, e que precisam de uma renegociação urgente para que a empresa possa ganhar fôlego e se reestruturar”, afirmou Julio Lopes.
O deputado destacou ainda o desempenho do complexo nuclear de Angra dos Reis e defendeu a continuidade dos investimentos no setor.
“Angra é considerado o sexto melhor complexo nuclear do mundo em desempenho. Isso mostra sua efetividade, competitividade e importância econômica. Mas, para que esse potencial continue, é necessário um processo de saneamento e regularização”, disse.
Dívidas representam cerca de R$ 800 milhões por ano
Atualmente, o pagamento das parcelas dos empréstimos representa um custo anual de aproximadamente R$ 800 milhões para a Eletronuclear. O impacto financeiro aumenta diante das incertezas sobre a continuidade das obras da usina Angra 3.
A suspensão dos pagamentos, caso seja confirmada pelos bancos credores, deve permitir que a empresa tenha mais tempo para discutir alternativas de financiamento e o futuro do empreendimento.
Estudos sobre combustível nuclear
Além da questão financeira da Eletronuclear, o CNPE também aprovou uma resolução que estabelece diretrizes para estudos comparativos sobre os preços do combustível nuclear praticados no Brasil e no mercado internacional.
As análises serão conduzidas pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar). Caso sejam identificadas diferenças em relação aos valores internacionais, a empresa deverá apresentar justificativas técnicas e, quando necessário, elaborar um plano para adequação dos preços.
As medidas fazem parte de uma estratégia para ampliar a transparência e fortalecer a estrutura do setor nuclear brasileiro.
Carol Berg






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