Ameaça do aço chinês faz CEO da Gerdau cobrar medidas urgentes do governo
Foto: Divulgação
País – O alerta veio do topo de uma das maiores produtora de aço da América Latina. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, disse nesta semana que espera medidas antidumping do governo federal contra o aço importado — da China e de outros países, incluindo a Rússia — em até três meses. A declaração foi dada em coletiva durante as comemorações dos 40 anos da Usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, e ecoa diretamente no sul fluminense.
Werneck foi direto: investigações preliminares do governo já comprovam que o produto estrangeiro entra no Brasil a preços abaixo do mercado, tornando a competição injusta para a indústria nacional. “Pleiteamos mecanismos de defesa comercial para que possamos competir. Quem sabe, depois disso, possamos anunciar novos investimentos no Brasil e retomar plantas que estão paradas”, declarou.
A ameaça é concreta para a região. A CSN, em Volta Redonda, a ArcelorMittal, com unidades em Barra Mansa e Resende, e a Saint-Gobain, que produz tubos de aço em Barra Mansa, estão entre as empresas que estão sendo afetadas pela pressão das importações. Segundo projeção do Instituto Aço Brasil, se a trajetória continuar, o setor siderúrgico nacional pode perder até 37,6 mil empregos — de um total de 117 mil no país.
O aço chinês chega ao Brasil vendido entre 30% e 40% mais barato, boa parte subsidiado pelo governo chinês, e já responde por quase 30% das vendas internas. Atualmente, a indústria opera com apenas 66% da capacidade instalada, muito abaixo dos 80% considerados saudáveis para o setor.
Em fevereiro, o governo federal deu um primeiro passo ao impor tarifas antidumping por cinco anos ao aço chinês. Para o setor, porém, as medidas ainda são insuficientes — e o CEO da Gerdau deixou claro que o tempo urge.
Mayra Gomes
Ameaça do aço chinês faz CEO da Gerdau cobrar medidas urgentes do governo



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