Alunos do IFRJ de VR protestam após denúncia de imagens manipuladas por IA
Foto: Evandro Freitas
Caso veio à tona na última sexta-feira (26) e provocou um protesto de alunos nesta segunda-feira (29)
Volta Redonda – Um estudante de 17 anos é investigado pela Delegacia da Mulher de Volta Redonda após imagens de colegas serem manipuladas com inteligência artificial num computador do laboratório do IFRJ — Campus Volta Redonda. O caso veio à tona na última sexta-feira (26) e provocou um protesto de alunos nesta segunda-feira (29), enquanto a defesa do jovem pede cautela diante do que classifica como circulação de informações imprecisas nas redes sociais.
Antes de qualquer conclusão, os fatos confirmados pelas autoridades são estes: as imagens não contêm nudez, não foram compartilhadas e todos os envolvidos são menores de idade. A investigação está em fase inicial e tramita sob sigilo, conforme determina a legislação.
“As informações e manifestações acerca dos fatos ocorridos no IFRJ devem ser tratadas com extrema cautela, tendo em vista que o caso se encontra em fase inicial de apuração e todos os envolvidos são adolescentes. Ao contrário de informações que vêm sendo divulgadas nas redes sociais, a direção do Instituto esclareceu que as imagens encaminhadas juntamente com a denúncia não contêm nudez ou pornografia. Esclareceu, ainda, que tais imagens não foram compartilhadas pelo estudante e não envolvem professoras. É fundamental que casos dessa natureza sejam tratados com responsabilidade, especialmente em respeito à presunção de inocência, ao devido processo legal e à proteção integral dos adolescentes envolvidos. A circulação de informações imprecisas ou não confirmadas pode gerar danos irreversíveis à honra, à imagem e ao desenvolvimento dos envolvidos. Por essa razão, é indispensável que se aguarde a conclusão das apurações oficiais antes da formação de juízos definitivos”, diz a nota da defesa técnica do estudante.
O que aconteceu
Na última sexta-feira (26), uma estudante identificou, num computador do laboratório de informática do campus, imagens manipuladas de colegas produzidas com ferramentas de inteligência artificial. O material estava vinculado ao login de um aluno de 17 anos, que havia deixado o terminal conectado à sua conta. A estudante denunciou diretamente à direção da instituição.
Segundo as investigações preliminares da DEAM-VR, o aluno teria utilizado o computador para alterar fotos de perfil do WhatsApp de colegas, conferindo teor sensual às imagens. As vítimas seriam alunas do Ensino Médio, com idades entre 16 e 17 anos. As jovens já foram identificadas e encaminhadas ao Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente para escuta especializada. A delegacia aguarda os laudos periciais e os relatórios das oitivas.
Protesto no IFRJ
Nesta segunda-feira (29), estudantes realizaram manifestação organizada pelo Grêmio Estudantil para cobrar providências da direção. O presidente do Grêmio, Gabriel Corrêa Lima, deixou claro o objetivo do ato.
“O que a gente quer aqui, principalmente, é que medidas sejam tomadas. A gente não fala individualmente do aluno que cometeu isso, que é menor de idade, a gente quer mesmo que a direção atue no problema e tome medidas verdadeiras.”
O diretor-geral do campus, professor André Seixas de Novais, reconheceu a legitimidade da manifestação. “O ato dos estudantes é extremamente importante. Eles têm que se manifestar livremente. Quando acontece casos como este, a gente precisa obedecer a legislação, os regulamentos institucionais e prestar acolhimento às vítimas e seus responsáveis.”
Entre os familiares presentes ao protesto estava F.S.P., mãe de uma das estudantes. “Minha filha ficou muito nervosa, muito chocada. Infelizmente, a gente não ficou sabendo do ocorrido pela escola, nós soubemos pelas alunas. Nós estamos tomando as providências cabíveis para não ficar acontecendo isso.”
A.M., outra mãe presente, demonstrou solidariedade mesmo sem confirmação de que a imagem da filha estava entre as manipuladas. “Não sei se a imagem da minha filha está entre as fotos, mas estou aqui em solidariedade, porque nós mulheres temos que ter força, temos que ter voz.”
Foto: Evandro Freitas
Investigação está em fase inicial e tramita sob sigilo, conforme determina a legislação
A dimensão política e jurídica
O vereador Raone Ferreira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Volta Redonda, defendeu rigor e prevenção. “Eu já coloquei à disposição toda minha equipe jurídica e psicológica para atendimento das alunas e todos os estudantes que se sentirem lesados. Agora é o momento de a gente repudiar esse ato e transformar isso num processo de ensino e aprendizagem. O uso indiscriminado de tecnologia não pode servir como um meio de violar os direitos fundamentais das pessoas.”
A vereadora Gisele Klinger, que participava do Encontro Nacional das Parlamentares em Brasília, acompanhou o caso à distância. “Não podemos naturalizar esse tipo de violência. As vítimas precisam ser acolhidas, os fatos precisam ser esclarecidos e, se confirmadas as denúncias, os responsáveis devem responder na forma da lei.”
O professor Douglas Abranches, especialista em inteligência artificial, alertou para os riscos do uso irresponsável dessas ferramentas. “A internet tem várias camadas, umas com proteção e outras não. Existem algumas partes dela que são obscuras e podem sim prejudicar as pessoas. É por isso que quando a gente dá o curso, pregamos sempre que as pessoas tenham muito cuidado ao utilizar as plataformas, porque conforme a tecnologia evolui as regulações demoram para chegar. Por isso, a ética tem sempre que prevalecer.”
A investigação segue em andamento sob sigilo, conforme determina a legislação para casos que envolvem adolescentes.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
Alunos do IFRJ de VR protestam após denúncia de imagens manipuladas por IA





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