Aluna de direito que dá curso para evitar golpe é presa por suspeita de golpe

Uma estudante de Direito de 22 anos, que produzia conteúdos nas redes sociais com orientações para evitar golpes e solucionar problemas envolvendo contas bancárias, foi presa preventivamente nesta sexta-feira (14), durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Ela e o companheiro, de 25 anos, são investigados por um esquema de venda de celulares que, segundo a polícia, sequer existiam. A reportagem é do portal Metropoles.

A Operação Reflexo foi conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural) e teve como alvo a estrutura utilizada pelo casal para cometer estelionatos eletrônicos. De acordo com a investigação, os suspeitos anunciavam smartphones na internet, recebiam os pagamentos das vítimas e não entregavam os produtos.

A jovem apontada como principal investigada cursa o 7º semestre de Direito e trabalhava como estagiária em um escritório de advocacia. O caso ganhou ainda mais repercussão porque, nas redes sociais, ela mantinha uma imagem ligada justamente à orientação jurídica e à prevenção de fraudes.

Em algumas das publicações, a estudante explicava aos seguidores como agir diante do bloqueio de contas bancárias por suspeita de fraude e divulgava dicas para que internautas não fossem vítimas de golpes. Paralelamente, segundo a Polícia Civil, ela participava do esquema investigado.

Loja falsa foi montada para convencer compradores

A investigação aponta que a estudante atuava ao lado do companheiro. Para dar aparência de legitimidade às vendas, os dois teriam criado perfis falsos que reproduziam a identidade visual de uma conhecida empresa do ramo de telefonia.

A estrutura montada para convencer as vítimas não ficava apenas no ambiente virtual. Segundo os investigadores, o casal preparou dentro de um imóvel em São Paulo uma espécie de loja cenográfica.

No local havia dezenas de caixas vazias de celulares, além de etiquetas, embalagens e materiais utilizados para simular o envio das mercadorias. Os investigados gravavam vídeos e produziam fotografias mostrando aparelhos supostamente embalados e prontos para serem despachados aos compradores.

Com esse material, as vítimas acreditavam estar negociando com uma empresa verdadeira e faziam os pagamentos.

A dinâmica investigada começava com a criação de perfis que imitavam lojas conhecidas. Depois, vídeos do falso estoque eram utilizados para aumentar a confiança dos clientes durante as negociações. Após o pagamento por transferência eletrônica, porém, os celulares não eram enviados e os compradores acabavam bloqueados nos canais de comunicação usados pelo casal.

Prisões e buscas em São Paulo

A operação foi realizada no estado de São Paulo e contou com apoio da Polícia Civil paulista, além da colaboração do setor de inteligência de uma plataforma de comércio eletrônico.

A Justiça determinou a prisão preventiva dos dois investigados e autorizou quatro mandados de busca e apreensão. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram recolhidos equipamentos eletrônicos e diversas caixas que, segundo a investigação, faziam parte do cenário utilizado para dar credibilidade às falsas vendas.

Também foi determinado o bloqueio cautelar de R$ 20 mil em contas relacionadas ao grupo.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, a estudante não possuía registros criminais anteriores. Já o companheiro seria investigado em outro processo por um golpe semelhante ocorrido no Rio Grande do Sul.

A apuração identificou ocorrências relacionadas ao esquema no Distrito Federal e em outros estados. Os equipamentos eletrônicos apreendidos passarão por perícia para aprofundar as investigações e dimensionar a quantidade de vítimas.

Os investigados deverão responder por estelionato mediante fraude eletrônica. A investigação continua para esclarecer a extensão do esquema e identificar possíveis novos casos relacionados às falsas vendas.

Informa Cidade

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