Glaucia Lisboa integra Fisioterapia e ABA no cuidado de crianças com TEA

Por Emiliano Macedo
Participar de uma brincadeira envolve mais do que compreender suas regras. É preciso acompanhar movimentos, lidar com estímulos e encontrar uma maneira de interagir com outras pessoas, exigências que podem representar desafios diferentes para cada criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quando uma atividade é evitada ou interrompida, entender o que dificultou aquela experiência torna-se parte importante do cuidado.
É nesse encontro entre movimento, comportamento e participação funcional que Glaucia Lisboa vem estruturando sua atuação profissional, combinando sua formação em Fisioterapia com conhecimentos de Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e neurodesenvolvimento. Na prática clínica descrita pela profissional, essa integração orienta estratégias individualizadas que consideram habilidades motoras, coordenação, equilíbrio e as condições necessárias para que a criança participe das atividades cotidianas.
Formada em Fisioterapia desde 2008, Glaucia Lemos da Silva Lisboa construiu uma trajetória que reúne atendimento clínico, coordenação de setores de Fisioterapia em duas prefeituras e experiência como chefe de serviço. Também atuou em Fisioterapia laboral na JBS, ampliando sua vivência em diferentes contextos de cuidado, enquanto as responsabilidades de gestão acrescentaram à experiência assistencial a liderança de equipes e a organização do trabalho entre profissionais.
Pós-graduada na área de UTI, direcionou sua formação mais recente ao atendimento de crianças com TEA, com pós-graduações em andamento em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA, Neuropsicologia aplicada ao TEA e Intervenção ABA aplicada ao TEA. Sua atuação como acompanhante terapêutica e a experiência com equipes multidisciplinares se somam a esse percurso, aproximando o olhar sobre o movimento das questões de aprendizagem, comportamento e autonomia.
“Antes de insistir em uma atividade, precisamos entender o que está acontecendo. A criança pode precisar de ajuda para executar o movimento, de uma orientação mais clara ou de uma mudança no ambiente”, explica.
Essa atenção ao contexto está presente nas recomendações do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados do Reino Unido, conhecido pela sigla NICE. Na orientação sobre a avaliação de comportamentos que demandam apoio, a instituição recomenda investigar dificuldades de comunicação, problemas físicos, como dor, e fatores ambientais, ampliando a investigação para além da resposta observada e ajudando a evitar que necessidades diferentes recebam uma mesma interpretação.
A pesquisa científica também tem examinado a relação entre movimento e outras dimensões do desenvolvimento. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2025 na revista Physical & Occupational Therapy in Pediatrics reuniu 23 ensaios clínicos randomizados, com 636 participantes, e encontrou efeitos positivos de intervenções motoras sobre habilidades sociais e sobre medidas que combinavam interação social e comunicação.
Os resultados não foram significativos em todos os domínios avaliados, incluindo a cognição isoladamente, e não constituem uma comprovação específica da combinação entre Fisioterapia e ABA, embora ofereçam fundamento para considerar o movimento no planejamento do cuidado.
Para Glaucia, essa integração começa pela definição de objetivos que façam sentido na vida da criança. Equilíbrio e coordenação podem ser observados em atividades como subir degraus ou participar de jogos, enquanto a análise do comportamento contribui para compreender as condições em que a participação acontece e quais apoios favorecem a aprendizagem. A experiência na coordenação de equipes reforça, em sua abordagem, a importância do diálogo entre profissionais, com respeito às atribuições de cada área e atenção à comunicação, ao conforto e aos interesses infantis.
O acompanhamento, nessa perspectiva, precisa alcançar o que acontece fora da sessão. Glaucia defende registros sobre a ajuda necessária para realizar uma tarefa e sobre as situações em que a habilidade aparece, somados às observações da família e da escola.
“Conseguir fazer uma atividade na clínica é uma informação importante, mas precisamos saber se ela também faz sentido na rotina. O objetivo pode ser brincar com mais conforto, participar de uma tarefa ou precisar de menos ajuda, conforme as necessidades daquela criança”, afirma.
A integração ganha sentido quando modifica a forma de observar e planejar o atendimento. Uma dificuldade motora pode exigir adaptação da tarefa, enquanto uma interrupção pode pedir investigação sobre desconforto ou compreensão da proposta, informações que ajudam a equipe a escolher o apoio necessário e acompanhar sua utilidade no cotidiano. Ao conectar experiência clínica, coordenação de serviços e formação em comportamento e neurodesenvolvimento, Glaucia coloca a participação e a autonomia da criança como referências para esse trabalho.
O post Glaucia Lisboa integra Fisioterapia e ABA no cuidado de crianças com TEA apareceu primeiro em Diário do Vale.
emiliano macedo
Glaucia Lisboa integra Fisioterapia e ABA no cuidado de crianças com TEA




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.