Quase 57 mil pessoas morreram de forma violenta no RJ em dez anos
Foto: Divulgação
Número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado e é como se toda a população de uma cidade do porte de Paraty ou Guapimirim tivesse sido extinta pela violência nesse período
Rio de Janeiro – A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que, de janeiro de 2015 a dezembro de 2025, 56.838 pessoas foram mortas em território fluminense em decorrência de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de mortes, latrocínios e mortes por intervenções de agentes do Estado. O número supera a população de 56 dos 92 municípios do estado e é como se toda a população de uma cidade do porte de Paraty ou Guapimirim tivesse sido extinta pela violência nesse período. Pelo Sul Fluminense, as cidades de Barra Mansa e Volta Redonda são as que tiveram o maior número de registros em 2025, com 68 e 52 casos respectivamente.
As informações estão ressaltadas no “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015 – 2025”, elaborado pela Firjan com o objetivo de entregar análise detalhada e contribuir com a elaboração de políticas públicas. Com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o estudo é composto pelos indicadores de estelionato, extorsão, letalidade violenta, roubo e furto de veículos, roubo de carga e roubo de rua, crimes que afetam pessoas e empresas.
“Estamos entregando análise da última década e propondo um olhar específico para o que está acontecendo em cada região. Uma visão apenas dos dados consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança pública não combatam os crimes que, de fato, estão penalizando a população e prejudicando o desenvolvimento de cada localidade”, diz o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano. Também de acordo com a federação, a insegurança e a ilegalidade geram custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia fluminense.
Letalidade Violenta
No que se refere à letalidade violenta, a região composta por 17 municípios, registrou taxa de 24,8 por 100 mil habitantes, acima da média estadual, de 22,6. Em Barra Mansa, a taxa de letalidade violenta mais que dobrou ao longo da década, passando de 18,3 por cem mil habitantes (33 casos) em 2015, para uma taxa de 37,4 (68 casos) em 2025. A cidade teve um pico no ano de 2023, com o registro de 80 casos. Esse número caiu para 66 em 2024 e teve leve aumento em 2025.
Na sequência, Volta Redonda é o segundo município com o maior número de registro desse tipo de crime (52 casos). O pico na cidade foi no ano de 2019, quando chegou a 99 ocorrências, seguiu em queda nos anos posteriores, tendo 43 casos em 2024 e voltou a registrar aumento de 2025. Estre os municípios com maiores registros estão ainda Angra dos Reis (39 casos), Resende (32), Itatiaia e Parati (20 cada), Barra do Piraí (16) e Valença (14). Os demais municípios da região tiveram menos de 10 registros.
Municípios do Sul Fluminense apresentaram alta nos casos de estelionato
Entre os crimes analisados, o de estelionato, muito ligado aos meios digitais, teve 146.981 registros no estado do Rio de Janeiro em 2025 – crescimento de 313% em relação a 2015. Esse crescimento é espelhado em todos os 17 municípios do Sul Fluminense, que registrou 8.472 casos de estelionato e taxa de 699,0 por 100 mil habitantes, crescimento de 470% em relação a 2015, ritmo superior ao do estado, que cresceu 297% no mesmo período.
Todos os municípios da região registraram alta ao longo da série (2015-2025). Volta Redonda concentrou 35% dos registros em 2025, com 2.995 casos e taxa de 1.069,8 por 100 mil habitantes. Resende atingiu taxa de 1.053,9 em 2023, com 1.160 ocorrências, a segunda mais alta já registrada por um município da região neste indicador. Barra Mansa registrou o maior salto de um ano para outro, de 696 casos em 2024, passou a 1.125 em 2025, uma alta de 62%.
O crescimento para esse tipo de ocorrência acompanha a tendência nacional de expansão dos crimes financeiros e digitais. O movimento coincide com a consolidação do Pix e o avanço do comércio eletrônico.
Pelas demais regiões do estado, a Capital, com 73.657 casos, e o Leste Fluminense, com 23.509, foram os locais mais prejudicados em 2025, mas todas as regiões registraram alta no período 2015-2025, com a Centro-Sul (767%), a Centro-Norte (615%) e a região Serrana (497%) com os maiores aumentos.
Extorsão
Com relação à extorsão, o Sul Fluminense registrou em 2025, 184 casos e taxa de 15,1 por 100 mil habitantes. O maior valor histórico da série e crescimento de 60% em relação a 2024, ritmo superior ao do estado, que cresceu 20% no mesmo período.
Volta Redonda registrou 70 casos e taxa de 25,0 por 100 mil, o maior valor histórico do município e o mais alto entre todos os municípios da região em 2025. Resende encerrou o ano com 33 casos e taxa de 23,9. Barra Mansa mantém patamares moderados, com leve recuo de 15 para 14 casos. Entre os municípios menores, o crescimento é generalizado, mas com volumes ainda baixos.
Em todo o estado foram 3.646 casos no ano passado, com a capital e o Leste Fluminense com o maior número de registros, 1.799 e 625 ocorrências, respetivamente. O crescimento no número de ocorrências em relação a 2015 foi de 80% e o avanço também foi registrado em todas as regiões fluminenses, sendo a Centro-Sul (450%), a Norte (247%) e a Noroeste (100%) aquelas que apresentaram os maiores aumentos.
Roubo de rua, roubo e furto de veículos
Já as ocorrências relacionadas a roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga, no geral, tiveram queda no estado do Rio de Janeiro no período 2015/2025, mas ainda são 102.703 – em média, 281 casos por dia. Os municípios do Sul Fluminense registraram taxa 11 por 100 mil habitantes (133 casos) nos casos de roubo de rua, foi o menor patamar histórico da série (2015-2025). O pico regional ocorreu em 2017, com 1.384 casos e taxa de 116,3 por 100 mil habitantes. A partir de 2018, região registrou constantes quedas, tendo 68% de redução em relação a 2015. O estado, no mesmo período, reduziu 33%.
Volta Redonda foi o município com o maior número de registros em 2025, tendo 55 casos e uma taxa de 19,64 por cem mil habitantes. Na sequência estão as cidades de Angra dos Reis, com 24 casos e taxa de 13,4 e Barra Mansa, com 23 casos e taxa de 12,6. Esses municípios, incluindo Resende, respondem juntos por 83% dos registros regionais em 2025.
Em roubo e furto de veículo, o cenário se mantém. O Sul Fluminense registrou 53 roubos e 315 furtos de veículos, encerrando uma década de queda consistente nas duas modalidades. Angra dos Reis concentrou o movimento mais expressivo: saiu do pico de 2018, quando registrou 210 casos de roubos, para apenas 2 em 2025, uma redução de 99%. Volta Redonda foi a cidade com o maior registro, foram 19 casos.
Angra dos Reis chama a atenção com a alta recente de furto. Houve um crescimento de 35% de 2024 para 2025, chegando a 77 casos. Na sequência, aparece Volta Redonda, com 75 ocorrências. Apesar de ser o segundo maior registro da região em 2025, é o menor da série histórica da cidade, que chegou a ter 268 casos de furtos em 2018. Barra Mansa e Resende seguem entre os municípios com o maior número de casos em 2025, tendo 57 e 26 ocorrências respectivamente.
Ações de Segurança Pública
Com base nos indicadores, a Firjan destaca a necessidade de ações de segurança pública regionalizadas. “Uma medida pode ser a criação de um fórum permanente, com a participação do setor produtivo e da sociedade civil. Esse é um caminho para que se possa planejar e monitorar políticas públicas com uma abordagem regional”, diz o gerente geral de Estudos e Estratégias da Firjan, Isaque Ouverney.
Ele também enfatiza a importância de modernização da capacidade de investigação para crimes de fraude por meios digitais, de enfrentamento ao crime organizado e a sua economia, além de ampliação da disponibilidade de dados públicos de segurança.
Carol Berg
Quase 57 mil pessoas morreram de forma violenta no RJ em dez anos




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