Após 16 anos, Viaduto da Barbará será inaugurado em Barra Mansa

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Foto: Vilker Samuel

Barra Mansa – Por quase duas décadas, o Viaduto da Barbará foi o símbolo mais vívido do que pode dar errado numa obra pública brasileira. Começou em 2010, parou em 2014 sem explicação convincente, virou meme nas redes sociais, constrangeu prefeitos, irritou moradores e rendeu piadas em municípios vizinhos. Nesta terça-feira (30), às 17h, a estrutura que “não servia para nada e não ia a lugar algum”, nas palavras do próprio prefeito Luiz Furlani, é finalmente inaugurada, encerrando um capítulo que marcou gerações de barra-mansenses.

A cerimônia conta com a presença do diretor-geral do DNIT, do diretor da ANTT, do deputado federal Lindbergh Farias e do prefeito Furlani. O trânsito no viaduto será aberto na sexta-feira, e ao longo dos próximos dois dias a população será informada sobre as mudanças no tráfego que a nova estrutura vai provocar na região central da cidade.

Uma obra, três fases e 16 anos

O Pátio de Manobras é um dos projetos mais significativos da história de Barra Mansa. Os serviços foram iniciados em 2010 pelo DNIT e paralisados quatro anos depois, em 2014, sendo retomados apenas em 2020, durante o governo do ex-prefeito Rodrigo Drable. Desde então, as obras avançaram em três fases distintas, cada uma com seus próprios prazos, contratos e promessas.

A ideia central do projeto sempre foi resolver um problema histórico da cidade: o conflito entre o tráfego urbano e a linha férrea que corta o centro de Barra Mansa. Com o crescimento da cidade e o aumento do volume de cargas transportadas por trem, Barra Mansa é um nó logístico entre Rio e São Paulo, a convivência entre trens, carros e pedestres se tornava cada vez mais perigosa e ineficiente.

A solução projetada envolvia a construção de viadutos que passassem sobre a linha férrea, a abertura de novas avenidas paralelas aos trilhos e a criação de passarelas para pedestres — uma readequação completa do sistema viário do entorno ferroviário. O Viaduto da Barbará, na altura da fábrica Saint-Gobain, era a peça mais visível e simbólica de todo esse conjunto.

O meme que constrangeu a cidade

Durante os anos de paralização, a estrutura inacabada do viaduto tornou-se motivo de escárnio. Pilares no meio da rua, sem laje, sem conexão com nada, a obra parada era a imagem perfeita do desperdício de dinheiro público. Prefeitos que tentaram retomar as obras encontraram entraves burocráticos, problemas contratuais e a resistência de empresas ferroviárias que precisavam ceder espaço para as intervenções.

“As pessoas dos municípios vizinhos falavam que esse viaduto não servia pra nada e não ia a lugar algum. A cidade ficou refém desse meme por muitos anos”, reconheceu o prefeito Furlani durante visita às obras em janeiro de 2026, ao lado do então ministro dos Transportes, Renan Filho, e do deputado Lindbergh Farias.

O que foi investido e o que foi entregue

O investimento total no Pátio de Manobras supera R$ 100 milhões ao longo dos últimos anos, com recursos do governo federal executados pelo DNIT. Ao longo das três fases, foram concluídas passarelas para pedestres, deslocamento e remoção de interferências da rede ferroviária, implantação de sistema de drenagem, construção de muros de isolamento da chamada “caixa ferroviária” e abertura de novas vias urbanas que somam mais de seis quilômetros de extensão.

A nova Rua Eduardo Junqueira, que integra as ações do Pátio de Manobras, já foi revitalizada com drenagem, pavimentação e paisagismo — e foi percorrida pelo ministro e pelo deputado durante visita em janeiro. A moradora Rosa Maria Santiago de Souza, de 76 anos, que vive na região há décadas, comemorou a transformação da área.

O próximo passo: Pátio Anísio Brás

A inauguração do Viaduto da Barbará não encerra o ciclo de obras em Barra Mansa. Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes assinou a ordem de serviço para as obras de adequação do Pátio Anísio Brás, na Ferrovia EF-105/RJ. Com investimento de R$ 24,9 milhões e prazo de execução de 22 meses, as obras serão conduzidas pelo Consórcio Rio-Vale em um trecho de 6,24 quilômetros, com o objetivo de ampliar a capacidade da ferrovia e reforçar a segurança no transporte de cargas entre Rio de Janeiro e São Paulo.

“O que importa é o impacto na vida das pessoas. Aqui, vamos reduzir riscos nas operações ferroviárias, aumentar a segurança e melhorar a mobilidade”, afirmou o ministro dos Transportes na ocasião. Para o prefeito Furlani, a sequência de obras representa uma transformação histórica. “Essa ordem de início representa um marco histórico. É uma transformação, com urbanização completa que já começa a acontecer, dignidade e investimento para a população.”

O que muda para quem vive em Barra Mansa

Com o viaduto em operação, a cidade ganha uma nova possibilidade de acesso entre o bairro Barbará e o centro, reduzindo a pressão sobre as vias que hoje concentram todo o fluxo na região. A separação definitiva entre o tráfego rodoviário e ferroviário aumenta a segurança e reduz o risco de acidentes — um problema crônico em cidades cortadas por ferrovias ativas com alto volume de cargas.

A partir de sexta-feira (3 de julho), quando o trânsito for liberado, Barra Mansa começa a entender na prática o que o viaduto representa.

 

Mayra Gomes

Após 16 anos, Viaduto da Barbará será inaugurado em Barra Mansa


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