Messi celebra 39 anos concentrado com a seleção argentina
Foto: FIFA.com
Kansas – Lionel Messi completa 39 anos nesta terça-feira (24) da forma que o futebol acostumou o mundo a ver: concentrado com a seleção argentina, cercado por companheiros e com uma competição importante pela frente. Para o craque, aniversários assim deixaram de ser exceção faz tempo. Viraram parte da própria história.
A imagem se repete há mais de duas décadas. Um bolo improvisado no hotel, a camisa da Argentina por perto, o ambiente de concentração e a rotina de quem aprendeu a atravessar a vida em meio a jogos decisivos. Dos últimos 22 aniversários de Messi, 13 foram vividos assim, defendendo a seleção. Não é apenas uma coincidência estatística. É um retrato da ligação profunda que ele construiu com a equipe nacional.
Durante muito tempo, essa relação foi contada mais pelas cobranças do que pelo afeto. Messi precisou conviver com a desconfiança de quem insistia em compará-lo ao jogador do Barcelona e cobrava dele, com a camisa argentina, a mesma facilidade, os mesmos títulos, a mesma imagem de genialidade permanente. Houve frustrações, derrotas dolorosas e silêncios. Houve também momentos em que a conexão entre ídolo e seleção pareceu ser julgada com dureza demais.
Mas Messi ficou. Continuou voltando, continuou jogando, continuou se colocando à disposição da Argentina. E talvez seja justamente aí que esteja uma das marcas mais fortes de sua trajetória: a permanência. A insistência silenciosa de quem suportou o peso da expectativa sem transformar tudo em discurso. Ano após ano, torneio após torneio, ele seguiu presente.
Agora, aos 39, o cenário é outro. Messi chega a mais um aniversário disputando uma Copa do Mundo, mais uma vez como centro das atenções, mas cercado por algo diferente da cobrança que o acompanhou em tantos momentos: admiração. A seleção argentina de hoje é formada, em boa parte, por jogadores que cresceram vendo seus dribles pela televisão, repetindo seus gols em videogames e pendurando sua foto na parede do quarto. Hoje, dividem o campo com ele.
Foto: FIFA.com
Depois da vitória sobre a Áustria, que garantiu a classificação da Argentina à fase seguinte, Lisandro Martínez resumiu o sentimento do elenco ao falar sobre o camisa 10. “Não há palavras. Só nos resta aproveitar. Não faz sentido compará-lo com ninguém, porque ele está sozinho no topo”, disse o zagueiro.
A frase ajuda a explicar o momento, mas não diz tudo. Porque a relação de Messi com a Argentina já não passa apenas pelo que ele joga. Passa pelo tempo. Pela quantidade de Copas, de Copas América, de viagens, de concentrações, de aniversários longe de casa. Passa pela resistência de quem atravessou a cobrança, suportou derrotas, voltou depois de cada frustração e, ainda assim, permaneceu como principal rosto de sua geração.
O primeiro aniversário de Messi em uma Copa do Mundo foi em 2006, na Alemanha, quando completou 19 anos. De lá para cá, vieram outras Copas, finais, decepções e conquistas. Vieram também novos companheiros, novas gerações e um lugar cada vez mais definitivo dentro da história do futebol argentino.
Nesta terça, ao soprar as velas em mais uma concentração, Messi repete um gesto que se tornou quase parte do calendário da seleção. Aos 39 anos, continua sendo o jogador decisivo, o capitão e a referência técnica. Mas talvez seja também algo mais difícil de definir: a presença que atravessou o tempo sem perder o peso, o talento e a capacidade de mobilizar todos ao redor.
luciano junior



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