Golpe da intermediação faz vítimas em série no Sul Fluminense
Foto: Reprodução
Resende – O que parecia um bom negócio terminou em prejuízo. Uma vítima procurou a delegacia após cair no golpe da intermediação ao tentar comprar uma moto Honda Bros anunciada por R$ 4 mil.
A negociação foi feita por telefone, enquanto o encontro presencial ocorreu com o verdadeiro dono do veículo, que também não sabia que estava sendo enganado.
No local, a vítima testou a moto e, orientada pelo suposto vendedor, realizou o pagamento. Após a transferência, o criminoso desapareceu.
O proprietário, por sua vez, esperava receber o valor pelo intermediador. Sem o dinheiro, não entregou o veículo — deixando comprador e vendedor como vítimas do mesmo golpe.
Golpe cresce com uso de plataformas digitais
O caso não é isolado. Dados da 89ª Delegacia de Polícia mostram que, entre 1º de janeiro de 2025 e 15 de abril de 2026, foram registrados 1.532 casos de estelionato em Resende.
Somente em 2026, os registros mensais foram de 90 casos em janeiro, 88 em fevereiro e 111 em março.
Dentro desse cenário, o golpe da intermediação aparece com frequência nos registros, com média de cerca de cinco casos por mês neste ano.
Segundo investigadores, a modalidade tem avançado principalmente em plataformas digitais de compra e venda, como o Facebook Marketplace.
“Os criminosos copiam anúncios reais e colocam vendedor e comprador frente a frente sem que saibam que estão sendo enganados”
A dinâmica do golpe é rápida e funciona como uma fraude dupla, envolvendo ao mesmo tempo quem vende e quem compra — sem que nenhum dos dois perceba.
O criminoso encontra um anúncio real na internet e entra em contato com o verdadeiro dono do produto, fingindo interesse. Em seguida, copia fotos e informações e cria um novo anúncio com preço mais baixo para atrair vítimas.
Quando surge um comprador, o golpista passa a intermediar toda a negociação e pede ao vendedor que retire o anúncio, alegando já haver uma negociação em andamento. Ele marca o encontro entre as partes, mas orienta o vendedor a não revelar que é o proprietário nem o valor real do produto.
Ao mesmo tempo, convence o comprador de que está negociando diretamente com o dono do item.
No momento da negociação, o comprador realiza o pagamento via PIX — mas o valor é enviado ao golpista. O verdadeiro dono do produto acredita que receberá o dinheiro pelo intermediador.
Após a transferência, o criminoso desaparece. O vendedor não recebe o valor e não entrega o produto, enquanto o comprador fica sem o dinheiro e sem o bem.
De acordo com a polícia, os valores envolvidos costumam ser menores — justamente para facilitar a conclusão do golpe. Os itens mais comuns são celulares, bicicletas, motos e carros usados, geralmente abaixo de R$ 20 mil.
Outro ponto que chama a atenção é o perfil das vítimas. Diferente de outros golpes, como o do falso familiar, o de intermediação atinge principalmente pessoas mais jovens, que têm maior familiaridade com plataformas digitais.
Já os golpes com valores mais elevados seguem outro padrão, como os casos de falsos advogados e falsos gerentes de banco, que podem envolver transferências superiores a R$ 80 mil. Entre idosos, o golpe mais comum ainda é o do falso familiar.
A polícia também investiga uma série de casos envolvendo a venda de veículos na região. Um empresário do setor foi preso recentemente, suspeito de aplicar golpes ao receber veículos em consignação e não repassar os valores aos proprietários. Há vítimas em diversas cidades do Sul Fluminense.
Como funciona o golpe da intermediação
* Golpista encontra um anúncio real na internet
* Entra em contato com o vendedor fingindo interesse
* Copia fotos e informações do produto
* Cria novo anúncio com preço mais baixo
* Atrai um comprador interessado
* Intermedia a negociação sem que as partes saibam
* Marca encontro entre comprador e vendedor
* Orienta o vendedor a não revelar que é o dono
* Convence o comprador de que fala com o proprietário
* Recebe o pagamento via PIX
* Não repassa o valor ao vendedor
* Desaparece após a transferência
Além da dificuldade em identificar os criminosos, recuperar o dinheiro também é um desafio. Segundo a polícia, os valores são rapidamente distribuídos entre várias contas.
Existe um mecanismo chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser acionado em casos de fraude via PIX. No entanto, muitas vítimas desconhecem o recurso ou demoram a utilizá-lo, o que reduz as chances de recuperação.
Uma nova versão do sistema, chamada MED 2.0, foi lançada recentemente com o objetivo de tornar o processo mais ágil.
Como evitar cair no golpe
* Desconfie de preços muito abaixo do mercado
* Nunca negocie com intermediários
* Não retire anúncios antes da venda concluída
* Confirme a identidade das pessoas envolvidas
* Evite pagamentos antecipados
* Em caso de golpe, acione imediatamente o banco
“Diante de qualquer suspeita, a orientação é interromper imediatamente a negociação e buscar confirmar diretamente com o verdadeiro proprietário do produto. Se a pessoa perceber que caiu em um golpe, é fundamental acionar o banco o quanto antes, antes mesmo de procurar a delegacia, para aumentar as chances de recuperação do dinheiro”, afirmou o delegado titular da 89ª DP, Michel Floroschk.
Mayra Gomes
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