Morte de Ali Khamenei abre transição no Irã com conselho interino

aiatola alireza arafi

Foto: Wikimedia Commons

Internacional – O Irã entrou em uma fase de transição política e de grande instabilidade regional após a confirmação da morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, aos 86 anos. A morte foi divulgada pelas autoridades iranianas neste domingo (1º de março de 2026) e ocorre em meio a um violento confronto militar que envolveu ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações em Teerã e outras regiões do país, segundo relatos de agências de notícias internacionais e mídia estatal iraniana.

Khamenei, considerado uma das figuras mais influentes do Oriente Médio nas últimas décadas, presidiu um regime marcado por forte hostilidade em relação aos Estados Unidos e Israel, e pelo apoio a grupos aliados na região. A sua liderança foi também palco de repressões internas a movimentos de protesto e crises econômicas aprofundadas por sanções internacionais.

Conselho de Liderança assume as funções do cargo máximo do poder

No domingo, as autoridades iranianas anunciaram a formação de um Conselho de Liderança temporário, responsável por assumir as funções do líder supremo até que a Assembleia dos Peritos, um órgão de clérigos com poderes constitucionais, eleja um novo líder. Entre os integrantes do conselho estão o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o chefe do judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e, como representante clerical, o aiatolá Alireza Arafi, nomeado neste domingo como membro jurista do órgão por meio de indicação da agência de notícias estatal ISNA.

Arafi, um membro do Conselho dos Guardiães e membro do clero xiita, assume um papel chave nesse triunvirato que, segundo o sistema constitucional iraniano, garante a continuidade institucional até a escolha de um novo líder supremo. Fontes oficiais afirmam que o conselho trabalhará para assegurar a estabilidade interna e coordenar a transição com a Assembleia de Peritos.

Repercussões internas e externas

A morte de Khamenei e a formação imediata do conselho ocorrem em um contexto de intensa tensão internacional. Relatos de confrontos e ataques com mísseis ampliados em vários países do Oriente Médio e a ameaça declarada de retaliação pelo novo governo provisório colocam sob forte pressão a região e os mercados globais. Líderes religiosos iranianos chegaram a convocar fiéis para “vingar” a morte do líder supremo, intensificando o clima de confrontação entre Teerã e Washington/Tel Aviv.

A nomeação de Arafi, um clérigo com forte vínculo com as estruturas religiosas e políticas do regime, sinaliza a intenção de manter a linha teocrática dominante no Irã, ainda que o país enfrente significativa incerteza quanto ao futuro sucessório e às pressões externas após décadas de política regional hostil e isolamento diplomático.

Osmar Neves

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