Fim da isenção a carros chineses freia importações e reforça produção automotiva

10 setor automotivo mantém trajetória pág. 3

Sul Fluminense – A decisão do Governo Federal de não renovar a isenção de impostos de importação para peças, equipamentos e kits industriais de veículos chineses representa um ponto de inflexão no mercado automotivo brasileiro. A medida, defendida institucionalmente pela Anfavea, tende a conter o crescimento acelerado das vendas de carros chineses importados, reequilibrar a concorrência e fortalecer a produção nacional, com impacto direto sobre o polo automotivo do Sul Fluminense, um dos mais relevantes do país.

O efeito é duplo: de um lado, reduz a vantagem competitiva dos veículos importados — especialmente os oriundos da China, que hoje respondem por 37,6% das importações de automóveis no Brasil — e, de outro, preserva empregos, investimentos e capacidade produtiva das montadoras instaladas no interior do Rio de Janeiro.

O polo automotivo do Sul Fluminense concentra quatro grandes plantas industriais, responsáveis por dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos e por uma produção anual superior a 500 mil veículos, entre automóveis de passeio, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Nissan (Resende):  produz os modelos Kicks e Versa, com capacidade anual próxima de 200 mil veículos e cerca de 2,5 mil empregos diretos

Volkswagen Caminhões e Ônibus (Resende): referência global do grupo VW em veículos pesados, com produção anual em torno de 100 mil unidades e cerca de 3 mil empregos diretos.

Jaguar Land Rover (Itatiaia): única planta da marca fora do Reino Unido, produz os SUVs Range Rover Evoque e Discovery Sport, com cerca de 1.500 empregos diretos.

Stellantis (Porto Real): fabrica veículos das marcas Peugeot e Citroën, com capacidade próxima de 200 mil unidades por ano e aproximadamente 1,8 mil empregos diretos.

 

Concorrência externa e reação industrial

Em 2025, o Brasil produziu 2,644 milhões de veículos, crescimento de 3,5%, segundo a Anfavea. As exportações avançaram 32,1%, alcançando 528,8 mil unidades, enquanto o mercado interno registrou 2,690 milhões de emplacamentos. Apesar do cenário positivo, a entidade alertou para o avanço das importações, que cresceram 6,6%, impulsionadas principalmente pelos veículos chineses.

A recomposição das alíquotas de importação e a revisão de incentivos aos regimes SKD e CKD são vistas pela Anfavea como fundamentais para evitar a desindustrialização, estimular a nacionalização de componentes e garantir previsibilidade para investimentos de longo prazo — exatamente o perfil do polo sul fluminense.

 

Impacto direto nas vendas de carros chineses

Especialistas do setor avaliam que o fim da isenção reduz a atratividade dos veículos chineses no curto prazo, sobretudo os eletrificados importados, que vinham ganhando mercado com preços artificialmente mais baixos. A medida não impede a presença dessas marcas, mas induz a instalação de fábricas no Brasil, seguindo regras equivalentes às das montadoras já instaladas.

Para o Sul Fluminense, o movimento é estratégico: protege plantas em operação, assegura empregos e sustenta decisões futuras de ampliação de capacidade, além de preservar a arrecadação dos municípios.

 

Projeções mantidas

Mesmo com o ajuste tributário, a Anfavea manteve as projeções para 2026:

Produção nacional: crescimento de 3,7%, com 2,741 milhões de veículos;

Veículos leves: alta de 3,8%;

Caminhões e ônibus: 154 mil unidades, crescimento de 1,4%;

Exportações: estabilidade com leve avanço de 1,3%, totalizando 536 mil unidades.

 

Vivian Costa e Silva

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