Vereador Raone projeta candidatura à Alerj com foco regional
Foto: Divulgação
Volta Redonda – O vereador de Volta Redonda Raone Ferreira confirmou que trabalha sua pré-candidatura a deputado estadual, com o objetivo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de 2026. Atualmente filiado ao PSB, o parlamentar afirma que ainda não há definição sobre a legenda pela qual concorrerá, já que o processo partidário segue em fase de diálogo.
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO VALE, Raone relembrou sua primeira experiência fora do cenário municipal, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, em 2022. Na ocasião, obteve 6.312 votos, sendo cerca de 4 mil em Volta Redonda, mesmo sem ocupar mandato eletivo à época.
“Foi uma campanha simples, sem recursos, mas com muito diálogo. Tivemos o menor custo-voto entre os candidatos do estado. Isso mostrou que existe um potencial de conversa com a população, tanto aqui quanto fora da cidade”, avaliou.
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Segundo o vereador, o resultado expressivo na reeleição para a Câmara Municipal, em 2024, ampliou a responsabilidade política e reforçou a decisão de ampliar o projeto para o plano estadual. Para ele, o mandato de deputado estadual permite maior proximidade com as demandas regionais.
“O deputado federal, muitas vezes, está distante das pautas locais, porque passa a maior parte do tempo em Brasília. O deputado estadual consegue atuar mais próximo do território, das questões municipais e regionais”, afirmou.
Pautas e atuação regional
Raone destacou que sua atuação política tem como base temas como educação, valorização dos profissionais da educação, saúde mental, transporte coletivo e meio ambiente. Ele defende que essas agendas precisam ser tratadas com um olhar regional, especialmente no Sul Fluminense.
“A proposta é construir um projeto coletivo regional, voltado para Volta Redonda e para toda a região”, disse.
O parlamentar também comentou sobre o processo de definição partidária. Embora atualmente esteja no PSB, Raone confirmou que mantém diálogo com o PT, especialmente por meio da parceria política com o deputado federal Lindbergh Farias.
“Existe convite para o PT e também para a permanência no PSB. Essa decisão ainda está sendo construída. Não é apenas uma questão de espaço, mas de projeto, de pauta e de construção coletiva”, explicou.
Campanhas de baixo custo e articulação política
Conhecido por campanhas eleitorais de baixo custo, Raone afirmou que pretende manter o mesmo modelo na disputa estadual, apostando na mobilização de base e no engajamento popular.
“Sempre fiz campanhas sem recursos, explorando mais a qualidade do que a quantidade. Nunca fiz boca de urna, nem campanha de papel no chão. Isso sempre deu resultado”, disse.
Ele avalia, no entanto, que a eventual candidatura ao Legislativo estadual exigirá maior estrutura, com apoio partidário, para ampliar o alcance regional. Raone também confirmou que pretende manter uma dobradinha com Lindbergh Farias, independentemente da legenda escolhida.
“A ideia é expandir a atuação para todo o Sul Fluminense, alcançando cerca de 12 municípios, além de outras regiões do estado”, afirmou.
Articulação em Brasília e investimentos
O vereador destacou sua atuação junto ao governo federal, por meio de articulações com o deputado Lindbergh Farias e ministérios. Segundo ele, essas ações já resultaram em recursos para Volta Redonda, como a construção de duas creches em tempo integral, investimentos em regularização fundiária e ações na área da saúde.
Raone também citou a atuação junto ao Ministério dos Transportes e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para cobrar melhorias na BR-393, após o fim da concessão da rodovia.
“Houve muitos acidentes, inclusive com mortes. Documentamos tudo, encaminhamos ofícios e cobramos providências. Os investimentos já começaram e o objetivo é devolver à rodovia um patamar maior de segurança”, afirmou.
Postura política e posicionamento
Ao falar sobre o cenário político estadual, Raone defendeu que parlamentares não podem se omitir diante de temas sensíveis. Segundo ele, a atuação política exige posicionamento claro.
“Os problemas têm nome, CPF e, em alguns casos, CNPJ. Não dá para ficar em cima do muro. Eu nunca fui um político morno”, declarou.
O vereador também comentou sobre a polarização política e afirmou assumir publicamente seu posicionamento no campo progressista, sem abrir mão do diálogo institucional.
“Tenho lado, sou de esquerda, mas isso não impede o diálogo. No cargo público, eu atendo qualquer pessoa, independente de posição política. O foco tem que ser a população”, afirmou.
Gestão técnica e equipe por processo seletivo
Raone destacou como inovação em seu mandato a adoção de processo seletivo para parte da equipe de gabinete, priorizando critérios técnicos. Segundo ele, esse modelo deve ser mantido caso seja eleito deputado estadual.
“A política precisa da técnica para dar resultado. Metade da minha equipe foi escolhida por processo seletivo, e isso faz diferença na qualidade do trabalho”, disse.
Alerj e prioridades
Caso eleito, Raone afirmou que pretende atuar de forma firme na Alerj, com prioridade para a Comissão de Educação, além de acompanhar pautas ligadas à saúde mental, transporte e meio ambiente. “A Alerj pode ser um instrumento de mudança, desde que tenha pessoas comprometidas com a vida das pessoas”, avaliou.
Volta Redonda e desenvolvimento
Morador de Volta Redonda desde o nascimento, casado com Vanisse Ferreira e pai de um menino, Raone Cassim Maia Ferreira, tem 35 anos, é historiador e doutor em Educação, atuando principalmente nas áreas de juventude e educação, defendeu que a cidade precisa avançar em um modelo de desenvolvimento mais sustentável, com investimentos em educação, meio ambiente, inovação e diversificação econômica.
“Volta Redonda não pode ficar presa a uma mentalidade interiorana. É uma cidade com potencial para ser polo tecnológico, turístico e logístico”, afirmou.
CSN e o futuro da siderurgia
Sobre as informações de que a CSN estuda vender parte ou a totalidade da Usina Presidente Vargas, Raone afirmou que vê o movimento como uma estratégia financeira da empresa, mas defendeu maior responsabilidade social e ambiental.
“Qualquer grupo que tenha mais compromisso ambiental e com os trabalhadores já será melhor do que o cenário atual. A CSN precisa deixar riqueza na cidade, não apenas retirar”, concluiu.
adrielly ribeiro
Vereador Raone projeta candidatura à Alerj com foco regional



