Veja uma nova explodir em alta resolução
Outro dia, mais uma anã branca chamando a atenção da comunidade astronômica. Pesquisadores do interferômetro CHARA Array (Centro de Astronomia de Alta Resolução Angular) da Universidade do Estado de Geórgia, nos Estados Unidos, fizeram registros em alta resolução de uma nova, uma explosão estelar que ocorre na superfície desses astros, eles próprios “sobras” de estrelas antigas.
Anã branca desafia lógica ao lançar ondas de choque
Micronova: cientistas identificam nova categoria de explosão estelar
As imagens capturadas mostram que essas explosões podem ser bem mais complexas do que se imaginava, pois não seguem um padrão bem definido de formato e/ou prazos de ejeção de material.
Representação artística da nova observada em V1674 Herculis; explosão é diferente do que cientistas esperavam (Crédito: Nature Astronomy)
Nova não segue padrões
Como já explicamos algumas vezes, uma anã branca é um subproduto de uma estrela maior que não tinha massa para se converter em uma supernova, e ao invés disso se tornou uma gigante vermelha; após um processo de alguns milhões de anos, suas camadas externas se expandem e dissipam, formando uma nebulosa planetária, uma espécie de “berçário” para futuros planetas.
O que sobra da estrela é uma anã branca, o núcleo da antiga estrela que não possui mais nenhuma atividade de fusão ou queima de hidrogênio, um corpo celeste de tamanho próximo da Terra, mas tão denso quanto o Sol. Seu destino é gastar toda sua energia restante, algo que levará mais tempo do que a idade do Universo, algumas dezenas de bilhões de anos.
Isso não significa que o longo resto da vida de uma anã branca é entediante. As que compõem sistemas binários absorvem material de suas estrelas vizinhas, e formam discos de acreção ao seu redor; essa reentrada de material reinicia o processo de queima de hidrogênio, o que pode desencadear uma nova, uma forte explosão sobre sua superfície.
Há casos em que a queima pode sair de controle, e a anã branca absorve tanta matéria que pode alcançar finalmente o estado de supernova, uma explosão que por um momento é mais brilhante que toda uma galáxia, e deixando para trás um buraco negro, ou pode até mesmo pular etapas; há registros mais recentes de explosões minúsculas localizadas, chamadas micronovas, mas vamos nos focar nas novas por enquanto.
Os pesquisadores analisaram imagens capturadas em 2021 de duas novas, V1674 Herculis e V1405 Cassiopeiae, respectivamente nas constelações de Hércules e Cassiopeia. Enquanto V1405 levou 53 dias para alcançar seu brilho máximo, que perdurou por mais 200 dias, V1674 ‘euma das novas mais rápidas já documentadas: ela levou apenas 16 horas para atingir o pico, e apagou após apenas alguns dias.
À esquerda e ao centro, imagens capturadas pelo CHARA 2,2 dias e 3,2 dias após V1674 Herculis explodir, respectivamente (Crédito: Nature Astronomy)
A explosão de V1674 Herculis, capturada pelo interferômetro do CHARA, composto de seis telescópios, revelou outro detalhe curioso: até então, pensava-se que uma nova fosse uma explosão uniforme, que ocorre de uma vez sobre toda a superfície de uma anã branca, e o material capturado pela estrela vizinha é ejetado simultaneamente em todas as direções, ou seja, assumiria o formato de uma esfera em expansão.
Isso era apenas especulado, porque as explosões eram vistas até então como um ponto de luz sem mais detalhes, dos estágios iniciais do processo. O conjunto do CHARA, por sua vez, permite captar a luz de várias fontes, o que resulta em imagens combinadas de alta resolução, e agora, sim, os cientistas puderam ver o BOOM mais de perto.
As imagens de V1674, por exemplo, mostram duas ejeções, uma ao noroeste e outras ao sudoeste, que criam duas formações elípticas quase perpendiculares, deixando toda a estrutura com a aparência de uma ampulheta; as explosões também não são simultâneas, e a expulsão de detritos em diversos pontos podem causar reações posteriores, com uma interagindo com outra.
As observações de V1405 Cassiopeia também forneceram dados interessantes, o diâmetro da explosão e ejeção era de apenas 0,85 UA (sendo 1 UA, ou Unidade Astronômica, a distância entre o Sol e a Terra) nas duas primeiras observações, durante o período de pico (T +53 dias), quando o normal seria uma ejeção que deveria se estender em um raio de 23 a 46 UAs, sugerindo que a camada externa dessa anã branca está cobrindo todo o sistema binário, e que as forças gravitacionais envolvidas são tão insanas, que estão mantendo o material no lugar.
Hoje, novas são consideradas “laboratórios de Física extrema”, como dito pela Dra. Laura Chomiuk, professora do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Michigan, e uma das co-autoras do estudo; observações do Telescópio Espacial Fermi, da NASA, também captaram uma forte emanação de raios gama vindo de V1405, assim como ele já detectou em mais de 20 outras novas no passado, o que as tornam excelentes para o estudo de aceleração de partículas e ondas de choque.
Ou seja, mais um lembrete de que sempre há coisas interessantes acontecendo no Universo, nas quais temos a sorte de tropeçarmos de vez em quando, o que nos permite fazer novas descobertas.
Referências bibliográficas
AYDI, E., MONNIER, J. D., MÉRAND, A. et al. Multiple outflows and delayed ejections revealed by early imaging of novae. Nature Astronomy (2025), 10 páginas, 5 de dezembro de 2025.
DOI: 10.1038/s41550-025-02725-1
Fonte: WIRED
Veja uma nova explodir em alta resolução
Redação
https://www.resende.com.br/2026/03/20/veja-uma-nova-explodir-em-alta-resolucao/
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