Sul Fluminense é destaque em Copa Estadual e traz cinco medalhas para a região
Cervejaria Elbers, da Serrinha do Alambari, trouxe três das cinco medalhas conquistadas pelo Sul Fluminense – Foto: Divulgação
Sul Fluminense – A 1ª Copa Rio de Cerveja Artesanal movimentou o mercado cervejeiro fluminense e evidenciou o crescimento econômico do setor no interior do estado. Com 37 cervejarias participantes e mais de 150 rótulos inscritos, o evento, realizado entre os dias 20 e 21 de novembro, se consolidou como uma vitrine estratégica para produtores que buscam ampliar distribuição, alcançar novos nichos e fortalecer a competitividade regional. O Sul Fluminense registrou um dos melhores desempenhos da competição, trazendo cinco medalhas e reforçando seu papel como polo emergente na produção de cervejas artesanais.
A Cervejaria Elbers, da Serrinha do Alambari, em Resende, liderou o quadro regional de conquistas. Sua Elbers Tripel garantiu o ouro no estilo Belgian Style Tripel; a Porcini Premiun levou a prata na categoria Herb and Spice Style; e a Elbers AlambarIPA conquistou bronze entre as Session IPA. O bom resultado demonstra a evolução técnica e a capacidade de inovação das microcervejarias locais, que vêm atraindo consumidores e ampliando seu impacto econômico dentro e fora da região.
Em Volta Redonda, a Hays Cervejaria conquistou o ouro no concorrido estilo American-Style India Pale Ale, com a IPA Mestre Severo. Já a Cervejaria Penélope, de Penedo, em Itatiaia, levou o bronze com sua Vienna Lager, reforçando a diversidade produtiva do Sul Fluminense. Para além da competição em si, o resultado fortalece a visibilidade das marcas e estimula o turismo, uma das principais engrenagens econômicas associadas ao mercado cervejeiro — especialmente em regiões de vocação natural para receber visitantes, como Penedo, Serrinha do Alambari e Visconde de Mauá.
A Copa, que contou com 21 jurados especializados, busca estimular a profissionalização do setor e ampliar a competitividade das cervejarias fluminenses. Para as marcas do interior, o reconhecimento técnico abre portas para novos pontos de venda, parcerias estratégicas e ampliação de rotas de turismo gastronômico, impulsionando toda a cadeia envolvida — da produção ao setor de serviços.
Para Fernando Freitas Gonçalves, sócio da Cervejaria Elbers, a participação das cervejarias do Sul Fluminense no evento surpreendeu bastante a equipe de jurados pela qualidade das cervejas produzidos por cervejarias que até, então, eles não conheciam.
“Os jurados que trabalharam no concurso, são profissionais, treinados na degustação e julgamento pelo BJCP – que é uma “bíblia” dos estilos de cervejas ao redor do mundo –, e participam de concursos no Brasil e internacionais. Esse olhar para nossa região, quase com lupa, fez com que eles descobrissem um grupo que está produzindo ótimas cervejas, mas ainda com pouca visibilidade. Com isso, acredito que nossa região poderá aparecer mais para o meio cervejeiro”, comenta Fernando, reforçando que o desempenho no concurso evidencia a capacidade técnica das marcas locais.
“Neste concurso tinham 36 cervejarias do estado, representadas por 150 amostras dos diversos estilos avaliados. Estar entre as três melhores em cinco destes 36 estilos é a demonstração da capacidade de produção de boas cervejas na região. E havia diversas cervejarias bem maiores, mais famosas e já premiadas em outros concursos”, pontuou.
O avanço desta produção, porém, depende de estratégias de consolidação e expansão. Para ampliar mercado, ganhar visibilidade e competir com polos tradicionais da capital, Fernando aponta caminhos que passam pela organização coletiva e pela estruturação do turismo cervejeiro.
“Acho que algumas ações seriam fundamentais para a ampliação: uma organização onde as cervejarias consigam se unir nos pontos comuns para dar mais força nas ações implementada; termos mais alguns eventos, dentro de um calendário programado anual, onde possamos fazer a divulgação e acolher o público consumidor de cerveja artesanal, nos valendo do apego turístico da nossa região”, disse, citando o já tradicional Mauá Beer, que já acontece há 10 anos e é uma referência para os cervejeiros do Sul Fluminense.
“Tem gente que em um ano já reserva hospedagem para o ano seguinte. O Mauá Beer é uma referência que podemos seguir para outros eventos na nossa região”, afirmou, acrescentando também a necessidade de uma rota cervejeira organizada, divulgada e bem operada para acolher os turistas que vêm para a região degustar uma boa – e premiada, por que não? – cerveja.
Lívia Nascimento
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