Solidão é problema de saúde global, afirma OMS

Foto: Agência Brasil

País – Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que uma em cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão, o que pode ter efeitos graves na saúde. A pesquisa mostra que esse problema está ligado a mais de 871 mil mortes por ano — cerca de 100 por hora. A OMS chama de conexão social as formas como as pessoas se relacionam e interagem, enquanto define a solidão como um sentimento doloroso causado pela diferença entre as relações que a pessoa gostaria de ter e as que realmente tem. Já o isolamento social é a falta real de contato com outras pessoas — e não deve ser confundido com o isolamento recomendado na pandemia de covid-19.

“Nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Além do impacto que causam em indivíduos, famílias e comunidades, se não forem enfrentados, a solidão e o isolamento social continuarão a custar bilhões à sociedade em termos de saúde, educação e emprego”, completou.

O relatório mostra que jovens e pessoas de países mais pobres são os mais afetados. Cerca de 24% das pessoas que vivem em países de baixa renda relataram sentir-se sozinhas — mais que o dobro do índice observado em países ricos. Entre os adolescentes, o índice chega a 21%. Idosos, pessoas com deficiência, refugiados, LGBTQIA+, indígenas e minorias étnicas também estão entre os grupos mais vulneráveis.

A OMS explica que as causas são diversas: saúde precária, baixa renda, pouca escolaridade, morar sozinho, falta de políticas públicas ou de espaços de convivência adequados, além do uso excessivo da tecnologia. A organização destaca a importância de observar os efeitos negativos que o uso prolongado de telas e as interações digitais podem ter sobre os jovens.

Segundo a OMS, manter boas relações sociais protege a saúde, ajudando a prevenir doenças graves e a morte precoce. Já a solidão e o isolamento aumentam os riscos de problemas como derrame, doenças cardíacas, diabetes, depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas. O impacto também aparece no desempenho escolar e no trabalho: adolescentes solitários têm mais chances de tirar notas baixas, e adultos nessa situação tendem a ganhar menos e a ter mais dificuldade de se manter empregados.

Para enfrentar o problema, a OMS propõe um plano global com ações em cinco frentes: políticas públicas, pesquisas, intervenções práticas, formas de medir o problema com mais precisão (inclusive com um índice global de conexão social) e campanhas para mudar a forma como a sociedade vê a solidão.

“Soluções para reduzir a solidão e o isolamento social existem em vários níveis – nacional, comunitário e individual – e variam desde a conscientização e a mudança de políticas nacionais até o fortalecimento da infraestrutura social (por exemplo, parques, bibliotecas, cafés) e o fornecimento de intervenções psicológicas”, destacou a OMS.

“A maioria das pessoas sabe como é se sentir sozinha. E cada pessoa pode fazer a diferença com ações simples e cotidianas — como entrar em contato com um amigo necessitado, deixar o celular de lado para estar totalmente presente na conversa, cumprimentar um vizinho, participar de um grupo local ou se voluntariar. Se o problema for mais sério, é importante descobrir apoio e serviços disponíveis para pessoas que se sentem sozinhas”, concluiu.Com informações da Agência Brasil.

 

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Lívia Nascimento

Solidão é problema de saúde global, afirma OMS


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