Prática de Judô amplia inclusão de crianças autistas em Barra do Piraí
Barra do Piraí – Em meio às ações do Abril Azul, mês voltado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o judô passou a integrar a rotina de crianças atendidas pelo Centro TEA, em Barra do Piraí, e vem sendo apontado como um reforço importante no processo de desenvolvimento e inclusão. A atividade começou a ser oferecida neste ano e atualmente atende cerca de 20 crianças.
Mais do que uma prática esportiva, as aulas passaram a funcionar como ferramenta de estímulo à socialização, coordenação motora, concentração e autonomia. Em um ambiente adaptado e acompanhado por profissionais, o tatame tem se transformado em espaço de aprendizado e conquista para os alunos.
A proposta tem impacto direto também na rotina das famílias. Mãe de Leonardo, Marcenir Pereira da Silva conta que percebeu mudanças no comportamento do filho desde o início da participação nas aulas.
“Quando soube da oportunidade, fui logo me informar. Foi tudo muito rápido e ele adora. Ajudou muito na concentração, ele gosta de participar, de estar ali”, relatou.
Segundo ela, atividades desse tipo representam mais uma possibilidade concreta de avanço no cotidiano das crianças atendidas.
“Quanto mais estímulo, melhor. Atividade e profissionais, tudo isso é avanço para eles. A gente, como mãe, precisa correr atrás, buscar informação”, afirmou.
Foto: Paulo César Junior/Secom
No Centro TEA, o judô faz parte de uma rede mais ampla de acompanhamento, que inclui profissionais de diferentes áreas voltadas ao desenvolvimento infantil. A proposta, segundo os especialistas envolvidos, é trabalhar não apenas aspectos motores, mas também habilidades ligadas à convivência e à autonomia.
A neuropsicopedagoga Jaqueline Vianna Souza explica que o processo terapêutico precisa dialogar com a vida em sociedade.
“O nosso trabalho é preparar essas crianças para viverem em sociedade. É fundamental que elas estejam incluídas, convivendo, sendo estimuladas, para que também a sociedade aprenda a entender o autismo”, disse.
Na mesma linha, a fonoaudióloga Shirley Ferreira Guedes destaca que os resultados aparecem de forma mais consistente quando há integração entre profissionais, escola e família.
“A evolução vem com acompanhamento contínuo, com a participação da família, da escola e dos terapeutas. Essa integração é essencial para que a criança desenvolva comunicação e autonomia”, afirmou.
Responsável pelas atividades físicas, o professor Diogo Lopes observa que o judô ajuda a desenvolver habilidades que vão além da prática esportiva.
“A gente trabalha coordenação, interação, noção de espera, coisas do dia a dia. Tudo isso ajuda a criança não só na terapia, mas na vida fora daqui, com a família e na sociedade”, explicou.
O relato das famílias reforça a percepção de que a estimulação precoce pode fazer diferença no desenvolvimento. Mãe da pequena Liz, Laísa Ramos contou que passou a notar avanços importantes na filha após o início do acompanhamento terapêutico.
“Depois das terapias, vi uma evolução enorme. Melhorou o olho no olho, a comunicação, o entendimento. A gente não pode desistir. Tem que buscar ajuda e estimular sempre”, disse.
Ela também chamou atenção para a necessidade de mais empatia e compreensão no convívio social com pessoas autistas.
“O autismo não tem uma ‘cara’. As pessoas precisam respeitar mais, ser mais gentis. Nossos filhos estão observando tudo”, completou.
Ao incorporar o judô à rotina de atendimento, o Centro TEA amplia o uso do esporte como instrumento de desenvolvimento e reforça a importância de estratégias que dialoguem com inclusão, autonomia e qualidade de vida.
luciano junior
Prática de Judô amplia inclusão de crianças autistas em Barra do Piraí

