PF prende delegado e policiais acusados de extorquir traficantes no Rio

Rio de Janeiro — A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a segunda fase da Operação Anomalia, que resultou na prisão de um delegado da Polícia Civil e de outros policiais investigados por integrar um esquema de extorsão contra traficantes no Rio de Janeiro. A ação também incluiu buscas, bloqueio de contas bancárias e de criptoativos, além do afastamento imediato dos investigados de suas funções públicas.

A operação mobilizou cerca de 40 policiais federais, que cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na capital fluminense. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo as investigações, o esquema era liderado por um delegado titular de uma delegacia da capital e por outro policial civil, que utilizavam a própria estrutura da unidade policial para coagir integrantes do tráfico e exigir pagamento de propina em troca de proteção e omissão em investigações.

Delegacia usada para pressionar traficantes

De acordo com a Polícia Federal, os policiais investigados expediam intimações oficiais apenas para pressionar lideranças criminosas, exigindo o pagamento de valores elevados para evitar ações policiais contra os traficantes.

As cobranças eram feitas com ameaças e imposição de prazos, e o grupo utilizava intermediários para receber o dinheiro, evitando contato direto com os criminosos.

Patrimônio milionário e empresas de fachada

A investigação também apontou que os policiais investigados possuem movimentações financeiras milionárias incompatíveis com os salários do serviço público.

Segundo a PF, o grupo utilizava empresas registradas em nome de familiares para ocultar a origem do dinheiro, numa estrutura montada para lavagem de capitais.

A ação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para intensificar o combate a organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, com foco principalmente no enfraquecimento financeiro dessas redes e na investigação de possíveis vínculos com agentes públicos.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.

Por determinação judicial, além das prisões, foram adotadas medidas para descapitalizar o grupo, incluindo:

bloqueio de contas bancárias e criptoativos

suspensão das atividades das empresas ligadas ao esquema

afastamento dos policiais das funções públicas

Crimes investigados

Os investigados poderão responder pelos crimes de:

organização criminosa

extorsão

corrupção passiva e ativa

lavagem de dinheiro

 

 

Vinicius

PF prende delegado e policiais acusados de extorquir traficantes no Rio


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