“O feminicídio não é número. É ausência. É uma vida que não volta”, diz Furtado
Piraí – Cerca de 60 pessoas participaram, na manhã de sábado (21), da 1ª Caminhada “Feminicídio Zero – Nenhuma Mulher a Menos”, realizada em Piraí. O evento, promovido pelo grupo Mulherando, com apoio de lideranças locais, reuniu representantes do poder público, entre eles a Secretaria da Mulher, Secretaria de Esporte, Secretaria de Ordem Pública e Mobilidade Urbana, além da rede municipal de educação.
A mobilização teve início na Praça da Preguiça, no Centro, onde foi realizado um ato de conscientização, seguido por caminhada pelas ruas da cidade, passando pela região da Santana e encerrando na escadaria da igreja Matriz.
— Hoje não estamos aqui apenas para caminhar. Estamos aqui para lembrar. Lembrar de mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência. Mulheres com histórias, sonhos e famílias, que deixam saudade e dor. O feminicídio não é número. É ausência. É uma vida que não volta — afirmou o delegado Antonio Furtado, durante o discurso de mobilização.
O evento teve como principal objetivo sensibilizar a população sobre a gravidade da violência contra a mulher e reforçar a importância da denúncia e da atuação conjunta da sociedade.
— Como delegado de Polícia, não posso tratar a violência contra a mulher com indiferença. Assumo aqui um compromisso firme: cada denúncia será levada a sério, cada vítima será respeitada e cada agressor será responsabilizado. Não haverá tolerância. A lei vai agir. A Justiça vai chegar — destacou o delegado Antonio Furtado.
Ao longo do percurso, participantes vestiram preto em sinal de luto e respeito às vítimas, transformando o ato em um momento de reflexão coletiva e engajamento social.
— Essa luta não é só da polícia. É de todos nós. Precisamos romper o silêncio, denunciar e proteger. Que o nosso luto hoje se transforme em ação. Que a nossa voz ecoe por quem não pode mais falar. Seguiremos no trabalho pela proteção das mulheres e pelo fim da impunidade — reforçou o delegado Antonio Furtado.
Quatro mulheres assassinadas por dia
O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com dados indicando que quatro mulheres foram assassinadas por dia, totalizando o maior número de casos na série histórica. Houve um aumento contínuo de casos, com o ano de 2025 batendo recordes anteriores, com registros superiores a mil casos (1.459 casos em 2024 e tendência de alta em 2025). 85% dos casos de feminicídio no Brasil são decorrentes de violência doméstica e familiar. Quase 65% dos feminicídios ocorrem dentro da casa da vítima.
O estado do Rio de Janeiro registrou mais de 100 casos de feminicídio, figurando entre os estados com números mais elevados, embora São Paulo e Minas Gerais liderem o ranking nacional.
Vinicius
“O feminicídio não é número. É ausência. É uma vida que não volta”, diz Furtado
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