Moradores criam associação para cobrar melhorias na região de Resende

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Estradas em condições precárias causam dificuldades para a comunidade  /  Foto: Reprodução/Rede Social Amorpes

Resende – A professora universitária e cientista social Marta Corrêa Gomes Chaves, de 57 anos, está entre os moradores que lideram a mobilização pela criação da Associação de Moradores do Rio Preto e Entorno da Pedra Selada (Amorpes), na zona rural de Resende. A iniciativa surgiu diante de problemas históricos de infraestrutura, especialmente nas rodovias RJ-151 e RJ-161.

Segundo Marta, o debate sobre a criação da entidade ganhou força ao longo de 2025, após sucessivas reclamações sobre a falta de manutenção da RJ-151, principal via de acesso às comunidades de Rio Preto, Campo Alegre e Bagagem. Ela relatou que nos últimos dias, a situação de constantes enchentes no córrego da Bagagem tem agravado a cada estação das chuvas. “A Vila está recebendo pavimentação de concreto, mas é preciso uma atenção redobrada na intervenção desse trecho para o escoamento devido da água. A RJ-161 está se tornando o fluxo do rio”.

Moradora da região há seis anos — embora sua família esteja no local há quase três décadas — ela relata que a estrada, utilizada por moradores, caminhões de transporte de leite e turistas que visitam o Parque Estadual da Pedra Selada, não recebe manutenção periódica adequada. O trecho de terra entre Campo Alegre e Bagagem, segundo ela, costuma ser atendido apenas uma vez por ano, deixando comunidades como Rio Preto e Campo Alegre sem cobertura regular.

“A mobilização foi gradual. Fizemos uma primeira reunião para tratar das constantes quedas de energia, mas ficou claro que a principal demanda era a pavimentação e a manutenção da RJ-151”, explica. Posteriormente, moradores buscaram diálogo com vereadores para discutir alternativas e receberam orientação sobre a importância de formalizar a associação.

Estrutura e funcionamento

A Amorpes terá como atribuições representar as comunidades junto ao poder público e intermediar demandas coletivas. A diretoria será composta por presidente, secretário e tesoureiro, além de três conselheiros consultivos e fiscais.

O presidente será responsável por representar oficialmente a entidade e acompanhar as ações dos órgãos públicos. O secretário auxiliará na organização das atividades e registro das decisões, enquanto o tesoureiro ficará encarregado da gestão financeira e prestação de contas. Os conselheiros participarão das discussões estratégicas e da fiscalização das contas.

As reuniões da diretoria e do conselho ocorrerão bimestralmente, conforme o estatuto, mas assembleias com moradores poderão ser convocadas sempre que houver necessidade de deliberação.

Infraestrutura e preservação ambiental

Entre os principais problemas apontados estão a precariedade das rodovias, a falta de obras de drenagem e canalização — especialmente no córrego da Bagagem — e o impacto ambiental causado pela ausência de infraestrutura adequada.

Marta destaca que a pavimentação da RJ-151 é considerada prioridade não apenas pela mobilidade, mas também pela preservação do Rio Preto. “Com as chuvas, o material solto na estrada é arrastado para o rio. Além disso, há deslizamentos porque os fluxos de água das montanhas não recebem estudos adequados para escoamento”, afirma.

A associação também defende um plano estruturado de desenvolvimento do ecoturismo na região, inserida no macrozoneamento municipal como área de interesse turístico. Apesar de abrigar o acesso à trilha da Pedra Selada, considerada um dos principais atrativos naturais do município, os moradores alegam falta de investimentos e planejamento.

Outro ponto destacado é a necessidade de políticas de desenvolvimento local para evitar a migração de jovens para outras cidades em busca de emprego formal.

Relação com o poder público

De acordo com Marta, o prefeito Tande Vieira já foi informado sobre a criação da entidade e sinalizou disposição para receber as demandas após a formalização da associação. A fundação oficial está prevista para ocorrer em reunião no salão comunitário da Bagagem.

A Amorpes também pretende participar de sessão na Câmara Municipal para apresentar as reivindicações. “Precisamos de ações coletivas e da união dos vereadores em relação à nossa região”, pontua.

Atuação apartidária

Marta ressalta que a associação não está vinculada a partidos políticos. “Toda associação é um movimento político no sentido de buscar direitos e qualidade de vida, mas não partidário. Nosso projeto é tirar a região da invisibilidade”, afirma.

O objetivo central, segundo ela, é garantir que a zona rural do entorno da Pedra Selada receba investimentos compatíveis com seu potencial turístico e produtivo, beneficiando moradores, produtores rurais, indústrias de laticínios e visitantes.

“A região está crescendo, mas falta investimento público. Queremos ser vistos e atendidos”, conclui.

Osmar Neves

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