Monitoramento aponta calor mais intenso em favelas do Rio

Rio de Janeiro – O monitoramento das temperaturas em favelas do Rio de Janeiro tem apontado diferenças significativas em relação aos índices oficiais da cidade, o que levou à decisão de ampliar o Observatório do Calor para novas regiões.

Instalado de forma pioneira no Complexo do Alemão, na Zona Norte, o projeto realizou 710 medições entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. No período, o pico registrado foi de 43,9°C no Morro do Adeus, enquanto, no mesmo dia, a temperatura máxima oficial da cidade foi de 34°C.

Diante dessa diferença, a prefeitura anunciou a expansão do observatório para as comunidades de Manguinhos e do Morro do Salgueiro.

O projeto tem como objetivo medir as chamadas ilhas de calor e a qualidade do ar nessas regiões, onde fatores como alta densidade de moradias, pouca arborização e baixa circulação de ar contribuem para temperaturas mais elevadas.

Segundo a Secretaria Municipal de Ambiente e Clima, os dados coletados devem orientar ações urbanísticas e ambientais, como plantio de árvores, criação de áreas de sombra e melhoria na circulação de ar.

As medições serão feitas três vezes ao dia, em diferentes pontos das comunidades, com participação de moradores contratados para atuar no projeto.

A iniciativa conta com apoio de instituições de ensino como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que também vão contribuir com estudos sobre os impactos do calor no cotidiano da população.

Além da análise técnica, o projeto prevê ouvir moradores sobre os efeitos das altas temperaturas no dia a dia, como dificuldade de acesso a sistemas de refrigeração e impactos na saúde.

A proposta é utilizar os dados para orientar políticas públicas voltadas à redução dos efeitos do calor nas áreas mais vulneráveis da cidade.

luciano junior

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