Infraestrutura urbana agrava efeitos das chuvas intensas nas cidades
Foto: Divulgação
Volta Redonda – As fortes chuvas registradas em diversas regiões do país desde o fim de fevereiro têm provocado transtornos e colocado em evidência a vulnerabilidade das cidades diante de eventos climáticos extremos. Especialistas apontam que, além das condições meteorológicas típicas do período, fatores como saturação do solo e infraestrutura urbana insuficiente contribuem para ampliar os impactos das tempestades.
Sobre as previsões para março, o engenheiro ambiental Róbson Costa explica que o país passa por uma transição climática marcada pelo enfraquecimento do La Niña e o aquecimento do Oceano Pacífico, sinalizando o início de um novo El Niño.
— A valorização dos professores é fundamental para garantirmos uma educação pública cada vez melhor. Com a ampliação da carga horária, o docente passa a ter mais tempo de dedicação à escola, com a devida remuneração e melhores condições para desenvolver o seu trabalho. Seguiremos investindo na carreira do magistério e no fortalecimento da nossa rede estadual de ensino — afirmou Róbson.
— As fortes chuvas de março, popularmente conhecidas como ‘águas de março’, são um fenômeno meteorológico típico no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A explicação principal está na atuação de um sistema climático específico, a Zona de Convergência Intertropical. Esse fenômeno ocorre devido aos ventos alísios que sopram em direção ao Equador, criando instabilidades pelo encontro de massas de ar com diferentes características e carregadas de umidade, se deslocando ao continente e precipitando grandes volumes de chuva. Esse grande volume em março é um fato, mas a infraestrutura urbana e a saturação do solo, após um verão chuvoso, podem potencializar os transtornos quando as precipitações são intensas, exigindo atenção redobrada de Defesas Civis e da população — salienta.
Engenheiro Róbson Costa / Foto: Divulgação
De acordo com o especialista, o comportamento das chuvas varia entre as regiões. Norte e Nordeste devem registrar precipitações acima da média, o que contribui para o armazenamento hídrico. Já no interior da Região Sul, a tendência é de redução das chuvas, o que pode afetar a agricultura, enquanto o litoral sul permanece em alerta para a formação de ciclones extratropicais. No Sudeste e no Centro-Oeste, a expectativa é de irregularidade, com temporais isolados e intensos, principalmente no fim da tarde.
Os efeitos recentes das tempestades foram sentidos em várias cidades brasileiras, entre elas Juiz de Fora, que ainda enfrenta consequências de uma tragédia climática registrada no final de fevereiro.
A engenheira civil Sâmya Gomes Veloso explica que a impermeabilização do solo urbano é um dos fatores que agravam os impactos das chuvas nas áreas urbanas.
— Quando o solo urbano torna-se amplamente impermeável – pela construção ruas pavimentadas, calçadas, estacionamentos e edificações -, a chuva que antes se infiltrava no solo passa a escoar na superfície. Esse efeito é agravado quando margens de rios, várzeas e áreas naturais de retenção são ocupadas, pois o espaço que antes armazenava e retardava a água é reduzido ou eliminado, impedindo o percurso natural dos córregos e das cheias. Nessas condições, toda a água da chuva precisa ser recebida pelo sistema de águas pluviais urbano que é constituído por galerias, bueiros, condutos, bacias e reservatórios.
Segundo a professora do curso de Engenharia Civil da Universidade Estácio de Sá, quando o sistema de drenagem é submetido a volumes de água maiores e mais rápidos, aumentam as chances de sobrecarga e retorno de água.
— Além disso, entupimentos por lixo, sedimentos e vegetação reduzem rapidamente a capacidade hidráulica de bueiros, galerias e bocas de lobo, transformando chuvas pontuais em alagamentos locais. Por fim, ainda existe o fato de o sistema trabalhar com projetos subdimensionados ou obsoletos, somados a obras e intervenções ao longo dos canais e margens que criam gargalos, tornando o escoamento irregular e concentrado em pontos críticos — destaca.
Para reduzir os danos causados pelas chuvas, a especialista defende medidas estruturais e planejamento urbano adequado.
— Sob o viés das medidas de engenharia, as administrações públicas das cidades podem priorizar a redução dos picos de vazão e a recuperação da infiltração perdida pela impermeabilização do solo. Isso inclui a implantação de bacias de detenção e retenção, reservatórios urbanos e subterrâneos dimensionados com margens de segurança para eventos extremos, galerias e coletores com capacidade atualizada, além de sumidouros e poços de infiltração. Podem também pensar em soluções verdes, feitas em menor escala, como a renaturalização de córregos, criação de zonas úmidas urbanas, parques inundáveis e faixas verdes que atuam como esponjas, retardando e armazenando água. Temos ainda os pavimentos permeáveis, jardins de chuva e arborização localizada, que reduzem o volume e a velocidade do escoamento.
Ela também destaca a importância do planejamento territorial e da manutenção constante dos sistemas de drenagem.
— Vale mencionar ainda a manutenção preventiva contínua, limpeza programada de bueiros, galerias e cursos d’água e gestão eficiente de resíduos sólidos pela população e pela administração pública, que são medidas valiosas, pois evitam entupimentos que transformam chuvas medianas em inundações. E sob o viés populacional, as práticas de descarte correto de lixo, entulho e outros é indispensável para manter a limpeza de bueiros, galerias e cursos d’água. Tudo que é descartado na rua, de maneira incorreta, acaba por parar dentro do sistema e o entupimento é instantâneo.
Para a engenheira, as mudanças climáticas exigem que as cidades aprimorem o planejamento e adotem novas estratégias de gestão de riscos.
— As mudanças climáticas têm aumentado a frequência e a intensidade de chuvas extremas, o que torna insuficiente muitos dos critérios de planejamento baseados apenas no passado. De forma geral, é necessário projetar riscos: usar cenários climáticos e projeções locais para revisar as curvas intensidade-duração-frequência (IDF) das chuvas e aplicar fatores de segurança nas vazões de projeto. Já no campo da operação e gestão, é fundamental criar sistemas de monitoramento e tomada de decisão em tempo real: redes de pluviômetros, estações hidrométricas, telemetria e modelos operacionais que alimentem centros de comando e sistemas de alerta precoce. A manutenção ganha papel central – limpeza sistemática de bocas de lobo, galerias e cursos d’água -, assim como planos de contingência, protocolos de evacuação e comunicação clara com a população. As administrações públicas devem integrar autoridades municipais, operadoras de serviços e comunidade, com fluxos de financiamento dedicados à operação, manutenção e atualização tecnológica — conclui.
Osmar Neves
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