Guerra entre irã e israel se intensifica após ataque coordenado dos EUA e israelenses

Status: Atualizado em 28 de fevereiro de 2026, 11:00 BRT.

O tabuleiro geopolítico sofreu uma fratura sísmica nas últimas 24 horas. A percepção de um conflito iminente converteu-se em uma nova realidade de guerra declarada e cinética. Saímos da era das sanções e ameaças nucleares para o palco de uma troca de bombardeiros e mísseis balísticos com potencial de desencadear uma conflagração regional de proporções inéditas desde a invasão do Iraque em 2003.

A seguir, um relatório frio da situação atual e as prováveis linhas de frente nos próximos momentos.

Sumário Executivo: A Fissura Irã-Israel-Eua

Na manhã deste sábado, 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar coordenada de grande envergadura contra o Irã, denominada “Operação Fúria Épica” por Washington e “Leão Rugindo” por Israel. O ataque, classificado como “preventivo” pela coalizão, visou instalações militares estratégicas, o programa nuclear e, crucialmente, centros de poder do regime em Teerã, incluindo o gabinete do Presidente Masoud Pezeshkian e áreas próximas à residência do Aiatolá Khamenei.

Como esperado por qualquer analista racional, o Irã retaliou imediatamente. A Guarda Revolucionária disparou uma “primeira vaga” de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases militares americanas em países do Golfo, com impactos confirmados no Bahrein (sede da Quinta Frota), Catar, Kuwait e Arábia Saudita. Sirenes soaram em Jerusalém e Tel Aviv. O que antes era uma “guerra sombra” ou de procuração agora é um confronto direto e aberto.

Análise da Situação Atual (Manhã de 28/02)

· Cenário Militar: O ataque inicial parece ter sido desenhado não apenas para degradar capacidades, mas para decapitar lideranças e testar a resposta iraniana, revelando posições estratégicas do regime. A coalizão EUA-Israel parece disposta a sustentar a operação por vários dias.
· Capacidade Iraniana: Ao contrário de confrontos anteriores, os mísseis iranianos demonstraram maior capacidade de penetração, superando algumas defesas israelenses. O regime em Teerã deixou claro que qualquer ataque é visto como uma ameaça existencial.
· Vítimas e Danos Colaterais: Já há relatos de baixas civis significativas, incluindo a morte de cinco estudantes em um ataque a uma escola feminina na província de Hormozgan. Isso injeta um elemento de radicalização popular que pode minar qualquer estratégia ocidental de “libertação”.
· Reação Internacional: O mundo está polarizado. Enquanto a União Europeia pede moderação e o Brasil condena os ataques, a Austrália oferece suporte explícito à ação dos EUA. A Arábia Saudita, peça-chave, condenou os ataques iranianos à sua soberania, colocando Riade em uma posição delicada e perigosamente alinhada com Washington neste momento.

Projeções Geopolíticas (Timeline do Conflito)

Com base na natureza dos ataques, no histórico recente e nas capacidades dos envolvidos, a seguinte cronologia de eventos é a mais provável:

Hoje (Restante de 28/02): O “Vai e Vem” Balístico

1. Nova Onda de Ataques: A “Operação Fúria Épica” continuará. Veremos uma segunda e talvez terceira onda de bombardeios americanos e israelenses focados em destruir os lançadores de mísseis iranianos que ainda não foram utilizados e centros de comando.
2. Resposta Assimétrica do Irã: O Irã tentará saturar as defesas antimísseis de Israel (cujo estoque de interceptadores está em baixa após conflitos anteriores) e dos EUA. O objetivo é acertar um alvo de alto valor simbólico ou causar uma baixa massiva para ganhar poder de barganha.
3. Pânico nos Mercados: O petróleo Brent romperá a barreira dos $75 e provavelmente testará os $80 ainda hoje. O dólar se fortalecerá globalmente, e as bolsas despencarão. O risco no Estreito de Ormuz não é mais um prêmio, é uma realidade.

Amanhã (01/03): A Regionalização do Conflito

1. Ativação dos Proxies: O Irã acionará formalmente seus “peões” na região. Esperem ataques complexos e coordenados do Hezbollah contra o norte de Israel, de milícias xiitas contra a embaixada dos EUA em Bagdá e de forças Houthi contra navios no Mar Vermelho ou infraestrutura saudita.
2. Reavaliação Estratégica: Os EUA enfrentarão o “dilema do expandido”: contra-atacar esses proxies significa abrir novas frentes de batalha (Líbano, Iraque, Iêmen), algo que Washington quer evitar. A inação, no entanto, será lida como fraqueza.
3. Movimentação Diplomática de Emergência: O Catar e os Emirados Árabes Unidos, que já sofreram impactos de mísseis, atuarão como intermediários desesperados para tentar um cessar-fogo que os proteja de mais retaliações. A Rússia e a China convocarão reuniões de emergência na ONU, mas sem poder para parar o conflito.

Próxima Semana: A Guerra de Desgaste e a Questão Nuclear

1. Ataque a Instalações Nucleares: Se a inteligência ocidental identificar movimentação para “armar” uma ogiva, os ataques se concentrarão em instalações como a de Isfahã e Natanz. Isso liberaria material radioativo e elevaria a crise a um patamar de catástrofe ambiental regional.
2. Crise no Estreito de Ormuz: O Irã tentará interditar ou minar o Estreito de Ormuz. Um quarto do petróleo mundial trafega por ali. A simples ameaça crível de bloqueio fará o petróleo disparar para perto dos $100, mergulhando a economia global em estagflação.
3. Exaustão de Munições: A pergunta não dita será: quanto tempo Israel consegue sustentar o ritmo de fogo com seus estoques de defesa antimíssil baixos? Os EUA terão que reposicionar navios e mísseis no Mediterrâneo e no Golfo, um movimento que levará dias.

Próximos Dias: Cenários de Ruptura

1. “Jogo Mortal” com Civis: Com as baixas civis já registradas, há risco de manifestações populares no Irã. Se o regime cair, é o cenário ideal para Washington. Se o povo se unir ao regime contra o “agressor externo”, a chance de mudança de regime sem invasão terrestre (que Trump não quer) desaparece.
2. Expansão para o Paquistão: Um front secundário, mas não menos perigoso, é a tensão entre Paquistão e Afeganistão, que já declararam “guerra aberta” devido a insurgências talibãs. Se o Irã conseguir unificar o discurso contra o Ocidente, pode haver coordenação com facções no Paquistão, sobrecarregando a capacidade de resposta dos EUA e de Israel.

Estimativa do Analista

A “Operação Fúria Épica” foi desenhada para ser curta e cirúrgica, mas a resposta iraniana e a ativação de seus proxies indicam que este conflito já tem pernas para durar semanas, não dias. O objetivo primário de Washington (eliminar a ameaça nuclear) pode rapidamente se transformar em um atoleiro regional se a Casa Branca for arrastada para uma guerra contra as milícias no Líbano, Síria e Iraque simultaneamente.

A janela para a diplomacia é de aproximadamente 72 horas. Se até segunda-feira não houver um cessar-fogo mediado por um ator com influência sobre o Irã (provavelmente a China ou a Rússia), estaremos diante de uma guerra regional generalizada com impactos severos no preço da energia e na segurança global.

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https://www.resende.com.br/2026/02/28/14590/

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