Empresas do Rio fogem da alta tarifária e “abraçam” mercado livre de energia

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Foto: Divulgação

Rio de Janeiro – O mercado livre de energia elétrica ganhou força no estado do Rio de Janeiro em 2025. Segundo levantamento da Camara de Comercializacao de Energia Eletrica (CCEE), o Rio registrou 1.233 novas unidades consumidoras migrando para o ambiente de contratação livre, colocando o estado na sexta posição no ranking nacional.

O número representa avanço relevante em relação aos últimos anos e consolida o Rio como um dos polos de expansão do modelo fora do eixo São Paulo–Sul. No país, foram mais de 21 mil novas migrações em 2025, com liderança de São Paulo (6.114), seguido por Paraná (2.214) e Minas Gerais (1.743).

No recorte regional, o Sudeste concentrou 9.527 novas unidades consumidoras no período, reforçando o peso econômico da região na transição para o ambiente competitivo de compra de energia.

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O que explica o avanço no Rio

O mercado livre permite que empresas negociem diretamente com fornecedores condições como preço, prazo e volume de energia, em contraste com o mercado regulado, onde tarifas são definidas pelas distribuidoras.

No Rio de Janeiro, especialistas apontam três fatores principais para o avanço:

Busca por previsibilidade de custos, sobretudo em setores intensivos em energia;

Abertura gradual do mercado para consumidores de menor porte;

Pressão tarifária no ambiente regulado, que estimulou a migração de médias empresas.

Setores como comércio e serviços lideram o movimento nacionalmente — e o padrão se repete no estado. Em todo o Brasil, o setor de serviços passou de 6.648 para 7.458 unidades no mercado livre, enquanto o comércio saltou de 4.098 para 6.379.

No Rio, segmentos como hospitais privados, redes varejistas, indústrias alimentícias e empresas de saneamento estão entre os que mais têm aderido ao modelo, segundo fontes do setor elétrico ouvidas pela reportagem.

A migração também atinge polos industriais do estado, especialmente na Região Metropolitana, Sul Fluminense e Norte Fluminense — áreas com forte presença de metalurgia, óleo e gás e manufatura.

Com a expansão do mercado livre para consumidores com demanda a partir de 500 kW, empresas de médio porte passaram a enxergar oportunidade de reduzir custos em contratos de longo prazo, inclusive com energia de fontes renováveis.

Renováveis e gargalos

O avanço do mercado livre está diretamente ligado à expansão das energias renováveis no país. Dados da Agencia Internacional de Energia Renovavel indicam que o Brasil é o terceiro maior gerador de energia renovável do mundo, com 213 gigawatts de capacidade instalada, atrás apenas de China e Estados Unidos.

No entanto, o Operador Nacional do Sistema Eletrico (ONS) estima que cerca de 17% da energia renovável gerada é desperdiçada por limitações de armazenamento e integração do sistema. Embora o gargalo seja mais visível no Nordeste, o Sudeste também enfrenta desafios estruturais de transmissão.

Especialistas avaliam que a expansão do mercado livre no Rio dependerá da modernização da infraestrutura elétrica e da ampliação da oferta de contratos com energia incentivada.

 

Mayra Gomes

Empresas do Rio fogem da alta tarifária e “abraçam” mercado livre de energia


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