Diesel sobe R$ 0,40 em uma semana e pressiona frete no Sul Fluminense
Sul Fluminense – O preço do diesel voltou a subir nos postos da região Sul do Estado do Rio de Janeiro e já acumula aumento de R$ 0,40 em apenas uma semana, impactando diretamente o custo do frete e as operações de transportadoras que atuam no eixo industrial do Sul Fluminense. Relatos de empresários do setor indicam que o combustível teve alta de R$ 0,20 na semana passada e mais R$ 0,20 nesta semana, elevando rapidamente os custos logísticos em cidades como Volta Redonda, Barra Mansa e Resende, onde o transporte rodoviário é essencial para o abastecimento do comércio e para o escoamento da produção industrial. Com o diesel representando parcela significativa dos custos das empresas, a elevação do preço do combustível tende a pressionar o valor do frete nas próximas semanas. Empresas do setor relatam que aumentos sucessivos, mesmo que aparentemente pequenos, têm efeito imediato no planejamento financeiro. Para o empresário Rogério Loureiro, diretor superintendente da Transporte Excelsior, o diesel é o principal componente de custo da atividade logística no país. “O transporte rodoviário de cargas depende diretamente do diesel, que pode representar entre 35% e 45% do custo operacional de uma transportadora. Por isso, qualquer aumento no preço do combustível tem impacto imediato na operação e inevitavelmente pressiona o valor do frete”, afirma. Segundo ele, momentos de instabilidade internacional exigem cautela e diálogo entre transportadoras e clientes para garantir a continuidade das operações. “Em momentos de instabilidade no cenário internacional, como o atual, o setor logístico precisa acompanhar essas variações com responsabilidade e diálogo com os contratantes, para garantir que a atividade continue sendo sustentável para toda a cadeia”, acrescenta. O empresário destaca ainda que o setor tem buscado alternativas para reduzir a dependência do diesel, embora o combustível continue sendo determinante para os custos no Brasil. “Na Transporte Excelsior, temos buscado reduzir essa dependência por meio de investimentos em eficiência operacional e na diversificação da matriz energética, com parte da frota já operando com biometano. São iniciativas importantes, mas o diesel ainda continua sendo um fator determinante para o custo do transporte no Brasil”, ressalta.
CONFLITO INTERNACIONAL PRESSIONA PREÇOS
O aumento do diesel ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, que ameaça o abastecimento global de derivados de petróleo. No mercado internacional, a diferença entre o preço do diesel e o petróleo bruto atingiu o maior nível desde o verão de 2023 no hemisfério norte. Dados compilados pela Bloomberg indicam que contratos futuros de diesel na Europa chegaram a custar mais de US$ 40 por barril acima do petróleo bruto, o maior diferencial em dois anos e meio. O movimento também foi observado nos mercados dos Estados Unidos e da Ásia. Na Europa, os contratos futuros para entrega do combustível ultrapassaram US$ 1.000 por tonelada, equivalente a mais de US$ 134 por barril, enquanto o barril do Brent crude oil chegou a US$ 85,10.
GARGALOS NO TRANSPORTE MARÍTIMO
Especialistas apontam que o aumento da diferença entre o diesel e o petróleo está ligado ao risco nas rotas de abastecimento. O tráfego de navios-tanque pelo Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, sofreu forte interrupção. Com isso, os custos de frete marítimo também dispararam. A taxa para transporte de derivados de petróleo do Golfo do Oriente Médio para o noroeste da Europa atingiu o maior patamar desde 2024.
POSSÍVEIS REFLEXOS NO BRASIL
A instabilidade no mercado internacional pode manter a pressão sobre os preços internos do diesel no Brasil. Caso o cenário se prolongue, transportadoras da região Sul Fluminense avaliam que novos reajustes no frete poderão ser inevitáveis, especialmente para rotas de longa distância e transporte pesado. Analistas alertam que, se o conflito continuar afetando as rotas de petróleo e derivados, o custo logístico tende a subir em cadeia, com impacto direto no preço de alimentos, materiais industriais e produtos de consumo distribuídos na região.
Vinicius
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