Deputados pressionam governo para retomar obras de Angra 3

Angra dos Reis – A visita de parlamentares às obras da usina nuclear de Angra 3, na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAA), na Costa Verde, nesta sexta-feira (10), reforçou a pressão pela retomada de um dos principais projetos energéticos do país, que permanece indefinido mesmo com 63% das obras já concluídas e bilhões de reais investidos ao longo das últimas décadas. O custo pelo abandono das obras de Angra 3 pode chegar a R$ 26 bilhões. O valor pode ultrapassar o necessário para a conclusão do empreendimento, estimado em R$ 24 bilhões, sem produzir um único MWh de energia elétrica.

Liderada pelo deputado federal Júlio Lopes (PP), presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear, a comitiva foi ao canteiro de obras com um objetivo claro: cobrar a retomada dos investimentos e acelerar uma decisão que, segundo o setor, é crucial para a segurança energética do Brasil.

— Angra 3 já conta com 63% de obra concluída e com quase todas as partes mecânicas e peças compradas, faltando apenas os sistemas digitais. Com uma capacidade energética de 1.400 megawats, ela irá gerar enorme economia para milhões de consumidores e com uma perspectiva de independência energética para o Rio de Janeiro, que poderá contar com cerca de 70% de sua energia provida por energia nuclear — afirmou o deputado.

Com potência instalada prevista de 1.400 megawatts, Angra 3 é considerada estratégica para ampliar a oferta de energia firme no país, em um momento de crescimento da demanda e desafios na transição energética. Para especialistas, a paralisação prolongada da obra representa não apenas desperdício de recursos, mas também um risco ao planejamento energético nacional. Júlio Lopes defende que há soluções viáveis para viabilizar a conclusão do projeto, incluindo modelos de financiamento já estruturados.

— A obra poderia estar sendo tocada com os recursos oriundos de um Project One já estruturado pelo BNDES, onde a energia futura pagaria a obra, da mesma forma como ocorreu em Itaipu — destacou.

Além do impacto econômico, o parlamentar reforçou o papel da energia nuclear como estratégica para o país, citando o potencial brasileiro na cadeia produtiva. — Ela é a melhor opção para desenvolvimento da potência, pois entrega 85% desse fator, e nós temos aqui no Brasil desde o urânio até toda a estrutura acadêmica, fazendo com que a energia nuclear seja imprescindível para o país, que inclusive acaba de assinar através da embaixadora Cláudia Santos um compromisso de triplicá-la — disse.

Vinicius

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