Deputada propõe programa estadual contra trotes ao Samu

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Estado do Rio – Trotes ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) seguem como um dos principais entraves ao atendimento pré-hospitalar no Estado do Rio de Janeiro. Em determinados períodos, chamadas falsas chegam a representar até 30% das ligações recebidas pelo número 192, comprometendo o socorro a quem realmente necessita do serviço.

Com o objetivo de enfrentar o problema de forma estruturada, a deputada estadual Lilian Behring (PCdoB) apresentou o Projeto de Lei nº 6.910/2025, que institui o Programa Estadual de Conscientização contra o Trote ao SAMU.

A proposta cria uma política pública permanente voltada à educação, prevenção e informação, com a realização de campanhas em escolas públicas e privadas, universidades, meios de comunicação e redes sociais. O texto também prevê parcerias com órgãos de saúde, segurança pública e conselhos tutelares. A meta é reduzir o número de chamadas indevidas e garantir maior eficiência no atendimento de urgência.

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Segundo a deputada, os trotes vão além de uma infração administrativa e representam um risco direto à população.

“Cada trote que ocupa uma linha ou desloca uma ambulância pode significar um atendimento que não chega a tempo. Isso não é brincadeira, é uma questão de vida ou morte”, afirma Lilian Behring.

Além da atuação parlamentar, Lilian Behring destaca sua experiência profissional no serviço de urgência. Conhecida como “samuzeira”, ela já atuou diretamente no atendimento pré-hospitalar.

“Eu vi situações em que uma ambulância estava presa em um chamado falso enquanto alguém, em outro ponto da cidade, lutava pela própria vida. Esse projeto nasce da prática, da vivência e do compromisso com quem está no plantão”, ressalta.

O projeto de lei também prevê a divulgação periódica de dados estatísticos sobre trotes e seus impactos na eficiência do serviço, além do reforço de informações sobre as penalidades previstas na legislação, como multas e sanções penais. Para a deputada, no entanto, a proposta não se limita ao caráter punitivo.

“Punir é importante, mas não resolve sozinho. Precisamos educar desde cedo, formar consciência e ensinar cidadania. Quando uma criança ou adolescente entende que ligar para o 192 sem necessidade pode custar uma vida, a lógica muda”, pontua.

A coordenação do programa ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde, em articulação com a Secretaria de Educação e outros órgãos, garantindo uma abordagem intersetorial. O Poder Executivo deverá assegurar recursos para a execução das ações, com possibilidade de parcerias institucionais.

Para Lilian Behring, a iniciativa representa um avanço na qualificação do sistema de urgência e emergência no estado.

“Defender o SAMU é defender o SUS, é defender os trabalhadores da saúde e, principalmente, é defender a vida da população fluminense”, conclui.

 

Mayra Gomes

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