CSN prepara venda de ativos para reduzir dívida em até R$ 18 bilhões
Foto – Wesllen Souza
País – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou um amplo redesenho de sua estratégia corporativa, com foco na redução do endividamento, reorganização do portfólio de ativos e concentração em áreas de maior rentabilidade. O plano, aprovado pelo Conselho de Administração, prevê a venda estruturada de ativos relevantes a partir de 2026, com potencial de desalavancagem entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
Segundo a companhia, a iniciativa busca equacionar de forma definitiva a estrutura de capital do grupo e abrir caminho para um novo ciclo de crescimento sustentável. Como primeiro passo, a CSN já realizou, em 2025, a venda de 11% da participação na MRS Logística para a CSN Mineração, operação que movimentou R$ 3,35 bilhões e reforçou o caixa do grupo.
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Siderurgia passa por ajuste fino e busca parcerias
A CSN Siderurgia, ativo histórico do grupo e fortemente ligado à economia do Sul Fluminense, passa por um processo de recuperação gradual de rentabilidade. O segmento mantém posição estratégica na produção de aços planos, com presença relevante nos mercados brasileiro, europeu e norte-americano.
No curto prazo, a estratégia envolve a avaliação de alternativas e parcerias, com foco na maximização da geração de caixa e no aumento da participação de produtos de maior valor agregado no portfólio.
Mineração é o principal vetor de crescimento
O plano estratégico reposiciona a CSN Mineração como a principal avenida de crescimento do grupo. Atualmente, a companhia figura como a sétima maior exportadora de minério de ferro do mundo, com reservas estimadas em 2,5 bilhões de toneladas e histórico recente de recordes operacionais, forte geração de EBITDA e elevada rentabilidade.
De acordo com a apresentação estratégica, a expansão do projeto P15, em ritmo acelerado, deve gerar um incremento estimado de cerca de R$ 4 bilhões por ano no EBITDA, além de melhorar margens operacionais. A curva de ramp-up prevê aumento da produção dos atuais 43,5–47,5 milhões de toneladas para até 60–65 milhões de toneladas até 2030, com foco em produtos de maior teor de ferro (high grade).
Infraestrutura entra no radar de desinvestimentos
Outro eixo central do plano envolve a CSN Infraestrutura, que reúne um portfólio integrado de ativos ferroviários, portuários e multimodais estrategicamente localizados, voltados principalmente à exportação de commodities. O segmento combina ativos maduros com projetos brownfield e apresenta crescimento consistente de EBITDA.
A estratégia de curto prazo prevê a venda de uma participação relevante na NewCo de Infraestrutura, com lançamento do processo em janeiro de 2026 e expectativa de assinatura das operações entre o terceiro e o quarto trimestre do ano. O objetivo é destravar valor e reforçar o processo de desalavancagem financeira.
Venda do controle da CSN Cimentos
No segmento de cimentos, a companhia também decidiu avançar na alienação do controle. A CSN Cimentos é hoje um dos principais players integrados do país, com 17 milhões de toneladas/ano de capacidade instalada, sete plantas integradas e forte presença logística. O negócio apresenta margens elevadas, custo competitivo e potencial de crescimento, impulsionado pela recuperação de preços no mercado a partir de 2025.
Apesar do bom desempenho operacional, a administração avalia que a venda do controle permitirá acelerar a redução da dívida e concentrar capital em áreas com maior sinergia estratégica com mineração e siderurgia.
Energia garante eficiência e redução de custos
A CSN Energia consolida-se como uma das maiores plataformas de energia renovável do país, com 2.010 MW de capacidade instalada, incluindo ativos hídricos, térmicos de cogeração, projetos solares e eólicos. Desde 2023, o grupo é autossuficiente em energia renovável, fator que contribui diretamente para a redução de custos industriais e para a previsibilidade operacional.
O segmento apresenta baixo risco, alto retorno e geração resiliente de caixa, além de alinhamento com a agenda de transição energética e competitividade industrial.
Impacto financeiro e foco na desalavancagem
Com a execução do plano, a CSN projeta reduzir sua alavancagem de cerca de 3,14 vezes para aproximadamente 1 vez a relação dívida líquida/EBITDA, além de uma economia estimada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,8 bilhão por ano em despesas financeiras. A companhia destaca ainda uma política de alocação de capital mais disciplinada, com foco na rentabilidade dos negócios principais.
Para o mercado, o conjunto de medidas sinaliza uma mudança relevante na estratégia do grupo, com maior seletividade de investimentos, fortalecimento do balanço e busca por crescimento sustentado. No contexto regional, especialmente em Volta Redonda e no Sul Fluminense, o movimento é acompanhado com atenção, dada a importância histórica da CSN para a economia local e para a cadeia industrial do aço.
Mayra Gomes
CSN prepara venda de ativos para reduzir dívida em até R$ 18 bilhões
