Comitê Guandu mobiliza população contra queimadas na Mata Atlântica

Estado do Rio – O estado do Rio de Janeiro inteiro está sob estado de emergência ambiental devido ao risco elevado de incêndios florestais. A medida foi oficializada pela portaria nº 1.327, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em fevereiro deste ano. A iniciativa busca agilizar ações de prevenção e combate ao fogo em todo o país, especialmente em biomas sensíveis como a Mata Atlântica.

Na Região Hidrográfica II (RH II), o Comitê Guandu-RJ deu início a mais uma edição da campanha Fiscal das Queimadas, que acontece anualmente durante o inverno, desde 2022. O período coincide com o aumento da seca e com os festejos juninos — uma combinação que eleva significativamente os riscos de focos de incêndio. A ação está sendo realizada em parceria com prefeituras e instituições locais e segue até setembro.

A campanha visa conscientizar a população sobre os perigos das queimadas, principalmente aquelas provocadas por atividades humanas, intencionais ou não. Segundo o MMA, mais de 90% dos incêndios em áreas naturais da Mata Atlântica têm origem antrópica. O trabalho do Comitê Guandu faz parte do Plano Associativo de Combate, Prevenção e Mitigação de Incêndios Florestais, integrado à agenda de infraestrutura verde da entidade.

A coordenadora do Grupo de Trabalho de Educação Ambiental (GTEA) do Comitê Guandu, Viviane Montebello, representante da Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A (NUCLEP), ressaltou a importância do engajamento coletivo diante do cenário atual.
“Chegamos aos meses mais críticos do ano com a queda do índice pluviométrico, com o aumento dos riscos de queimadas e que com a chegada dos festejos juninos, é ainda mais importante lembrar: balão pode até parecer tradição, mas é uma prática ilegal e extremamente perigosa para o meio ambiente e para as comunidades próximas às áreas de vegetação. Vamos juntos proteger nossas florestas. Denuncie crimes ambientais e faça a sua parte. O meio ambiente agradece”, alertou Viviane.

De acordo com dados do Monitor do Fogo, da rede MapBiomas — formada por universidades, ONGs e empresas — cerca de 30,8 milhões de hectares foram atingidos por queimadas em 2024, uma área superior à da Itália. No primeiro trimestre de 2025, a Mata Atlântica registrou um aumento de 7% nas áreas atingidas pelo fogo em comparação com o mesmo período do ano anterior, o que corresponde a 18,8 mil hectares queimados.

A situação é crítica, segundo especialistas, devido às mudanças climáticas que tornam o ambiente cada vez mais propício à propagação do fogo. Além das campanhas educativas, outras ações vêm sendo articuladas. Em março, o Comitê Guandu promoveu o Workshop Queimadas, reunindo cerca de 100 representantes de órgãos governamentais, sociedade civil e instituições que atuam na prevenção e combate aos incêndios florestais.

O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro também vem intensificando suas ações. Entre janeiro e março deste ano, a corporação registrou cerca de seis mil ocorrências relacionadas a fogo em vegetação.
“O combate às chamas envolve um grande esforço por terra e ar, com aeronaves, drones, viaturas especializadas e equipes de bombeiros especialistas em incêndios florestais. A população também pode ajudar na prevenção de incêndios florestais, evitando fogueiras, queimadas irregulares e descartes inadequados de pontas de cigarro. Além disso, é essencial lembrar que soltar balões é crime e o uso de fogos de artifício próximo a áreas de mata pode causar grandes tragédias”, informou o Corpo de Bombeiros, em nota.

A campanha Fiscal das Queimadas convida empresas, instituições e cidadãos a se engajarem na causa. Parceiros recebem o selo “Eu sou fiscal das queimadas” e ajudam a disseminar práticas de prevenção e conservação ambiental. Interessados em participar podem entrar em contato com o Comitê Guandu pelo e-mail: comunicacao.guandu@agevap.org.br.

Para denúncias de queimadas ou crimes ambientais, a população deve ligar para o 193, ou para o Linha Verde, do Disque Denúncia, pelos telefones: 0300 253 1177 (interior), 2253 1177 (capital) ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ.

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Agatha Amorim

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