Com apenas 24% da área original, Mata Atlântica precisa de reflorestamento

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Foto: Divulgação/Ibama e Tânia Rêgo/Agência Brasil

Rio / Brasil – O desmatamento continua sendo uma ameaça grave ao futuro da Mata Atlântica, bioma que abriga aproximadamente 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Apesar de áreas preservadas de grande importância — como as que se estendem pela Costa Verde fluminense e pelo Parque Nacional de Itatiaia — o histórico de ocupação humana e pressão sobre o território ainda compromete a integridade ambiental da floresta.

Segundo dados atualizados da Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma originalmente cobria cerca de 130 milhões de hectares. Hoje, restam apenas 24% dessa área, sendo que somente 12,4% são florestas maduras e bem preservadas. A fragmentação dessas áreas remanescentes enfraquece a biodiversidade e reduz a capacidade de adaptação das espécies.

Para o representante da fundação, ainda é necessário sensibilizar pessoas já que 90% do território da Mata Atlântica são áreas privadas. “A gente precisa agora dar um salto em escala com boas políticas públicas que estimulem a restauração florestal. Então, precisamos de pagamentos por serviços ambientais, comando e controle que determine algumas áreas obrigatórias preservadas e uma política de incentivos massiva para manutenção e restauração da floresta”, avalia Fernandes.

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Foto: Divulgação/Ibama e Tânia Rêgo/Agência Brasil

Meta é recuperar 15 milhões de hectares até 2050

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, assinado em 2009 por governos, sociedade civil e setor privado, estabeleceu a meta ambiciosa de recuperar 15 milhões de hectares até 2050. Entre 1993 e 2022, estudos indicam que cerca de 4,9 milhões de hectares da Mata Atlântica entraram em processo de regeneração, enquanto 1,1 milhão de hectares foram desmatados no mesmo período.

Mas o esforço promete compensação na forma de desenvolvimento sustentável e geração de renda. “Se a gente for olhar a grosso modo aquela restauração só para conservar a biodiversidade e resgatar os serviços ecossistêmicos. A gente tem um potencial de gerar a cada dois campos de futebol um emprego. Então, dentro desse universo de até 15 milhões de hectares, a gente pode gerar um benefício social que seria gigantesco”, conclui o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Estado do Rio preserva corredores estratégicos

A faixa que liga Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty forma um dos maiores blocos contínuos de Mata Atlântica do país, integrando unidades de conservação federais e estaduais. A região reúne parques, reservas ambientais e áreas de proteção permanente que funcionam como corredor ecológico entre o litoral e a Serra da Mantiqueira.

Em Itatiaia, o primeiro parque nacional criado no Brasil, a vegetação de altitude abriga espécies raras e nascentes que abastecem municípios do Sul Fluminense e do Vale do Paraíba.

Esses remanescentes têm papel estratégico na regulação climática, na proteção de mananciais e na contenção de deslizamentos — fenômenos cada vez mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.

Mesmo com áreas preservadas relevantes, a Mata Atlântica no estado também sofre com fragmentação urbana e pressão imobiliária, especialmente no litoral.

Especialistas alertam que a redução da diversidade genética e a fragmentação das florestas comprometem a capacidade de adaptação do bioma a eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas.

Estudos da Fundação SOS Mata Atlântica apontam que, entre 1993 e 2022, cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em regeneração natural no país, mas 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados no mesmo período.

Restauração avança: jequitibá, jacarandá, ipê e angico

Iniciativas de reflorestamento vêm ganhando escala no Brasil, com uso de espécies nativas como jequitibá, jacarandá, ipê e angico. Projetos recentes conseguiram reduzir em até 50% o tempo de crescimento das mudas por meio de seleção genética e manejo adequado.

O chamado Pacto pela Restauração da Mata Atlântica estabeleceu a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050. No Rio de Janeiro, programas de recuperação de mananciais e reflorestamento de encostas têm sido incorporados à agenda ambiental, inclusive com participação da iniciativa privada.

Além da importância ambiental, a preservação da Mata Atlântica impacta diretamente o turismo ecológico — um dos principais vetores econômicos da Costa Verde e da região serrana.

Trilhas, cachoeiras, turismo de observação da natureza e esportes de montanha dependem da integridade do bioma. Ao mesmo tempo, a floresta garante abastecimento de água para centros urbanos e produção agrícola.

Se por um lado o país convive com um histórico de devastação, por outro, o Rio de Janeiro mantém áreas estratégicas que funcionam como símbolo de resistência ambiental. O desafio agora é ampliar a restauração e evitar que os fragmentos remanescentes sigam encolhendo diante da pressão urbana e econômica.

Aprendizado com restauração eficiente

Iniciativas de restauração florestal ganham destaque no país como instrumentos de recuperação ambiental. Um exemplo recente na Bahia mostrou que combinando seleção genética de espécies nativas com manejo adequado do viveiro e do plantio, é possível reduzir em até 50% o tempo de crescimento das mudas em relação a métodos tradicionais.

O projeto envolveu a recuperação de cerca de 1.000 hectares de Mata Atlântica degradada, utilizando espécies como jequitibá, jacarandá, ipê e angico, selecionadas por sua capacidade de adaptação e resiliência. A estratégia priorizou diversidade genética, garantindo que os novos fragmentos fossem mais estáveis e preparados para resistir a mudanças climáticas e eventos extremos.

Segundo especialistas envolvidos no projeto, a restauração florestal eficaz contribui não apenas para a biodiversidade, mas também para serviços ecossistêmicos que beneficiam comunidades vizinhas, como proteção de mananciais e mitigação de erosão.

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Foto: Divulgação/Ibama e Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Mayra Gomes

Com apenas 24% da área original, Mata Atlântica precisa de reflorestamento


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