Cinco maneiras simples de evitar cair em “fake news” em 2026

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A difusão de boatos, difamação, calúnias e mentiras em geral sempre existiu. No entanto, ganhou contornos preocupantes na era das redes sociais, pois favorece a manipulação em massa da opinião pública. 

Isso ficou evidente a partir do escândalo da Cambridge Analytica, que coletou informações em massa de eleitores para customizar propaganda política e influenciar o resultado eleitoral dos EUA em 2016. 

Desde então, novos desafios têm aparecido e exigem uma abordagem eficaz de enfrentamento, tanto no âmbito público quanto no individual.

A evolução das “fake news” em 2026

De dez anos para cá, o cenário não melhorou muito. No Brasil, em ano eleitoral, a gravidade da questão é realçada graças à rápida evolução da inteligência artificial (IA). 

Apesar das muitas inovações positivas, o uso indevido dessa nova tecnologia já inspira profundos desafios às autoridades eleitorais brasileiras.  O problema não se limita apenas à crescente capacidade de manipulação de vídeos, imagens e textos, mas também à escala que pode ser alcançada usando agentes de IA.

Muitos sites, grupos e perfis “noticiosos” em redes sociais são projetados exclusivamente para caçar cliques com base notícias falsas. 

Pior ainda, muitos desses endereços virtuais vão além da “imprensa marrom”, que publica qualquer coisa que atraia a atenção, sendo verdade ou não: eles hospedam mecanismos para lesar vítimas em fraudes digitais de tipos variados.

Clicar em links ou anúncios nessas páginas pode engatilhar ciberataques como golpes de phishing, roubo de credenciais, sequestro de dados (ransomware), entre outros.

Nesse contexto, a adoção de 5 medidas práticas pode ser decisiva para identificar se estamos diante de fake news, e, potencialmente, de golpes virtuais.

  • Adotar práticas de cibersegurança

Antes mesmo de identificar objetivamente se estamos diante de uma página de fake news (confira os passos a seguir), a proteção de dados pessoais depende muito de hábitos seguros na internet. 

Evitar clicar indiscriminadamente em links é uma boa prática de cibersegurança. Priorizar apenas endereços confiáveis, sem ceder a mensagens alarmistas de urgência ou “promoções imperdíveis”, ajuda a evitar golpes de phishing.

Além disso, reduzir a quantidade de informações pessoais (em texto, vídeo ou imagem) nas redes sociais é uma medida eficaz de controle dos próprios dados online. Contar com um bom serviço de VPN para uma internet livre de rastreamento por terceiros ou interceptações indesejadas é especialmente útil em redes Wi-Fi públicas. 

Em conjunto, essas medidas compõem um comportamento vigilante, capaz de fechar o cerco contra vulnerabilidades de privacidade e segurança virtuais.

  • Avaliar a aparência geral do site

Adotada uma postura proativa de cibersegurança, o passo seguinte é conseguir identificar sites pouco confiáveis. Nesse processo, o primeiro contato visual atento é muito importante.

Sem ser superficial, detalhes importantes podem saltar aos olhos, como uma diagramação malfeita e a presença abusiva de anúncios. Além disso, a presença recorrente de erros gramaticais, ortográficos e de pontuação – incluindo formatação toda em maiúsculo (ASSIM, POR EXEMPLO), ou o uso exagerado de exclamações (“!!!”) – são indícios importantes de que não se trata de uma fonte informativa estruturada de forma profissional. 

  • Entender quem está publicando

Na internet, qualquer pessoa pode dizer o que quiser. Para a liberdade de expressão, isso é uma bênção; para a veracidade jornalística, pode ser um problema.

Por isso, é importante não se deixar impressionar por uma manchete chocante antes de ser capaz de entender quem está por trás da publicação. Isso envolve:

  • Procurar o nome de uma pessoa real como autora do conteúdo, preferencialmente com histórico e credibilidade reconhecidos
  • Entender se o site é de um meio de comunicação estabelecido. Se não, entender quem criou e mantém a publicação
  • Identificar se a página ao menos contém uma seção “Sobre nós”, que apresente o veículo, sua proposta editorial e valores básicos

Da mesma maneira que ninguém razoável segue conselhos de desconhecidos na rua, encontrar esses elementos em um site é essencial para atribuir credibilidade às informações apresentadas.

  • Entender a mensagem central e confrontar versões

Qualquer notícia relatada de maneira justa e com a intenção de ser objetiva busca confrontar as diferentes perspectivas das partes citadas e deixa claras as fontes de informação usadas.

Portais de fake news, por outro lado, costumam fazer exatamente o oposto: apresentam uma mensagem central “forte” e apelativa de maneira breve e sem contestações – frequentemente, trazendo apenas um lado de temas complexos. 

Além disso, esses conteúdos raramente citam fontes confiáveis, pessoas, instituições e outros veículos de informação. A ausência de referências ou da voz das partes envolvidas em uma questão é um forte indício de jornalismo de baixa qualidade.

  • Cheque antes de compartilhar

Se o conteúdo analisado passou em todos os testes anteriores, isso é um bom sinal. Mas ainda não é conclusivo. Antes de compartilhar, vale sempre buscar outras fontes confiáveis que tratem do mesmo tema ou perguntar a alguém que entende melhor do assunto sobre a veracidade do que está sendo lido ou assistido. 

Uma vez que uma informação falsa começa a circular, torna-se muito mais difícil desmenti-la. O mesmo princípio se aplica ao vazamento de dados pessoais na internet. Por isso, lidar com fake news de forma responsável é cada vez mais essencial, tanto do ponto de vista da cidadania quanto da integridade pessoal.

Vivian Costa e Silva

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