Chuvas elevam nível do Rio Paraíba do Sul no Sul Fluminense
Foto: Reinaldo Hingel – Eletrobras/Furnas
Sul Fluminense – As chuvas registradas nos últimos 15 dias no Vale do Paraíba Fluminense elevaram o nível do Rio Paraíba do Sul em trechos que cortam cidades como Resende, Volta Redonda, Barra Mansa e Barra do Piraí, reacendendo o alerta para alagamentos e transbordamentos pontuais. Apesar do cenário visual de rio cheio, especialistas e órgãos de monitoramento destacam que a situação não representa segurança hídrica para a região.
O Reservatório do Funil opera atualmente com 52% do volume útil, segundo boletim do Sistema Hidráulico do Rio Paraíba do Sul divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com dados atualizados até 28 de janeiro de 2026.
O cenário impacta diretamente o Sul Fluminense, especialmente municípios às margens do Rio Paraíba do Sul, como Resende, Barra Mansa e Volta Redonda, onde o controle da vazão é fundamental tanto para o abastecimento de água quanto para a prevenção de alagamentos.
De acordo com a ANA, a vazão natural média registrada no mês de janeiro no Funil é de 194 metros cúbicos por segundo, o que exige atenção redobrada em períodos de chuvas mais intensas. Técnicos alertam que a elevação rápida do nível do rio pode provocar alagamentos pontuais em áreas ribeirinhas, sobretudo em trechos urbanos.
O Reservatório do Funil é considerado estratégico para a regulação do Rio Paraíba do Sul na região. Por isso, o sistema segue em monitoramento permanente, com atuação integrada entre órgãos federais, estaduais e as defesas civis municipais.
A ANA destaca que os dados podem sofrer atualizações conforme a evolução das condições hidrológicas.
Esse descompasso hidrológico — reservatório baixo e rio cheio abaixo da barragem — exige monitoramento constante da Defesa Civil, sobretudo em áreas ribeirinhas urbanizadas. Nos últimos dias, o aumento do nível do rio foi provocado principalmente por afluentes locais e pela chuva direta sobre o leito do Paraíba do Sul no Sul Fluminense.
Técnicos ressaltam que, embora o cenário reduza momentaneamente o risco de desabastecimento, ele não afasta a vulnerabilidade do sistema hídrico, principalmente em caso de nova estiagem prolongada.
A bacia do rio Paraíba do Sul tem uma área de 62.074km² e abrange 184 municípios, sendo 88 em Minas Gerais, 57 no Rio de Janeiro e 39 em São Paulo. O rio Paraíba do Sul resulta da confluência dos rios Paraibuna e Paraitinga, que nascem no Estado de São Paulo, a 1.800 metros de altitude. O curso d’água percorre 1.150km, passando por Minas e Rio de Janeiro, até desaguar no Oceano Atlântico em São João da Barra (RJ). Os principais usos da água na bacia são: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.
Situação Atual
- Represa do Funil: opera com cerca de 52% do volume útil, mantendo a regularização do Rio Paraíba do Sul em nível limitado.
• Rio Paraíba do Sul: apresenta nível elevado nos trechos urbanos de Volta Redonda e Barra do Piraí, em razão das chuvas registradas nos últimos 15 dias.
• Risco: possibilidade de alagamentos pontuais em áreas ribeirinhas e instabilidade hídrica, com reservatório baixo e rio cheio a jusante da barragem.
Quem monitora
- Defesas Civis municipais de Volta Redonda e Barra do Piraí, com acompanhamento em tempo real do nível do rio.
• Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pela regulação e fiscalização do uso dos recursos hídricos.
• Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul, que acompanha a gestão compartilhada entre os estados.
Reservatório de Santa Branca segue abaixo de 40%
e se mantém em total atenção no Paraíba do Sul
O reservatório da Usina Hidrelétrica de Santa Branca continua operando com volume reduzido, apesar das chuvas registradas no início de 2026. Ela está localizada no estado de São Paulo, no município de Santa Branca, operando no Rio Paraíba do Sul. Ela é parte do sistema da Light Energia (embora relatos históricos também mencionem Santa Branca no Rio Tibaji/PR, a principal usina de Santa Branca citada com problemas de nível é no Rio Paraíba do Sul/SP).
Segundo boletim do Sistema Hidráulico do Rio Paraíba do Sul, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o volume útil estava em 37,91% no dia 28 de janeiro. Os dados indicam variações nas vazões afluentes ao longo dos últimos dias, reflexo das precipitações na cabeceira da bacia.
Em 28 de janeiro, a vazão natural que chegou ao reservatório foi de 61 metros cúbicos por segundo, enquanto a vazão defluente foi mantida em 36 m³/s, dentro de uma operação controlada para preservar o armazenamento.
Mesmo com essa recuperação pontual, técnicos alertam que o nível do reservatório permanece abaixo do patamar considerado confortável. Santa Branca é um dos principais pontos de regulação do sistema do Rio Paraíba do Sul e influencia diretamente a operação do Reservatório do Funil, que atende municípios do Sul Fluminense, como Resende, Barra Mansa, Volta Redonda e Barra do Piraí.
De acordo com a ANA, a vazão média registrada em janeiro de 2026 está em torno de 100 m³/s, o equivalente a 84% da média de longo termo, índice que ainda não permite uma recuperação mais consistente do volume armazenado. Nos meses anteriores, especialmente no segundo semestre de 2025, as vazões ficaram abaixo da média histórica, contribuindo para a redução dos níveis.
Especialistas apontam que o cenário reforça um descompasso hidrológico na bacia, com elevação do nível do rio em trechos urbanos e, ao mesmo tempo, reservatórios estratégicos operando com baixos volumes. A situação exige acompanhamento permanente para garantir o equilíbrio entre abastecimento de água, controle de cheias e geração de energia.
A ANA destaca que os dados do sistema estão sujeitos a revisões conforme a evolução das condições hidrológicas na bacia do Paraíba do Sul.
Osmar Neves



