Câmeras já encontraram 15 pessoas desaparecidas em Volta Redonda


O sistema de reconhecimento facial implantado em câmeras de monitoramento da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) de Volta Redonda tem desempenhado um papel cada vez mais relevante não apenas no combate ao crime, mas também em situações de caráter social. Desde novembro do ano passado, quando a tecnologia passou a ser utilizada em Volta Redonda, as câmeras já ajudaram na localização de 15 pessoas desaparecidas, devolvendo alívio e esperança a famílias que aguardavam notícias de seus entes queridos.

A ferramenta, inicialmente consolidada no auxílio às forças de segurança para a retirada de foragidos das ruas, vem sendo utilizada em parceria com as polícias Civil, Militar e a Operação Segurança Presente para apoiar buscas de pessoas desaparecidas e com boletins de ocorrência registrados. O trabalho ocorre por orientação do secretário municipal de Ordem Pública, Coronel Henrique.

“Nós entendemos que segurança pública não se resume somente no combate à criminalidade. Ela também está diretamente ligada ao bem-estar social. Quando conseguimos utilizar as câmeras para ajudar famílias a reencontrarem seus entes queridos, estamos cumprindo uma missão no aspecto social. Ficamos satisfeitos de contribuir para que essas pessoas retornem aos seus lares em segurança”, destacou Coronel Henrique.

Para especialistas, o uso do reconhecimento facial em casos de desaparecimento é um avanço importante e já representa um marco no apoio às famílias. O psicólogo da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), Thalles Cavalcanti, explica que o desaparecimento de um familiar próximo ou de um amigo íntimo é uma experiência devastadora.

“Nos primeiros dias, a rotina da família costuma ser marcada por uma busca desesperada, em meio a uma mistura de pânico e esperança. Essa tensão inicial frequentemente desencadeia quadros de ansiedade intensa. A ausência de um corpo ou de uma conclusão concreta deixa familiares e amigos presos a uma incerteza muito dolorosa, que impede o encerramento do processo de luto”, disse Cavalcanti.

O profissional avalia que a tecnologia com reconhecimento facial amplia a rede de proteção social, dando esperança para famílias que têm seus entes queridos desaparecidos.

“Sob uma perspectiva psicossocial, as câmeras deixam de ser apenas instrumentos de segurança e passam a representar uma chance de recomeço para famílias marcadas pelo desaparecimento. A possibilidade de reencontrar e reconhecer pessoas desaparecidas torna-se essencial não apenas para resgatar a trajetória desses sujeitos, mas também para, a partir do reencontro, reconstruir vínculos com familiares, amigos e comunidade”, disse Cavalcanti, lembrando que o desaparecimento não raro está associado a situações de sofrimento psíquico, que podem levar à migração para outras cidades ou até mesmo à experiência da vivencia de situação de rua.

“Há casos em que a pessoa não possui qualquer documento de identificação ou possibilidade de relatar de maneira conexa a sua história pregressa àquele momento”, concluiu o psicólogo.

*Pioneirismo na segurança pública*

Volta Redonda foi a primeira cidade no estado, depois da capital, a contar com a tecnologia de reconhecimento facial. O sistema funciona no município desde meados de novembro do ano passado. Através do Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública), as imagens captadas por câmeras de monitoramento da prefeitura são cruzadas com um banco de dados da Polícia Civil, que contém informações sobre pessoas procuradas pela Justiça e também desaparecidos. A partir desse cruzamento de dados, o policial em patrulhamento é alertado e faz a abordagem, conduzindo o indivíduo para a delegacia de polícia.

A execução do sistema de reconhecimento facial ocorre graças a uma parceria da prefeitura com o Governo do Estado, através de uma cooperação entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública e o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar.

O sistema de monitoramento de Volta Redonda conta hoje com mais de 2 mil câmeras – incluindo as fixas, as de leitura de placas (OCR), de reconhecimento facial e as particulares, todas integradas ao Ciosp, que funciona na Ilha São João.

“O sistema de reconhecimento facial de Volta Redonda vem se mostrando que vai muito além do combate à criminalidade. A tecnologia, que já é referência no enfrentamento à violência, também cumpre um papel social fundamental: salvando vidas e devolvendo esperança às famílias. Seguimos firmes no propósito de construir uma cidade mais segura, humana e acolhedora para todos”, destacou o prefeito Antonio Francisco Neto.

*Portal de Desaparecidos do Brasil*

Durante o 4º encontro nacional dos gestores das polícias civis, realizado nesta semana em Fortaleza-CE, foi lançado oficialmente o Portal de Desaparecidos do Brasil – uma plataforma nacional voltada ao compartilhamento integrado de informações sobre pessoas desaparecidas.

A ferramenta representa um avanço significativo no enfrentamento a um dos maiores desafios da segurança pública, permitindo que os dados sejam acessados e atualizados de forma unificada entre todas as polícias civis do país. O portal amplia a eficiência investigativa, favorece a celeridade na localização de pessoas e fortalece a cooperação interestadual.

O portal pode ser acessado por meio do site: desaparecidosbrasil.org.

Fotos: Divulgação/Semop.

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André Aquino

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