Caça, tráfico de aves e extração de palmito colocam Parque Cunhambebe em alerta
Foram apreendidos três espingardas, um revólver, diversos cartuchos e munições, além balins, pólvora e espoletas. (Foto: Divulgação)
Costa Verde – A caça predatória, a extração ilegal de palmito e o tráfico de animais silvestres seguem como os maiores inimigos da Mata Atlântica na Costa Verde. O Rio de Janeiro abriga parques e unidades de conservação essenciais para a preservação da Mata Atlântica, mas também enfrenta pressões constantes. Entre eles, estão o Parque Estadual Cunhambebe, o Parque Nacional do Itatiaia e o Parque Estadual da Pedra Selada.
Entre os parques da região, o Cunhambebe, que protege mais de 38 mil hectares, enfrenta ameaças persistentes que colocam em risco sua fauna e flora, tornando a fiscalização e o monitoramento ainda mais essenciais. Durante o último fim de semana foram realizadas novas ações de monitoramento e fiscalização integrada entre o Comando de Polícia Ambiental (CPAm) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), nos territórios de abrangência do Parque Estadual Cunhambebe (PEC) e em seu entorno imediato, com a participação da equipe da unidade de conservação e de Policiais Militares da 4ª Unidade de Polícia Ambiental (UPAm). Na ação, foram apreendidos armamentos e munições, incluindo três espingardas, um revólver, diversos cartuchos e munições, além de material destinado à recarga, como balins, pólvora e espoletas.
Operações Permanentes
As operações contemplaram tanto o monitoramento terrestre quanto o embarcado. No segundo fim de semana consecutivo de atuação no território, foi possível constatar a prática de supressão de vegetação sem as devidas licenças ambientais. O uso de drones, recurso tecnológico de grande eficiência nas ações de monitoramento e fiscalização, ampliou significativamente o alcance das áreas monitoradas e possibilitou a identificação precisa da região onde ocorreu a supressão irregular de vegetação.
As equipes também realizaram ações de ordenamento e orientação junto às pessoas que acessavam a unidade de conservação, reforçando a importância do cumprimento das normas de proteção ambiental. Os resultados alcançados evidenciam a relevância da integração entre SEAS/INEA e CPAm, indispensável para coibir ilícitos e assegurar a proteção da biodiversidade nas unidades de conservação.
Infrações Recorrentes
Segundo informações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), as infrações mais recorrentes no território são a caça predatória de animais silvestres e a captura ilegal de aves para o comércio clandestino. A operação do fim de semana também evidenciou a complexidade do trabalho de fiscalização, com equipes do Inea e da 4ª Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm) percorrendo áreas de difícil acesso e identificando pontos vulneráveis à caça e à captura ilegal de aves.
Essas práticas, embora ilícitas, ainda persistem em áreas de mata fechada, onde grupos exploram a fauna tanto para consumo quanto para venda. “Essas atividades geram pressão sobre populações naturais e comprometem os processos ecológicos que garantem o equilíbrio dos ecossistemas protegidos pelo parque”, destacou o órgão.
Entre os animais mais afetados estão o porco-do-mato (Pecari tajacu), alvo frequente de caçadores, e aves como o trinca-ferro (Saltator similis) e o tiziu (Volatinia jacarina), espécies bastante procuradas no tráfico ilegal pela capacidade de canto e pelo interesse de colecionadores.
Ameaças à flora
Na flora, a situação não é menos preocupante. A extração ilegal do palmito-juçara (Euterpe edulis) aparece como a infração mais comum. O problema é agravado porque, ao contrário de outras palmeiras, a retirada do palmito provoca a morte da planta, reduzindo gradativamente a espécie nas áreas exploradas.
Além do palmito, a coleta clandestina de bromélias, orquídeas e begônias também preocupa. Essas espécies, bastante visadas no mercado ornamental, são retiradas da floresta para abastecer colecionadores e comerciantes, muitas vezes alcançando altos valores no mercado clandestino.
Fiscalização no dia a dia
Para enfrentar o problema, o Parque Estadual Cunhambebe mantém um sistema de monitoramento constante. Guardas-parques e técnicos ambientais percorrem trilhas, zonas de vulnerabilidade e áreas de acesso frequente em busca de indícios de ilícitos ambientais.
Quando alguma irregularidade é identificada, a equipe realiza o mapeamento detalhado da ocorrência, que serve de base para operações de repressão e contenção. Essas ações muitas vezes são realizadas em conjunto com a 4ª Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm), o que permite maior alcance das operações e mais agilidade no flagrante e na responsabilização dos infratores.
Tecnologia como aliada
A fiscalização também tem investido no uso de tecnologia de ponta. O parque dispõe de imagens de satélite e de drones de alta resolução, alguns equipados com sensores térmicos, capazes de identificar movimentações suspeitas em áreas de mata fechada, supressão de vegetação e até acessos clandestinos.
Outro recurso importante é o uso de detectores de metais, que ajudam a localizar armamentos e munições enterrados, frequentemente usados por caçadores para evitar flagrantes. Esses equipamentos têm se mostrado fundamentais para aumentar a eficiência das operações.
Desafios permanentes
Apesar dos esforços, os desafios continuam. O Parque Estadual Cunhambebe possui cerca de 38 mil hectares distribuídos por diferentes municípios do Sul Fluminense, o que torna a fiscalização uma tarefa complexa. “É um trabalho que exige não apenas operações sistemáticas, mas também integração entre órgãos públicos e conscientização da população”, ressalta o Inea.
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Agatha Amorim
Caça, tráfico de aves e extração de palmito colocam Parque Cunhambebe em alerta
