Alta do petróleo amplia pressão por reajuste de combustíveis no Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

País – A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de energia e levou o preço do barril do petróleo tipo Brent a ultrapassar novamente a marca de US$ 85. Na quinta-feira (5), o contrato para maio fechou cotado a US$ 85,41, com alta de 4,93% (US$ 4,01) no dia.

O movimento reflete o aumento das tensões militares na região e os impactos logísticos provocados pela interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. A restrição na navegação elevou significativamente os custos do frete marítimo e ampliou a preocupação do mercado com o abastecimento global nos próximos meses.

Segundo estimativas da agência de classificação de risco Moody’s, as taxas médias de afretamento para superpetroleiros do tipo VLCC (Very Large Crude Carriers) alcançaram níveis recordes após a interrupção da passagem de navios pela região.

Apesar de não haver, até o momento, indicativos diretos de dificuldades no fluxo de petróleo e derivados para o Brasil, o cenário internacional aumentou a pressão de agentes do setor para que a Petrobras promova ajustes nos preços dos combustíveis.

De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem entre os preços praticados nas refinarias da estatal e os valores internacionais atingiu um dos maiores níveis dos últimos anos. Pelos cálculos da entidade, para alcançar a paridade internacional, o diesel deveria subir R$ 1,51 por litro (diferença de 47%), enquanto a gasolina teria de aumentar R$ 0,47 por litro, o equivalente a cerca de 19%.

Em nota, a Abicom afirmou que acompanhar as cotações internacionais é importante para evitar distorções no mercado. “O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, informou a entidade.

A associação ressalta ainda que os consumidores acabam expostos a diferentes níveis de preços no país. Regiões como Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sul — especialmente na área de influência do porto de Paranaguá — dependem mais de refinarias privadas ou de combustíveis importados.

Do lado das grandes distribuidoras, ainda não há alerta formal de desabastecimento. A distribuidora Ipiranga avalia que o cenário atual pode reduzir operações especulativas de importação e favorecer empresas com estrutura consolidada de fornecimento no mercado brasileiro.

Mesmo assim, representantes do varejo já relatam aumento de custos. A Fecombustíveis informou que as distribuidoras começaram a elevar os preços de fornecimento aos postos, possivelmente em razão do encarecimento do petróleo no mercado internacional e dos custos de importação.

Historicamente, períodos de congelamento ou atraso no repasse das altas externas não provocaram desabastecimento no país. Contudo, a manutenção de preços abaixo da paridade internacional impacta diretamente o desempenho financeiro da Petrobras, reduzindo potencialmente o pagamento de dividendos à União e aos acionistas minoritários.

Esse risco já começa a aparecer no mercado financeiro. Enquanto empresas petrolíferas privadas acompanham a valorização do barril no exterior, as ações da Petrobras registraram queda nas negociações de quinta-feira (5).

A expectativa do mercado agora se volta para a divulgação dos resultados financeiros da companhia e para as declarações da diretoria da estatal, que deve comentar o cenário internacional e a política de preços em reunião com analistas e imprensa nesta sexta-feira (6). Enquanto isso, integrantes do governo avaliam que a alta do petróleo pode favorecer a balança comercial brasileira, já que o produto foi o principal item das exportações do país nos últimos dois anos.

Osmar Neves

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