Brasil avança em saneamento, mas desigualdade entre estados ainda é grande

Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil

País – O Brasil registrou avanços em saneamento nos últimos anos, mas os dados revelam um cenário desigual entre as 27 unidades da federação. O estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025”, elaborado pela GO Associados e divulgado pelo Instituto Trata Brasil, utilizou informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) para avaliar a evolução de três indicadores estaduais entre 2019 e 2023: abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, os desafios para universalizar o saneamento até 2033 passam pelo aumento dos investimentos e pela regularização dos contratos. “Os principais entraves estão relacionados a ainda existirem contratos irregulares. O estudo apontou que nós temos 363 municípios com contratos irregulares, 6,7 milhões de pessoas vivem nesses municípios com contratos irregulares, onde o investimento médio é de R$ 53 por ano por habitante apenas. Então, esse é um ponto importante porque só haverá perspectiva de universalização nesses locais caso haja um contrato estabelecido, haja um maior aporte de investimentos”, afirma.

Abastecimento de água

Nenhuma unidade da federação atingiu a meta do Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê cobertura de 99% da população. A maior evolução registrada foi no Ceará, com avanço de 19,92%. O Distrito Federal é o estado mais próximo da meta, com 97,04% da população atendida, enquanto o Amapá é o que apresenta a menor cobertura, com apenas 40,14%.

Coleta de esgoto

A coleta de esgoto é o indicador mais crítico do saneamento no país. Apenas São Paulo alcançou a meta do Marco Legal, com 91,54% da população atendida. Entre os estados que mais evoluíram nos últimos anos, destaca-se o Piauí, com aumento de 19,24 pontos percentuais. Apesar do progresso, Acre e Amapá registram cobertura de esgotamento sanitário inferior a 10%, com 8,75% e 4,93%, respectivamente.

Tratamento de esgoto

O tratamento de esgoto continua sendo o indicador mais atrasado. Apenas Roraima e o Distrito Federal atingiram a meta da NBR 9.649/1986, que estabelece tratamento de 80% do volume de água consumida, com índices de 81,96% e 81,26%, respectivamente. O Rio de Janeiro apresentou a maior evolução recente, com ganho de 23,51 pontos percentuais, enquanto o Amapá é o único estado que trata menos de 10% do esgoto gerado.

O estudo reforça que, embora o Marco Legal do Saneamento tenha contribuído para avanços, a universalização do setor até 2033 exigirá aceleração nos investimentos, regularização dos contratos e redução das desigualdades regionais. Com informações do Brasil 61.

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Agatha Amorim
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