Disque Denúncia divulga cartaz de seis procurados por envolvimento na invasão da Vila Brasília, em Volta Redonda

O Disque Denúncia divulgou, nesta quinta-feira (5), em parceria com a 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda, um cartaz com os nomes de seis homens procurados pela Justiça, investigados por participação na tentativa de invasão do Complexo da Vila Brasília, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. Segundo as investigações, os suspeitos são ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV) e teriam participado de uma ofensiva para tomar pontos de venda de drogas controlados pelo Terceiro Comando Puro (TCP).

De acordo com a Polícia Civil, a ação teria sido planejada por Manoel Cinqueni Pereira, conhecido como “Paulista da Penha”, que teria recrutado criminosos do Complexo da Penha, do Complexo do Alemão e integrantes do CV de Volta Redonda. A localização estratégica da Vila Brasília, com rotas terrestres que poderiam facilitar o transporte de drogas, teria despertado o interesse da facção.

O inquérito conduzido pela 93ª DP investiga possíveis crimes de organização criminosa armada, associação para o tráfico de drogas, posse e porte ilegal de armas de uso restrito, disparos de arma de fogo e outros delitos relacionados à disputa territorial.

Quem são os seis procurados

Manoel Cinqueni Pereira, o “Paulista da Penha”, “Carioca” ou “Cariri”, de 37 anos: apontado pela investigação como principal articulador da invasão. Segundo a polícia, ele possui atuação no Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, além de conexões com Ribeirão Preto, em São Paulo. A sigla “PL”, relacionada ao seu apelido, seria utilizada em armamentos pertencentes ao grupo criminoso. Contra ele, existem oito mandados de prisão.

Renan James Carvalho Tavares, conhecido como “Malandrex”, “Satã” ou “Sadã”, de 36 anos: é investigado por supostamente ter saído da capital fluminense para participar da ofensiva em Volta Redonda. Um recibo de pedágio encontrado em um dos veículos utilizados na ação é apontado como um dos elementos que indicam o deslocamento de criminosos do Rio de Janeiro. Ele é considerado foragido do sistema penitenciário desde maio de 2025, quando não retornou à unidade prisional após receber o benefício de Visitação Periódica ao Lar (VPL). Possui três mandados de prisão em aberto.

Cauã Santos Silva, conhecido como “El Chapo”, de 22 anos: foi identificado pela investigação a partir de vídeos e publicações em redes sociais relacionados aos confrontos na Vila Brasília. Segundo a polícia, ele possui registros anteriores de passagem pelo sistema prisional, incluindo uma prisão por tráfico de drogas em Angra dos Reis, em junho de 2026, quando posteriormente obteve liberdade provisória.

Allyson Ryan dos Santos Graciano Ferreira, de 23 anos: aparece, segundo os investigadores, em publicações nas redes sociais exibindo armas de grosso calibre e comemorando acontecimentos relacionados à disputa territorial. Esse material integra os elementos analisados pela Polícia Civil.

Jardeson Simplício da Silva, de 20 anos: teria sido identificado em imagens conduzindo uma motocicleta enquanto portava um fuzil. Ele foi preso por tráfico de drogas em dezembro de 2024, em uma ação da 93ª DP, e estava em liberdade desde setembro de 2025. Contra ele, existem dois mandados de prisão, sendo um deles por homicídio.

Weverton Martins Alves, conhecido como “Monstrinho”, de 39 anos: foi identificado, conforme a investigação, portando uma arma de longo alcance durante a ação criminosa. Ele possui antecedentes por tráfico de drogas e registros de passagem pelo sistema prisional.

Confrontos deixaram três mortos e atingiram 14 bairros

A disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro começou no dia 25 de outubro e provocou uma onda de violência em Volta Redonda.

Segundo as informações divulgadas, os confrontos resultaram em três mortes e duas pessoas feridas. Veículos foram incendiados, estabelecimentos comerciais encerraram suas atividades antecipadamente e moradores enfrentaram momentos de medo e insegurança.

Nos dias seguintes, os episódios de violência se espalharam por diferentes regiões do município, atingindo, direta ou indiretamente, 14 bairros.

Diante da gravidade da situação, a Polícia Militar reforçou o policiamento no Complexo da Vila Brasília. A operação, iniciada em 25 de outubro, passou a contar com equipes do 28º BPM, apoio de outras unidades, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Ações com Cães (BAC).

Conforme a investigação, a tentativa de invasão não teria sido uma ação isolada, mas uma operação articulada, envolvendo o deslocamento de criminosos de outras regiões, utilização de armamento de grosso calibre, grande quantidade de munições, ataques a agentes de segurança pública e incêndios criminosos.

A Polícia Civil também apura a utilização das redes sociais para divulgar ações e demonstrar o poder de atuação dos grupos envolvidos.

Suspeita de participação de policiais também é investigada

Outro desdobramento da investigação envolve a suspeita de que policiais militares possam ter facilitado a tentativa de invasão da Vila Brasília.

A Corregedoria da Polícia Militar e a 93ª DP investigam a possível participação de agentes de segurança nos acontecimentos.

Durante as apurações, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a seis policiais militares. Celulares e computadores foram apreendidos para análise.

Os agentes investigados foram retirados do policiamento ostensivo na região e transferidos para outras unidades, enquanto prosseguem as investigações.

Quatro suspeitos locais já foram presos

Além dos seis homens identificados no cartaz divulgado pelo Disque Denúncia, a 93ª DP já prendeu quatro suspeitos de envolvimento com o tráfico local.

Segundo a Polícia Civil, eles teriam prestado apoio operacional e logístico aos integrantes da facção que tentaram assumir o controle dos pontos de venda de drogas na Vila Brasília.

As investigações continuam, e novos mandados judiciais poderão ser solicitados nos próximos dias, conforme o avanço das apurações.

A equipe da 93ª DP trabalha para esclarecer toda a dinâmica da invasão, identificar os demais envolvidos e responsabilizar os participantes da ação criminosa.

Disque Denúncia pede ajuda da população

O Disque Denúncia solicita informações que possam auxiliar as forças de segurança a localizar os seis procurados.

As denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais:

  • Telefone: (21) 2253-1177
  • WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177
  • Outro telefone: 0300-253-1177
  • Aplicativo: Disque Denúncia RJ

O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e o anonimato dos denunciantes é garantido pelo serviço.

A população não deve tentar abordar os procurados. Qualquer informação sobre o paradeiro dos investigados deve ser repassada às autoridades pelos canais oficiais.

 

Informa Cidade

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