Vegas monitora 35 mil câmeras e leva inteligência artificial à segurança privada
Volta Redonda
Juliano Delzi e Gil Duque
Os gestores da Vegas Vigilância e Segurança, Juliano Delzi e Gil Duque, participaram de podcast nos estúdios do grupo Pansart de Comunicação, em Volta Redonda, e concederam entrevista ao editor chefe do Diário do Vale, Vinícius Ramos. Durante quase uma hora de conversa, apresentaram a operação da empresa, detalharam o uso de inteligência artificial na proteção de clientes e comentaram o avanço de um setor que movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano no Brasil e gera quase meio milhão de empregos.
Fundada há nove anos na cidade, a Vegas atende hoje 45 cidades em cinco estados, reúne aproximadamente 5 mil clientes monitorados 24 horas e opera com 500 funcionários diretos e indiretos. São 35 mil câmeras sob monitoramento, controladas a partir de uma central própria em Volta Redonda que funciona ininterruptamente, com equipes em turno e um setor exclusivo de CFTV dedicado a atender solicitações de clientes e ofícios da Justiça e de delegacias.
Para os gestores, o crescimento do setor tem explicação direta. Segundo Juliano Delzi, o empresário brasileiro busca hoje muito mais controle da própria operação, e não apenas proteção contra furto. “O empresário está cada vez mais se profissionalizando. Quem não está se profissionalizando está morrendo no caminho”, afirmou. Ele informou que 90% da carteira da empresa é formada por pequenas e médias empresas.
Da guarita ao algoritmo
O ponto central da entrevista foi a mudança de lógica do setor. No modelo tradicional, o alarme dispara e a empresa reage. A Vegas afirma já operar em um estágio anterior a isso, com inteligência artificial embarcada nas câmeras externas dos clientes.
São cerca de 20 analíticos disponíveis por câmera, parametrizados conforme a rotina de cada contratante. Um exemplo citado na conversa: das 22 horas às 5 da manhã, se alguém permanecer parado no portão por mais de 10 segundos, o sistema dispara alerta automático para a central, antes que qualquer coisa aconteça.
“Mais importante do que atuar na hora do disparo é se antecipar a isso”, resumiu Juliano Delzi.
A mesma tecnologia já é aplicada fora do escopo tradicional da segurança. Em uma rede de supermercados atendida pela empresa, a câmera identifica excesso de pessoas na fila e aciona o gerente para abrir novos caixas. Em outra, uma linha virtual sobre a área de pães avisa quando o produto está acabando. Em um cliente de transporte refrigerado, sensores instalados nos baús e ligados ao rastreador passaram a avisar sempre que o motorista desligava o caminhão e a temperatura da carga começava a subir.
“A gente vai na dor do cliente”, disse Juliano.
Alarme que corta hora extra e evita prejuízo
Alguns dos casos relatados mostram o monitoramento atuando sobre gestão, e não apenas sobre crime.
Em uma rede com 16 lojas, o cliente convivia com excesso de horas extras porque as equipes permaneciam no local muito depois do fechamento. A Vegas configurou um autoarme para as 23 horas. O resultado foi uma redução expressiva de hora extra, já que a equipe passou a ter prazo definido para encerrar o expediente.
Em padarias e mercados, o sistema envia alerta de queda de energia. Antes disso, era comum o empresário chegar pela manhã e encontrar um freezer inteiro perdido durante a madrugada. Em outro caso, o alarme foi parametrizado para avisar sempre que houvesse desarme fora do horário previsto, mesmo com senha válida, o que permitiu identificar desvios internos.
A empresa mantém ainda backup das imagens em nuvem, o que preserva o registro mesmo quando o equipamento gravador é levado durante o furto.
Integração com a segurança pública
A operação está conectada ao esforço público de monitoramento em Volta Redonda. Segundo os gestores, as empresas de segurança da região integram um grupo de resposta rápida junto à Ordem Pública, com patrulha comercial ativa 24 horas, o que encurta o tempo entre a identificação da ocorrência e a chegada ao local. Os acessos às imagens dependem sempre de autorização do cliente.
Na cidade, a Vegas mantém duas viaturas rodando 24 horas e registra tempo médio de chegada inferior a 10 minutos nos disparos de alarme. A integração já gerou resultado concreto: uma câmera da empresa contribuiu para a identificação, em Volta Redonda, de um foragido procurado pela Interpol.
Os gestores destacaram também uma mudança recente de marco regulatório. Segundo eles, o novo decreto do governo federal passou a submeter as empresas de segurança eletrônica à fiscalização da Polícia Federal, o que antes não ocorria, e abriu a possibilidade de atuação da vigilância privada em áreas públicas, como praças, rodoviárias e transporte coletivo. A Vegas já presta serviço para cerca de oito prefeituras da região.
“Aquelas empresas menores que não têm o devido trato com a confidencialidade das imagens do cliente vão ter que se adaptar”, avaliou Juliano.
Cinco agentes de inteligência artificial dentro de casa
A tecnologia também foi voltada para dentro. A empresa criou um setor próprio de desenvolvimento e inovação, mantém quatro aplicativos desenvolvidos internamente, com um quinto em lançamento, e opera cinco agentes de inteligência artificial nas áreas comercial, financeira, de monitoramento, de recursos humanos e jurídica.
O agente de recursos humanos interage diretamente com os profissionais em campo, avisa sobre registro de ponto, alerta quando o vigilante está há mais de seis horas sem descanso e responde tanto por texto quanto por áudio. O agente comercial atende 24 horas e agenda reunião mesmo em contato feito de madrugada.
“A inteligência artificial não veio na nossa empresa para substituir ninguém. Ela veio para complementar, para a gente conseguir ganhar escala”, afirmou Gil Duque. Juliano relacionou a decisão ao limite físico do crescimento. A empresa já fez três ampliações na sede atual e constrói uma nova unidade de 1.500 metros quadrados, com estacionamento para 50 viaturas. “Se a gente não começar a treinar melhor as pessoas
que tem aqui e auxiliar essas pessoas com a inteligência artificial, a gente vai travar o nosso crescimento”, disse.
Paraguai, China, drones e robôs
A empresa montou uma base no Paraguai, voltada principalmente ao desenvolvimento e à montagem de produtos próprios sob a Lei de Maquila, e mantém agenda frequente de negócios na China, onde busca tecnologia ainda não disponível no mercado brasileiro.
Entre os projetos em teste estão drones para ronda autônoma, pulverização agrícola e lavagem de fachada de prédios, além de robôs de limpeza de fabricação chinesa. Os robôs já operam em contratos no Rio de Janeiro e em Niterói, em turno noturno, no mesmo modelo que a empresa aplica nas câmeras: o cliente testa por um mês e só fecha contrato se aprovar o resultado.
“A gente enxerga a oportunidade e pula na frente”, disse Juliano.
Quanto custa começar
Para o cliente que ainda não tem nada instalado, a recomendação da empresa é o combo de entrada com alarme monitorado e câmeras, em faixa de R$ 200 a R$ 300 por mês, com equipamento em comodato. Na prática, o contratante não compra equipamento, não imobiliza capital e não assume manutenção. Se o sistema parar, se queimar por descarga elétrica ou apresentar falha, a própria central identifica e abre a ordem de serviço.
O portfólio inclui vigilância armada, portaria, controle de acesso, bombeiro civil, segurança de eventos, alarme monitorado com botão de pânico, CFTV com inteligênciaartificial, rastrea ento de frota e facilities.
“O nosso negócio não tem fronteira”, disse Gil Duque.
Ao encerrar, Juliano deixou um recado direto ao mercado. “Dê uma oportunidade à gente, você que está insatisfeito com o seu atual fornecedor. A Vegas é uma empresa que trabalha incessantemente para melhorar a operação e a eficiência do cliente.” Gil completou: “Confie em nós que o serviço vai acontecer.”
Serviço
A entrevista completa está disponível no canal do Diário do Vale no YouTube. A Vegas Vigilância e Segurança mantém central de atendimento 24 horas em Volta Redonda e atende empresas, condomínios, órgãos públicos e residências em 45 cidades.
Site: https://www.vegasvigilancia.com.br/
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