Tratador dedica 50 anos aos cuidados com animais do Zoo-VR

Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR

Volta Redonda – Antes mesmo de o Parque Zoológico Municipal de Volta Redonda (Zoo-VR) abrir as portas para os visitantes, Francisco Carlos de Oliveira, conhecido como Sr. Carlinhos, já está trabalhando. Aos 65 anos, ele chega ao local às 5h e começa uma rotina que conhece há cinco décadas: preparar a alimentação, limpar os recintos e cuidar dos animais.

Servidor aposentado da Prefeitura de Volta Redonda, Carlinhos continua trabalhando no zoológico, onde iniciou sua trajetória profissional ainda jovem. Ao longo dos anos, acumulou experiência no manejo dos animais e nos cuidados necessários para garantir o bem-estar das espécies mantidas no local.

“Quando eu comecei a trabalhar na prefeitura já vim para o zoo, já mexendo com os animais. Comecei a tratar, sempre com o pessoal, ajudando a anestesiar. Tudo que eu posso fazer com os animais eu faço”, conta.

Rotina começa antes da abertura

O expediente começa na cozinha do zoológico, onde Carlinhos organiza e prepara a alimentação dos animais. Depois, ele segue para os recintos, realiza a limpeza dos espaços e distribui os alimentos.

A alimentação segue uma rotina de acordo com as características de cada espécie. Os animais que comem frutas recebem os alimentos pela manhã, enquanto os que se alimentam de carne são tratados à tarde.

Durante a limpeza e a colocação da comida, os tratadores utilizam a estrutura dos recintos para manter uma separação segura entre eles e os animais.

“Eles vão acostumando com a gente e também tem uma repartição, que o animal fica de um lado e a gente do outro. No momento que a gente vai colocar a alimentação, a gente fecha uma porta e depois abre para ele poder se alimentar”, explica.

A lembrança do chimpanzé

Entre as histórias que Carlinhos guarda dos mais de 50 anos de trabalho está a convivência com um chimpanzé que viveu no Zoo-VR.

O tratador acompanhou o animal desde a chegada ao zoológico e conta que os dois desenvolveram uma relação de proximidade. Segundo ele, o chimpanzé era observador e costumava testar os profissionais responsáveis pelos cuidados.

“Você colocava a comida para ele, fechava o cadeado e ele ia testar para ver se o cadeado estava fechado ou não”, lembra.

Em uma ocasião, o animal conseguiu escapar do recinto e precisou ser recuperado pela equipe. Carlinhos acompanhou a situação e também guarda lembranças da convivência diária.

“Eu me apeguei muito ao chimpanzé, que eu cuidei dele desde quando chegou aqui. Eu brincava com ele, ia ao recinto até no horário de almoço para ficar com ele”, recorda.

O animal também observava o trabalho realizado pelo tratador e chegou a reproduzir alguns dos movimentos.

“Ele via eu lavar o recinto, prestava atenção. Ele pegava o cabo de vassoura e esfregava o chão. Era muito legal”, conta.

Foto: Cris Oliveira – Secom/PMVR

Uma profissão que virou parte da vida

Depois de cinco décadas trabalhando no zoológico, Carlinhos diz que não trocaria de profissão. Mesmo após se aposentar, decidiu continuar trabalhando com os animais.

“Eu gosto muito da minha profissão, do momento que estou aqui dentro, me dedico muito. Com certeza eu não trocaria de profissão”, afirma.

Fora do ambiente de trabalho, a profissão ainda costuma despertar curiosidade.

“Às vezes quando eu chego em algum lugar para poder fazer uma ficha de alguma coisa e as pessoas perguntam minha profissão e eu falo tratador de animais, as pessoas ficam surpresas, porque nunca viram”, relata.

A trajetória de Sr. Carlinhos mostra uma rotina que acontece antes da chegada dos visitantes e que é fundamental para o funcionamento do Zoo-VR. Enquanto o público chega para conhecer os animais, o tratador já cumpriu parte da jornada: preparar a alimentação, limpar os recintos e cuidar dos animais que fazem parte de sua história há cinco décadas.

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luciano junior

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