EXCLUSIVO: Quadrilha faz vítimas reféns por seis horas em sequência de roubos em BM

Foto: Polícia Civil

Barra Mansa – Uma sequência de roubos e sequestros manteve quatro vítimas sob o domínio de criminosos armados por cerca de seis horas, na madrugada desta sexta-feira (18), em Barra Mansa. A ação começou no bairro Santa Clara e terminou somente pela manhã, no bairro Roma, em Volta Redonda, onde dois homens foram libertados. Duas mulheres conseguiram fugir durante uma colisão na BR-393.

Informações obtidas pelo Diário do Vale na 90ª DP (Barra Mansa) e os relatos das vítimas permitem reconstruir a sequência dos crimes. Uma das primeiras abordagens ocorreu quando um comerciante deixava um estabelecimento acompanhado de duas funcionárias.

Os três estavam em um Toyota Corolla quando foram surpreendidos nas proximidades do Santa Clara. Segundo o relato prestado pelo comerciante, dois veículos participaram do cerco. Um veio pela frente, na contramão, enquanto outro passou e fechou o Corolla por trás.

Homens armados desembarcaram e renderam os ocupantes. Um dos veículos utilizados pelo grupo era um Fiat Fastback, que, conforme informações levantadas durante a investigação, seria clonado.

O comerciante foi retirado do banco do motorista e colocado no banco traseiro do próprio Corolla, junto com as duas funcionárias. Os criminosos assumiram o veículo.

A partir daquele momento, as três vítimas passaram a circular sob o controle dos criminosos. O comerciante contou que foi obrigado a cobrir o rosto com a própria camisa, o que o impediu de identificar os locais por onde passavam.

Dentro do carro, os criminosos davam ordens para que ninguém reagisse. Segundo a vítima, eles afirmavam que, caso todos colaborassem, nada aconteceria.

“Só sei que eles estavam falando que, se a gente colaborasse, a gente ia ficar tranquilo, não ia morrer nem nada”, relatou uma das vítimas.

Segundo motorista é sequestrado

Na mesma madrugada, outro homem também foi vítima do grupo. Ele havia ido à casa dos pais para assistir a uma partida de futebol e, por volta de 0h30, retornava para sua residência, na Rodovia Presidente Vargas, trecho urbano da RJ-155, na região do Santa Clara.

Quando chegava em casa, foi abordado por homens armados. O Mitsubishi Eclipse que dirigia foi roubado e ele também foi levado pelos criminosos.

As informações reunidas pela polícia indicam que o Fastback também teria participado dessa abordagem. Câmeras de segurança existentes na região são analisadas para esclarecer a movimentação do grupo.

O motorista do Eclipse acabou sendo mantido dentro do porta-malas de um dos veículos.

Foto: Polícia Civil

Tentativa de outro roubo termina em acidente

A sequência criminosa continuou pela madrugada. Por volta das 2h, os assaltantes chegaram ao km 295 da BR-393, próximo ao bairro 9 de Abril, ainda com o comerciante e as duas funcionárias dentro do Corolla.

Segundo a ocorrência, os criminosos tentaram roubar um Volkswagen Nivus que passava pela rodovia. A abordagem não saiu como planejado e houve uma colisão entre o Nivus e o Corolla.

Com a confusão, as duas funcionárias conseguiram fugir. Os homens armados abandonaram o Corolla, mas não deixaram o comerciante para trás. Ele foi levado para outro veículo utilizado pelo grupo.

Foi nesse momento que o comerciante percebeu que havia outra pessoa sequestrada.

“Lá já estava o outro rapaz dentro, no porta-malas”, contou.

Enquanto a segunda vítima permanecia no porta-malas, o comerciante foi colocado no banco traseiro. Os criminosos continuaram circulando com os dois homens.

“Quando vi, três carros vieram voados e me fecharam”

O motorista do VW Nivus relatou os momentos de tensão antes de o veículo capotar. Ele retornava de Campinas e seguia viagem quando percebeu a aproximação dos carros.

“Quando cheguei ali no 9 de Abril, vieram três carros voados e me fecharam, já abriram as portas e foram para me render”, contou.

Ao perceber a tentativa de abordagem, o motorista acelerou e tentou entrar em uma rua próxima para escapar. Segundo ele, um dos veículos que vinha atrás acompanhou a manobra em alta velocidade.

“Na hora que eu virei, ele jogou o carro em cima de mim. Estourou meu carro, capotei e fiquei preso”, relatou.

O motorista conseguiu sair se arrastando do Nivus. Como os criminosos hesitaram em persegui-lo, ele correu para uma área de mata. Moradores começaram a aparecer após ouvirem o barulho da colisão, e o grupo fugiu.

Somente depois, com a chegada da polícia, o motorista descobriu que o carro que havia atingido o Nivus estava sendo usado numa sequência de roubos e sequestros investigada pela 90ª DP. Apesar da violência do acidente, ele não sofreu ferimentos graves. O Nivus ficou destruído.

Ameaças e dinheiro retirado das vítimas

Durante as horas seguintes, os reféns permaneceram sob ameaça. O comerciante relatou que os criminosos não ficaram o tempo inteiro com a arma apontada diretamente para ele, mas deixavam claro o que poderia acontecer caso tentasse reagir.

“Eles falavam para a gente não mexer, senão iam atirar”, contou.

Além dos veículos, os criminosos levaram celulares e conseguiram movimentar dinheiro das contas das vítimas. Informações apuradas pelo Diário do Vale indicam transferências realizadas via Pix e utilização de cartão de crédito em um posto de combustíveis.

Os valores ainda estão sendo consolidados pela investigação. Há informação de movimentações que, somadas, podem superar R$ 20 mil, mas a Polícia Civil trabalha para estabelecer exatamente quanto foi retirado de cada vítima e quais operações foram realizadas durante o período do sequestro.

Libertados pela manhã no Roma

O cárcere terminou somente pela manhã. Os dois homens foram deixados no bairro Roma, depois de permanecerem horas em poder dos assaltantes.

Após serem libertados, tiveram de seguir a pé até encontrar ajuda. Segundo o comerciante, os dois caminharam até chegar à rodovia, onde encontraram um caminhoneiro parado. Eles pediram um telefone emprestado para avisar às famílias que estavam vivos.

Uma das vítimas não conseguia se lembrar de nenhum número de telefone de cabeça depois das horas de tensão. O outro homem conseguiu telefonar para familiares, que foram até o local buscá-los.

As vítimas foram posteriormente encaminhadas para a 90ª DP, onde prestaram depoimento e forneceram novos detalhes para a investigação.

Fastback é identificado no Rio

A Polícia Civil procura reconstruir toda a rota utilizada pelos criminosos e identificar os integrantes do grupo. Um dos principais elementos da investigação é o Fiat Fastback apontado como utilizado nos roubos.

Depois dos crimes em Barra Mansa, o veículo foi identificado por uma câmera de controle de tráfego passando pela Pavuna, na cidade do Rio de Janeiro.

As informações apuradas até o momento indicam a participação de vários homens armados na sequência de crimes. A polícia também investiga a procedência dos veículos utilizados como apoio e o destino dos automóveis roubados.

O caso está concentrado na 90ª DP de Barra Mansa. A investigação busca identificar os responsáveis pelos roubos e sequestros, rastrear as movimentações financeiras realizadas durante o cárcere e recuperar os bens levados das vítimas.

Foto: Vinicius Ramos/Diário do Vale

Perícia busca impressões digitais para identificar criminosos

A Polícia Civil realizou perícia papiloscópica em um dos veículos envolvidos na sequência de roubos e sequestros em Barra Mansa. O objetivo é localizar impressões digitais e outros vestígios deixados pelos criminosos durante a ação.

O trabalho do perito papiloscopista se concentra em superfícies que possam ter sido tocadas pelos assaltantes. As impressões eventualmente reveladas podem ser analisadas e confrontadas com registros existentes, auxiliando na identificação dos envolvidos.

A perícia integra as investigações conduzidas pela 90ª DP (Barra Mansa), que também analisa imagens de câmeras, movimentações dos veículos e informações fornecidas pelas vítimas para reconstruir a atuação da quadrilha.

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luciano junior

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