Assistência Social de Volta Redonda amplia capacitação e transforma aprendizado em trabalho e renda

Egressas do Programa de Inclusão Produtiva continuam se aperfeiçoando, tiram dúvidas com instrutoras e já atendem a população

As oficinas oferecidas pelo Programa de Inclusão Produtiva da Prefeitura de Volta Redonda, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), não termina quando as oficinas chegam ao fim. As usuárias que já passaram pelas oficinas de beleza continuam tendo oportunidades de aperfeiçoar as técnicas, tirar dúvidas e ganhar experiência prática, enquanto começam a transformar o conhecimento adquirido em trabalho e renda. Nessa quinta-feira, dia 17, essa proposta ganhou destaque durante um Dia da Beleza realizado no Centro de Inclusão Produtiva (CIP) Vila Rica, que reuniu instrutoras, usuárias e participantes que já concluíram as oficinas.

Um dos destaques da atividade foi o treinamento de aperfeiçoamento em design de sobrancelhas, criado pela instrutora Fernanda Leme da Silva para participantes que já concluíram as oficinas. Atualmente, dez usuárias fazem parte do grupo. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de ampliar a prática e dar mais segurança para quem pretende trabalhar na área.

A oficina regular de design de sobrancelhas tem duração de três meses e acontece uma vez por semana. No treinamento de continuidade, as participantes aprofundam conhecimentos e praticam com diferentes modelos, aprendendo a lidar com características e necessidades específicas de cada pessoa.

“É um treinamento para as alunas que já fizeram as oficinas com a gente e que, às vezes, ainda ficaram com alguma insegurança ou tiveram pouca oportunidade de praticar com modelos. A sobrancelha é algo muito importante, porque quando um trabalho é feito de maneira errada, a pessoa olha no espelho e não se reconhece. Por isso, precisamos estudar diferentes tipos de sobrancelhas e aperfeiçoar o mapeamento e a marcação”, explicou Fernanda.

Além de aprender novas técnicas, as participantes são estimuladas a atender o público. A prática, acompanhada pelas instrutoras, permite que elas desenvolvam experiência e confiança para atuar profissionalmente. Os atendimentos também podem acontecer nos três CIPs do município, de acordo com as atividades desenvolvidas em cada unidade.

“São usuárias que já estão atendendo. A gente incentiva esse atendimento ao público, porque é justamente na prática que elas conseguem aperfeiçoar o que aprenderam”, acrescentou a instrutora.

A experiência já faz parte da rotina de Hadassa de Oliveira, de 15 anos, moradora do Monte Castelo. “Eu sempre gostei de maquiagem e da área de estética, e tinha vontade de aprender mais sobre sobrancelhas. A oficina me ajudou muito e hoje já faço atendimentos em casa. Com o dinheiro que ganho, consigo comprar meus materiais e continuar praticando, porque quero aprender cada vez mais e melhorar o meu trabalho”, contou Hadassa.

Artesanato também vira possibilidade de renda

O Dia da Beleza também mostrou outras possibilidades oferecidas pelo Programa de Inclusão Produtiva. No CIP Vila Rica, uma das atividades é a oficina de artesanato em feltro, ministrada pela instrutora Darcelei Maria Vidal. As oficinas acontecem às quintas-feiras, das 9h às 11h e das 14h às 16h. Atualmente, 15 usuárias participam da oficina, que tem duração de três meses. Durante as atividades, elas aprendem a trabalhar com moldes e a confeccionar diferentes peças, que podem ser comercializadas posteriormente.

Segundo a instrutora, algumas participantes já conseguiram transformar o aprendizado em uma fonte de renda. Uma das usuárias, por exemplo, chegou a vender mais de 40 guirlandas de Natal em uma única temporada.

A oficina também se tornou um espaço de convivência e novas descobertas para mulheres que encontraram no artesanato uma forma de sair da rotina e desenvolver novas habilidades. É o caso de Alessandra da Silva Almeida, de 50 anos, moradora do Jardim Vila Rica, que participa das atividades há cerca de nove meses.

“Quando comecei, queria sair um pouco de casa, ocupar minha cabeça e conhecer pessoas. Acabei encontrando muito mais do que isso. Aprendi a fazer guirlandas, casinha de Natal, pinguim, vaca de porta-saco e várias outras peças. Hoje já participo de feirinhas e vendo chaveiros, guirlandas e outros trabalhos que faço. É muito gratificante perceber que aquilo que a gente aprende aqui pode virar uma renda. E, além disso, fazer essas atividades me faz muito bem”, contou Alessandra.

Beleza, criatividade e autonomia

Além do design de sobrancelhas e do artesanato em feltro, o Dia da Beleza contou com atividades de cabeleireiro, manicure e massagem. A programação também envolveu trabalhos das oficinas de costura criativa e corte e costura, ampliando o contato dos participantes com diferentes possibilidades de qualificação. A proposta foi reunir os conhecimentos desenvolvidos nas oficinas em uma atividade prática, especialmente para os usuários que estavam concluindo, além de permitir que quem já passou pelas oficinas continuasse aprimorando suas técnicas.

Para a coordenadora do CIP Vila Rica, Maria Helena de Oliveira, acompanhar a transformação dos participantes ao longo desse processo é um dos principais resultados do trabalho desenvolvido na unidade. “É muito gratificante ver as usuárias chegando aqui de uma situação e, depois, dizerem que se transformaram, que mudaram e encontraram um diferencial na vida. Muitas conseguem emprego ou desenvolvem outra atividade, evoluem e passam a se posicionar no mercado de trabalho. É um trabalho que começou a ser construído e que hoje a gente vê acontecendo.”

A subsecretária de Assistência Social, Larissa Garcez, destacou a importância de iniciativas que unem qualificação, autonomia e convivência. “A Inclusão Produtiva trabalha com uma perspectiva que vai além de ensinar uma técnica. É oferecer ferramentas para que as pessoas possam ampliar suas possibilidades, fortalecer a autonomia e construir novos caminhos. Quando vemos uma aluna que continua se aperfeiçoando, atende a população e começa a gerar renda com aquilo que aprendeu, conseguimos enxergar na prática o resultado desse trabalho”, disse Larissa.

Para a secretária municipal de Assistência Social, Rosane Marques, as atividades representam uma oportunidade de transformar conhecimento em novas perspectivas. “A qualificação profissional pode fazer diferença na vida das pessoas quando vem acompanhada de oportunidade e incentivo. O que vemos no Programa de Inclusão Produtiva é justamente esse processo: pessoas aprendendo, praticando, compartilhando conhecimento e descobrindo que podem transformar uma habilidade em uma possibilidade de trabalho e renda. Esse é um dos propósitos da Assistência Social: contribuir para que as pessoas tenham mais autonomia e novas oportunidades”, afirmou Rosane.

Fotos: Cleber da Silva – Smas.
Secom/PMVR

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