Chico Chico lança primeiro livro e revela poesia além das canções
Foto: Divulgação
Chico Chico apresentou “Pequenos Sigilos”, seu primeiro livro, em encontro na UFRJ
Rio de Janeiro – Entre versos, memórias e reflexões sobre a existência, Chico Chico apresentou nesta quinta-feira (11) seu primeiro livro, Pequenos Sigilos, publicado pela Ação Editora. O lançamento aconteceu na Livraria Machado e Cia., anexa à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em um encontro com estudantes e leitores que revelou um lado menos conhecido do músico: o de escritor.
A apresentação foi mediada por Rafael Julião, professor e pesquisador da Faculdade de Letras da UFRJ. Visivelmente nervoso diante da estreia literária, Chico Chico falou sobre a sensação de transformar uma produção até então mais íntima em uma obra aberta à interpretação dos leitores.
O artista definiu o momento como uma espécie de “vergonha bonita” e contou que não está acostumado com esse tipo de exposição. A relação com a escrita, no entanto, é antiga.
“Eu sempre gostei de escrever, mas nunca tive essa preocupação de que a literatura era o meu trabalho”, afirmou.
Entre a música e a literatura
Conhecido principalmente pela trajetória na música, Chico Chico explicou que a poesia ocupa um espaço diferente em seu processo criativo. Para ele, escrever versos permite experimentar outro ritmo e outras possibilidades de expressão.
Pequenos Sigilos reúne poesias, poemas e minitextos produzidos em diferentes períodos. Parte desse material foi escrita antes mesmo de existir a intenção de transformar os textos em um livro.
A obra também estabelece uma aproximação natural entre duas linguagens que fazem parte da trajetória do autor: a canção e a poesia. Os textos não seguem necessariamente a métrica tradicional e exploram ritmo, pausas e musicalidade de maneira livre.
Infância, natureza e existência
Durante o encontro na UFRJ, os estudantes participaram da conversa e levaram o autor a comentar alguns dos temas presentes na obra. Entre eles estão a infância, a relação com a mãe, as crianças, a natureza e diferentes questionamentos sobre a existência.
Um dos poemas discutidos foi “Uma criança que brinca com argila domina o ofício de Deus”. A partir do texto, Chico Chico falou sobre sua relação com a ideia de divindade.
O músico afirmou não ser religioso e disse que talvez pudesse ser considerado ateu. Ao mesmo tempo, destacou o respeito pelas diferentes crenças e afirmou que aquilo que algumas pessoas compreendem como Deus também pode ser interpretado como natureza, existência ou uma dimensão sensível da vida.
A infância aparece em sua poesia como uma espécie de contraponto ao “turbilhão” do mundo. Memória, brincadeira e encantamento surgem como formas de preservar a delicadeza diante de uma realidade marcada por conflitos.
Uma nova forma de se apresentar ao público
O lançamento de Pequenos Sigilos representa uma mudança na relação de Chico Chico com o público. Se a música já estabeleceu sua identidade artística, o livro apresenta outra dimensão de sua criação.
A tensão entre querer ser lido e temer a interpretação do outro atravessa a estreia literária. Ao reunir textos produzidos ao longo do tempo, Chico Chico transforma experiências, inquietações e observações sobre a vida em uma obra que agora deixa o espaço privado para encontrar novos leitores.
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Carol Berg
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