H.FOA alerta para cuidado com a saúde mental antes do agravamento do sofrimento
Nem sempre o cuidado com a saúde mental precisa começar em uma situação de crise. Mudanças de comportamento, sinais de sobrecarga, isolamento, dificuldade de lidar com a rotina e alterações nas relações também podem indicar que algo merece atenção antes que o sofrimento se agrave. Com esse enfoque, o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) chama atenção para a importância da prevenção e do cuidado cotidiano com a saúde mental durante o Setembro Amarelo. A proposta é ampliar a compreensão de que pedir ajuda, acolher alguém e perceber mudanças não devem ser atitudes deixadas apenas para momentos extremos.
Para Renan de Andrade, psicólogo do H.FOA, a prevenção começa quando a própria pessoa, ou quem está ao redor, percebe que algo mudou. “Às vezes são mudanças pequenas: a pessoa passa a dormir mal, fica mais irritada, se isola, perde a vontade de fazer coisas de que antes gostava ou começa a ter dificuldade para lidar com situações do dia a dia. Nem sempre isso significa que existe um transtorno, mas são sinais de que algo merece atenção”, explicou. Segundo Renan, quanto mais cedo essas mudanças são percebidas e conversadas, maior a possibilidade de oferecer cuidado antes que o sofrimento chegue a uma situação de crise. “Ao se antecipar, nós conseguimos evitar danos na rotina ou na própria forma de existir da pessoa”, completou. O cuidado começa quando uma mudança é percebida. Isso vale tanto para quem identifica sinais em si mesmo quanto para quem nota alterações em colegas, familiares, estudantes ou pessoas próximas. A orientação, no entanto, não é fazer diagnósticos ou interpretações precipitadas, mas reconhecer que determinadas situações precisam de escuta, atenção e, quando necessário, encaminhamento adequado.
Outro ponto destacado é o acolhimento. Apoiar alguém em sofrimento não significa ter todas as respostas. Muitas vezes, ouvir com respeito, evitar julgamentos e demonstrar disponibilidade já são atitudes importantes para que a pessoa não se sinta sozinha diante do que está vivendo. A busca por apoio profissional também não deve ser vista como último recurso. Procurar ajuda antes do limite pode contribuir para que o sofrimento seja cuidado com mais segurança, orientação e acompanhamento. Essa compreensão ajuda a reduzir barreiras que ainda fazem muitas pessoas adiarem o cuidado com a saúde mental. “Muitas vezes, a pessoa está sofrendo, mas não consegue entender exatamente o que está acontecendo ou colocar em palavras aquilo que sente. A terapia oferece um espaço de escuta onde ela pode organizar essas experiências, compreender melhor seus sentimentos e encontrar formas mais saudáveis de lidar com o que está vivendo. Às vezes, também é um espaço para ficar em silêncio e não se culpar por não conseguir organizar os sentimentos naquele momento”, afirmou Renan.
Para o psicólogo, buscar ajuda não significa eliminar todo sofrimento, mas encontrar apoio para atravessar momentos difíceis com mais cuidado. “O sofrimento também faz parte da vida. O objetivo não é fazer com que a pessoa nunca mais sofra, mas ajudá-la a não atravessar esse momento sozinha e a encontrar caminhos para lidar com ele antes que se agrave”, destacou. O tema também envolve os ambientes de trabalho e estudo. A saúde mental não depende apenas de atitudes individuais, mas é influenciada pela forma como as pessoas se relacionam, cobram, acolhem e constroem suas rotinas. Por isso, lideranças, equipes, instituições de ensino e serviços de saúde têm papel importante na construção de espaços mais atentos aos limites, à escuta e ao encaminhamento responsável. A campanha de Setembro Amarelo do H.FOA fortalece uma cultura de prevenção que passa por três atitudes complementares: perceber, acolher e buscar apoio. Esses movimentos ajudam a transformar o cuidado em uma prática possível no cotidiano, antes que o sofrimento chegue a situações mais graves.
A mensagem central é simples, mas necessária: cuidar da saúde mental não deve começar apenas quando a pessoa já chegou ao limite. Quando há escuta, informação e apoio, o cuidado pode começar antes da crise.
Informa Cidade
H.FOA alerta para cuidado com a saúde mental antes do agravamento do sofrimento


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