Urgente: Steinbruch deixa o comando da CSN e já indica novo CEO

A partir desta quinta-feira (3), a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) terá um novo CEO (Chief Executive Officer, na sigla em inglês). Quem vai exercer a presidência executiva é Fábio Schvartsman, que já comandou a Vale e a Klabin. Steinbruch vai reassumir a presidência do conselho de Administração, cargo que ocupou entre 1995 e 2023.

A informação foi publicada pelo Brazil Journal, ao qual o executivo confirmou a mudança. “Era o momento de trocar de posição. Foi um ciclo de realização de muita coisa e agora a gente se propôs a fazer uma mudança na companhia, priorizando a desalavancagem, uma melhor estrutura de capital e os ativos que têm maior margem”, disse Steinbruch à publicação.

Ele também comentou sobre a escolha de seu substituto no comando da companhia, que, segundo ele, começou a ser discutida há cerca de quatro meses: “É uma pessoa boa, honesta, correta, dedicada e inteligente. Tem todas as qualificações para o cargo. Eu gosto muito dele e por isso o convidei”.

Steinbruch chegou à CSN quando da sua privatização, em 1993, através do grupo Vicunha, de sua família. Dois anos depois, tornou-se o maior acionista individual da companhia ao comprar parte da fatia do Bamerindus. Em 2000, a Vicunha aumentou sua participação de 14,1% para 46,5% e se tornou a controladora da CSN.

Foi também em 1995 que Benjamin assumiu a presidência do conselho. Em 2002, tornou-se CEO e, nas décadas seguintes, transformou a siderúrgica num grupo com operações de mineração, logística, cimento e energia. Hoje, o grupo atua em cinco grandes negócios: siderurgia, mineração, cimento, logística e energia. No ano passado, o grupo faturou R$ 44,8 bilhões

Ele disse que continuará trabalhando ativamente como presidente do conselho e ajudando na estratégia, enquanto Schvartsman ficará responsável pela operação. Sua família – os filhos Victoria, Felipe e Alessandra – também continuará presente na companhia. “Ganhei netinhos e quero ter chance de me dedicar a eles, porque nessa vida de trabalho intenso talvez eu tenha pecado um pouco com a família,” disse o empresário, de 73 anos. “Eu gostaria também de ter tempo para o agronegócio, que é algo que eu gosto muito, e tempo para viajar sem ser a trabalho. São sonhos que a gente ainda pode realizar”, acrescentou.

Quem é – Engenheiro de produção formado pela USP (Universidade de São Paulo), Schvartsman teve passagens longas por empresas como Ultrapar e Klabin, onde foi CEO por seis anos. Em 2017, deixou a fabricante de papel e celulose para assumir como CEO da Vale.

Schvartsman comandava a mineradora quando ocorreu o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. Pouco mais de um mês depois, pediu afastamento do cargo e desde então não assumiu nenhum cargo executivo. Hoje está no conselho da Vibra Energia.

A troca acontece justamente no momento em que a redução da dívida se tornou o ponto central da tese de investimento da CSN. Schvartsman chega à uma companhia com dívida próxima de R$ 42 bilhões.

No segundo trimestre, a alavancagem da CSN chegou a cerca de 3,5x EBITDA, e os analistas vêm apontando a venda de ativos como o principal gatilho para uma mudança na percepção negativa sobre a empresa.

Segundo Benjamin, o plano de desalavancagem da companhia não muda com sua saída. “A estratégia é igual. É fazer o que a gente vem fazendo: tanto do ponto de vista da desalavancagem quanto dos negócios de maior margem. Tudo para melhorar o resultado operacional da companhia,” disse.

A venda da CSN Cimentos para abater a dívida continua sendo apontado como um dos principais movimentos da companhia. Segundo o Brazil Journal, uma fonte a par das negociações disse que a chinesa Huaxin e o consórcio Votorantim/Cementir estão no páreo e que o negócio deve girar em torno de R$ 12 bilhões.

À publicação, Steinbruch não confirma as informações e negou que a venda esteja prestes a ser anunciada – ou que algum dos interessados já tenha recebido exclusividade. Segundo ele, a companhia já recebeu as propostas e agora está fazendo ajustes antes de uma etapa que deve envolver cerca de 45 dias de discussão das condições contratuais e do preço. “A venda está seguindo o cronograma definido pela companhia no começo do ano,” disse. (Foto: Arquivo)

Informa Cidade

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